Irã considera forças armadas da UE grupos terroristas
O presidente do parlamento iraniano afirmou, neste domingo, que a República Islâmica agora considera todas as forças armadas da União Europeia como grupos terroristas, em uma reação contundente após o bloco ter declarado a Guarda Revolucionária paramilitar do país como um grupo terrorista devido à sua repressão sangrenta aos protestos em todo o país.
O anúncio feito por Mohammad Bagher Qalibaf, ex-comandante da Guarda Revolucionária, sobre a designação de grupo terrorista provavelmente terá um caráter apenas simbólico. O Irã utilizou uma lei de 2019 para declarar reciprocamente as forças armadas de outras nações como grupos terroristas, após os Estados Unidos terem declarado a Guarda Revolucionária como tal naquele ano.
No entanto, isso ocorre em um momento de alta tensão no Oriente Médio, em que o presidente dos EUA, Donald Trump, avalia um possível ataque militar contra o Irã. A República Islâmica também planejou um exercício militar com munição real para domingo e segunda-feira no estratégico Estreito de Ormuz, a estreita passagem que liga o Golfo Pérsico ao Irã, por onde passa um quinto de todo o petróleo comercializado no país.
Qalibaf fez o anúncio ao lado de outros parlamentares vestindo uniformes da Guarda Revolucionária em apoio à força. A Guarda Revolucionária, que também controla o arsenal de mísseis balísticos do Irã e possui vastos interesses econômicos no país, responde apenas ao líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos.
“Ao tentarem atacar a Guarda Revolucionária, que por si só tem sido a maior barreira à propagação do terrorismo na Europa, os europeus, na verdade, deram um tiro no próprio pé e, mais uma vez por obediência cega aos americanos, decidiram contra os interesses do seu próprio povo”, disse Qalibaf.
Mais tarde, durante a sessão, os legisladores entoaram cânticos como: “Morte à América!” e “Morte a Israel!”.
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Trump estabeleceu duas linhas vermelhas para a ação militar: o assassinato de manifestantes pacíficos ou a possível execução em massa de pessoas detidas em uma grande repressão aos protestos. Ele também tem discutido cada vez mais o programa nuclear iraniano, que os EUA negociaram com Teerã em diversas reuniões, antes da guerra de 12 dias entre Israel e o Irã, em junho.
Durante a guerra, os EUA bombardearam três instalações nucleares iranianas. A atividade em duas dessas instalações sugere que o Irã pode estar tentando obstruir a visão dos satélites enquanto tenta recuperar o que restou do arsenal nuclear.
Na noite de sábado, Trump se recusou a dizer se já havia tomado uma decisão sobre o que queria fazer em relação ao Irã.
Em declarações à imprensa durante o voo para a Flórida, Trump desviou-se de uma pergunta sobre se Teerã se sentiria encorajada caso os EUA desistissem de lançar ataques contra o Irã, dizendo: “Algumas pessoas acham que sim. Outras não”.
Trump disse que o Irã deveria negociar um acordo “satisfatório” para impedir que o país obtenha armas nucleares, mas acrescentou: “Não sei se eles vão negociar. Mas eles estão conversando conosco. Conversando seriamente conosco”.
Fonte: Revista Bras.il a partir de AP
Foto: Captura de tela (Youtube WION)

