Knesset se dissolve na quarta-feira

Os parlamentares aprovaram a primeira leitura do projeto de lei para dissolver a 24ª. legislatura da Knesset, nas primeiras horas da manhã desta terça-feira, colocando Israel mais perto de suas quintas eleições em três anos e meio.

A votação foi realizada depois que parlamentares da coalizão e da oposição passaram o dia inteiro, na segunda-feira, debatendo questões como a data das próximas eleições nacionais e quais leis seriam votados antes da dissolução do parlamento.

Alguns deputados da oposição tentaram reunir votos suficientes para formar uma coalizão alternativa sob o comando do ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu sem eleições.

De acordo com entendimentos da coalizão e oposição, as leituras finais do projeto de lei para dissolver o parlamento serão realizadas até quarta-feira. Uma vez aprovada, o primeiro-ministro Naftali Bennett entregará o poder ao ministro do Exterior, Yair Lapid, que atuará como primeiro-ministro interino até as eleições e que um novo governo seja formado.

O plano inicial da coalizão era levar a proposta de dissolução a todas as três leituras do plenário na segunda-feira. Mas esse processo não pôde começar cedo o suficiente porque o projeto de lei precisava primeiro de aprovação no Comitê da Câmara, liderado pelo presidente Nir Orbach, que adiou a convocação de seu painel até o final da segunda-feira para dar mais tempo à oposição de tentar reunir uma coalizão alternativa.

O projeto permanecerá sob o controle de seu comitê, o que significa que Orbach, parlamentar do próprio partido Yamina de Bennett que deixou a coalizão no início deste mês, ajudando a precipitar o colapso da coalizão, poderá continuar controlando seu ritmo no parlamento.

Parte do atraso de segunda-feira ocorreu porque a coalizão e a oposição não conseguiram chegar a um acordo sobre uma data final para as eleições ou sobre quais projetos pendentes seriam votados antes da dissolução da Knesset.

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Na segunda-feira, os dois lados anunciaram que chegaram a um entendimento de que as eleições serão realizadas em 25 de outubro ou 1º de novembro.

Foi ainda acordado que um projeto de lei que impediria uma pessoa acusada, como o líder da oposição Benjamin Netanyahu, de formar um governo não seguiria adiante. Nem a chamada “Lei do Metrô”, que teria fornecido supervisão e financiamento para um novo sistema de metrô que está sendo construído na área metropolitana de Tel Aviv. No entanto, um projeto de lei para compensar aqueles que foram afetados pelo surto da variante Omicron do coronavírus será levado a votação.

Enquanto Orbach atrasou a reunião de seu comitê até segunda-feira, alguns legisladores da oposição, incluindo o líder do partido Sionismo Religioso, Bezalel Smotrich, tentavam de alguma forma montar um governo alternativo liderado por Netanyahu, sem ir primeiro às eleições, e os líderes da coalizão tentavam combatê-lo.

Essa nova coalizão precisaria do apoio de pelo menos 61 dos 120 parlamentares e, embora Netanyahu tenha reduzido com sucesso a maioria da coalizão de Bennett, ele não conseguiu reunir uma maioria absoluta na atual Knesset.

O ministro da Defesa, Benny Gantz, que fez parceria com Netanyahu em uma coalizão de curta duração em 2020, disse que faria todo o possível para impedir Netanyahu de formar um novo governo, acreditando que novas eleições eram a melhor opção para o país.

“Farei tudo para impedir a formação de um governo alternativo nesta Knesset com Netanyahu”, disse Gantz em entrevista coletiva antes de uma reunião de seu partido Azul e Branco.

Questionado se ele concordaria em formar uma coalizão com o Likud se ele o liderasse, Gantz disse que nem isso era uma opção. “Atualmente, não vejo um governo alternativo neste Knesset”, disse ele.

Apesar da aparente inevitabilidade das eleições, Smotrich disse que seu partido fará todo o possível para adiar a dissolução até a próxima semana, a fim de dar mais tempo para tentativas de remanejamento de assentos para uma coalizão alternativa.

O partido Judaísmo Unido da Torá tem se manifestado consistentemente contra arrastar o país para outra eleição, temendo que os resultados não mudem significativamente o mapa da Knesset, mas possam prejudicar sua representação. O líder da UTJ, Moshe Gafni, disse a Netanyahu que seu partido continua a fazer “todos os esforços para evitar essas eleições desnecessárias”.

Se o processo de dissolução for interrompido até a próxima semana, isso colocaria em risco a capacidade do governo de estabilizar uma situação legal na região da Samaria e Judeia. Se a Knesset for dissolvida, as medidas da lei na região seriam automaticamente estendidas por seis meses.

Fonte: The Times of Israel
Fotos: Wikipedia Commons, CC BY-SA 3.0