EUA bloqueiam declaração da ONU por cessar-fogo

Pela terceira vez em uma semana, os EUA bloquearam uma declaração conjunta do Conselho de Segurança da ONU pedindo um cessar-fogo imediato entre Israel e o Hamas.

A declaração foi apresentada pela Noruega, Tunísia e China, após a sessão de emergência realizada, neste domingo, sobre a escalada em Israel e Gaza e criticou ambos os lados pela violência em curso.

A missão dos Estados Unidos não respondeu imediatamente a um pedido de comentários sobre o assunto. Os Estados-membros ainda têm até essa segunda-feira ao meio-dia para refletir sobre a declaração, e as negociações sobre o assunto estão em andamento, disseram dois diplomatas do Conselho de Segurança.

Durante a reunião aberta, a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Linda Thomas-Greenfield, disse que os EUA estão “trabalhando incansavelmente por meio dos canais diplomáticos para tentar pôr fim a este conflito”.

Em seus comentários ao conselho, Thomas-Greenfield pediu ao Hamas que parasse imediatamente de disparar foguetes contra Israel. Ela não mencionou o direito de Israel de se defender, como as autoridades americanas enfatizaram em suas respectivas declarações sobre a violência na semana passada.

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Os críticos da ala progressista do partido alegaram que o comunicado ofereceu um cheque em branco a Israel para continuar seus contra-ataques em Gaza, mesmo com o aumento do número de vítimas civis.

Quatorze dos 15 membros do Conselho de Segurança buscaram emitir uma declaração conjunta, que requer aprovação unânime, após reuniões fechadas de emergência, na segunda e quarta-feira. Eles foram impedidos pelos EUA, que disseram querer mais tempo para seus próprios esforços diplomáticos se concretizarem, de acordo com vários diplomatas do Conselho de Segurança. A declaração teria pedido um cessar-fogo imediato, enquanto condenava ambos os lados pela violência.

Quando os membros do conselho se propuseram a realizar outra reunião na semana passada, a missão norte-americana bloqueou o esforço pelo mesmo motivo, dizendo que preferia esperar até terça-feira. Após a pressão de vários países, os EUA concordaram em transferir a reunião para o domingo.

Questionado, após a reunião, se os EUA planejavam apoiar a declaração conjunta que estava sendo redigida, um oficial da missão dos EUA disse que “agora estamos focados nos intensos esforços diplomáticos em andamento, incluindo aqueles que a Embaixadora Thomas-Greenfield discutiu na reunião do Conselho de Segurança de hoje”.

Falando a repórteres após a sessão de emergência, Mona Juul, do Ministério das Relações Exteriores da Noruega, disse que seu governo “acredita fortemente que o Conselho de Segurança deve falar a uma só voz e enviar uma mensagem clara pedindo o fim imediato da violência e reconfirmando nosso apoio à solução dos dois Estados . A Noruega continuará nossos esforços dedicados para buscar a ação do Conselho”.

Fonte: The Times of Israel
Foto: Captura de tela