Cresce o perigo iraniano

Por David S. Moran

O Irã, que é uma potência mundial de petróleo, era muito rico e próspero. O Xá era aliado dos EUA e mantinha relações secretas com Israel. Tudo isto até sua deposição, em 1979, pelos islamistas, liderados pelo Khumeini, que estava asilado na França, sob condições de rei. O atual regime islamista não vê nada pela frente a não ser o seu objetivo de liderar a região, custe o que custar. O povo vive oprimido, sofre com a má situação econômica, também devido às sanções econômicas impostas ao país e aos altos custos dispendidos à área militar e nuclear, dentro e fora do Irã.

O Irã almeja obter hegemonia regional à custa dos países árabes. Para tanto, faz uso das fraquezas dos países adjacentes e da população xiita, que é sua aliada natural. Assim o é com a Hizballah no Líbano, Jihad Islâmica e Hamas na Faixa de Gaza, aproveitou a situação da Síria e lá está presente, Iraque (onde enfrenta certa oposição, devido a má situação econômica) e Iêmen. A hostilidade radical a Israel, não é só ideológica, mas pela razão de que só o Estado Judeu pode barrar a ambição iraniana.

Em julho passado, alta delegação da Hamas esteve em Teerã e tratou da ajuda dos aiatolás a Hamas, na formação de um exército regular e seu armamento e na reconstrução da infraestrutura da Hamas na Cisjordânia. Tudo isto na espera das próximas eleições na área e a possível tomada de poder. Ao mesmo tempo, o líder da Hizballah, Nasarallah, escondido no seu lugar subterrâneo, ameaçou lançar milhares de mísseis sobre Israel, que lhe custou resposta imediata, de que se o fizer a reação israelense será muito violenta e desproporcional.

Israel, que age contra a presença iraniana próxima ao país, destruiu (25/8) um aparelho especial que era destinado a fabricar no Líbano, mísseis de alta precisão. Em certas ocasiões, Israel admitiu e, em outras não, ataques a armazéns e quarteis iranianos na Síria.

O Irã, que desafia o mundo todo, não se atemorizou com as sanções econômicas americanas e quando estas lhe foram impostas, avisou e concretizou o aumento das centrífugas e o enriquecimento do urânio para chegar mais perto da fabricação de bombas atômicas.

A mídia israelense e mundial revelou, já em 2012, que Netanyahu e o então Ministro da Defesa Ehud Barak, queriam atacar as localidades onde os iranianos elaboram e fabricam componentes que poderiam servir para armas nucleares. Dentro do gabinete israelense, havia divergências a respeito e a operação não foi adiante. No inicio de setembro, o New York Times publicou um extenso estudo a respeito, salientando que foi “quase” feito.

O grave problema do Ocidente é a sua divisão nos interesses. Se fosse coeso seria muito mais fácil. Enquanto os EUA impõem as sanções, os europeus continuam a negociar com o Irã e tentam burlar as sanções. Netanyahu acusou no domingo (1/12) a intenção da Bélgica, Dinamarca, Finlândia, Holanda, Noruega e Suécia de incluir o Irã no sistema de transferência de dinheiro internacional, Intex. Isto quando o povo sai às ruas nas cidades do Irã e protesta. As organizações de Direitos Humanos avaliam que entre 200 e 450 iranianos foram mortos nos distúrbios. Não se ouviu protesto. Mesmo que o grande especialista iraniano do Corão, Abdelfazl Bahrampour tenha justificado na TV governamental iraniana o uso de mão forte do governo. Ele disse que o Corão ordena matar os manifestantes, e os que forem detidos tem que matar com sofrimento. Adicionou que: “não seria exagero matar 10.000 pessoas pelas forças de segurança”.

O governo clérigo radical do Irã ameaça todos, sem temor. O General Allahnoor Noorrallahi, das Guardas Revolucionárias disse em 29/11 numa conferência em Busher: “Estamos nos preparando para a maior guerra contra o maior inimigo (EUA) e podemos lançar mais mísseis do que a estimativa da OTAN, que é de 20.000 mísseis por dia. Temos 21 bases americanas na região que estão sob a mira dos nossos mísseis”. O comandante das Guardas Revolucionárias, General Hossein Salami advertiu (25/11): “nós nos contivemos e tivemos paciência ante a hostilidade americana, do regime Sionista e da Arábia Saudita, mas se eles atravessarem a nossa linha vermelha, nós os destruiremos”.

Se os países ocidentais se unissem, a pressão sobre o Irã teria um efeito maior. Mesmo que a Rússia, China, Índia e outros países não aderissem. Diante de tantas provas de violações iranianas, alguns países europeus estão (tardiamente) perdendo a paciência. A França, Inglaterra e Alemanha estão estudando voltar ao regime de sanções contra o Irã. O Ministro das Relações Exteriores da França admitiu: “o comportamento do Khamenai e Rouhani contra os manifestantes prova que os EUA tinham razão”. Adicione a isto também o bombardeio das refinarias da Arábia Saudita, que diminuiu em 50% a produção de petróleo saudita, durante um mês.

O confuso presidente americano Trump que anunciou, de um dia para outro, sem avisar antes, nem mesmo o seu amigo Netanyahu, da retirada dos seus soldados da Síria, agora anunciou que enviará 14.000 soldados – o dobro do que tinha na Síria – para conter as Guardas Revolucionárias do Irã. Ao mesmo tempo, na quarta (4/12) foi informado que a marinha americana apreendeu uma “carga significativa” de mísseis sofisticados iranianos que foram enviados numa embarcação sem bandeira para os rebeldes hutis no Iêmen.

O Primeiro Ministro Benjamin Netanyahu, que enfrenta sérios problemas no país, quis aproveitar a presença do Trump em Londres e encontra-lo. As autoridades inglesas avisaram que não poderiam lhe proteger. Ante a negação inglesa, Netanyahu viajou para Lisboa para se encontrar com o Secretário de Estado americano, Mike Pompeo. Segundo Netanyahu, “tratamos de três coisas: o Irã, Irã e Irã”. Quando perguntado se foi Israel que atacou esta semana uma base iraniana na Síria perto da fronteira com o Iraque, ele disse: “nós não comentamos essas ações”.

O Secretário Pompeo disse que Trump e ele discutiram na Convenção da OTAN, em Londres, sobre as manifestações contra o Irã no Iraque e Líbano e também sobre as manifestações internas no Irã. “Esses povos querem viver em liberdades e paz. As manifestações no Oriente Médio contra o regime iraniano são a oportunidade para enfraquecê-lo”, concluiu.

Israel é o único país que, nos últimos anos, age contra a penetração iraniana, mesmo quando o ataca no fundo do território sírio. Nem mesmo a Rússia, que queria as tropas iranianas fora da Síria, agiu neste sentido. Tomara que agora todos se unam, antes que o Irã obtenha arma nuclear e seja tarde. Antes tarde do que nunca.