Na reta final das eleições decisivas

As eleições do dia 17 de Setembro serão decisivas para o Estado de Israel. Os dois principais partidos políticos, o Likud, do atual Primeiro Ministro Benjamin Netanyahu e o Kachol Lavan (Azul e Branco), liderado por Benny Gantz e Yair Lapid, estão correndo com a cabeça colada um no outro. Nas pesquisas de opinião pública, eles variam de 30 a 33 cada um, revezando-se. A maior chance vista até o momento é o Likud formar um novo governo, pois a ala da direita conta com cerca de 56 a 58 deputados e necessita de 3 a 5 para ter maioria de 61 membros do Knesset. O Kachol Lavan, que tem membros do centro, direita e esquerda, está num bloco pouco atrás e parece que precisará do apoio da Lista Árabe Conjunta e evidentemente do partido Israel Beiteinu, do Avigdor Lieberman.

Lieberman, que era membro do Likud e chefe de gabinete do Netanyahu, conhece todos os truques do premier. Os dois estão afastados, como qualquer pessoa que trabalhou junto a Netanyahu e depois se retirou.

Na reta final, a quatro dias das eleições e nada ainda definido, cada partido faz os últimos esforços para tirar eleitorado do adversário. O Netanyahu, que está fazendo todo o esforço para se manter no poder e com isso conseguir imunidade, já que sobre ele pairam três acusações: quebra de confiança, corrupção ao receber favores e subornos. Num caso, talvez o de maior gravidade, a compra se submarinos da Alemanha e lhes dar sinal verde para vender ao Egito também, parece que Netanyahu não está envolvido diretamente. Porém, há muitos questionamentos. Como é que as pessoas mais próximas dele, como o seu primo, advogado e confidente e outros, estão envolvidos nesta questão de segurança nacional e ele não.

Este empecilho seria facilmente retirado, se como o Premier diz: “não há nada, porque não houve nada”. Netanyahu deveria ir a justiça negar e provar que nenhuma das acusações é verdadeira. Mas, Netanyahu parece que faz de tudo para não chegar a este ponto. Aliás, quando o Primeiro Ministro Ehud Olmert estava sob acusação de corrupção, foi o Netanyahu, então líder da oposição que disse: “a tarefa de Primeiro Ministro é muito intensa, Olmert tem que renunciar, pois não pode estar envolvido com a justiça e tarefa nacional”. Olmert, pouco depois se demitiu e passou alguns anos na cadeia. O que Netanyahu pregou a outros, não implementa em si. Fora o árduo trabalho de Primeiro Ministro, ele também é o Ministro da Defesa, da Saúde e até há pouco foi também Ministro do Exterior. Sem falar no seu envolvimento, como qualquer ser humano, nos seus casos, caso tenha que comparecer a justiça. Tiraria o sono de qualquer pessoa.

Na semana da reta final, o Primeiro Ministro Netanyahu acelerou para tentar ganhar mais votos – e ele é ótimo nisso – dramatizando. Na segunda feira (9) anunciou que: “desvendamos mais alguns lugares secretos, onde o Irã também desenvolveu o seu plano atômico. Dos mais importantes em Abadeh, ao sul de Isfahan”. Mostrou fotos de satélite de antes e depois do mesmo lugar, que o Irã destruiu completamente, depois que entendeu que o local foi localizado. Só, que isto é reciclagem de 2003. Para desviar as atenções da segurança e outros tópicos importantes, só se falou na lei que queria introduzir as pressas, para que nas urnas tenham acesso fiscais partidários munidos de câmeras. A moção caiu, na terça (10), por não ter tempo suficiente de estudo até estas eleições e porque só o Likud teria vantagem, pois já se preparou para tal e os outros partidos ainda não.

Duas horas depois desta derrota parlamentar, anunciou-se que o Primeiro Ministro daria uma declaração “dramática”. Todos a postos, Netanyahu chegou com o habitual atraso e anunciou em sete minutos, que se eleito, vai anexar a Israel o Vale do Jordão. Tinha 13 anos para fazê-lo, mas cinco minutos antes da Hora H, anunciou. Recebeu chuva de criticas, da direita, centro e esquerda e também do exterior. Um dos mais críticos foi o Presidente Putin, a quem foi visitar na quinta (12). Putin disse que esta anexação vai causar aumento na violência e afastar a paz. A propósito, Netanyahu cancelou uma reunião que teria com a Federação das Indústrias e seus membros, após um ano e meio, só para ter foto com o Putin, para as eleições.

Ainda na terça-feira dramática, a noite, o Netanyahu foi pego de surpresa, quando discursava em Ashdod e a Hamas lançou dois foguetes sobre esta cidade e Ashkelon. Sua segurança tirou-o às pressas do palanque. Parece que outro revés recebeu do “amigo” Trump. Antes, anunciou-se que o presidente americano havia demitido o seu conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, principal aliado do Netanyahu na sua luta contra o Irã. Depois veio o anúncio do Trump de que está disposto a encontrar-se com o presidente iraniano Rouhani, sem pré-condições. Isto só prova que Trump não é amigo de ninguém (como o Putin) e só faz o que ele lhe convém, muitas vezes sem pensar.

Infelizmente, o Primeiro Ministro Netanyahu traz discórdia e divide o povo. Para ele quem não vota nele é da “esquerda” e tenta tirar votos mesmo de partidos da direita, pois quer que o Likud seja o maior partido e ter a primeira chance de formar o próximo governo. Também fala contra os árabes-israelenses, que são mais de 17% da população. O Facebook suspendeu, na quinta-feira (12), a página do Netanyahu, por 24 horas por violar a politica do Facebook em relação ao racismo e ódio. Isto veio em consequência do envio de mensagens pelo Messenger, aos seus seguidores do Facebook na qual dizia “não podemos permitir um governo perigoso de esquerda, com Lapid (foi seu Ministro da Fazenda em 2013-4), Gantz (foi Chefe do Estado Maior em 2011 a 2015), Lieberman (foi seu Ministro da Defesa, em 2016 a 2018), que confiam em Ouda e nos árabes que nos querem destruir”.

Outra demonstração de divisão veio logo após o comício em Ashdod, no qual foi retirado do palco e disse: “Hamas atirou contra o Primeiro Ministro e não sei quem mais festejou o acontecimento, a Hamas ou Lapid e Gantz”, líderes do principal partido de oposição, o Kachol Lavan.

Netanyahu que qualifica de esquerdista quem não vota nele, não tem como explicar, que vários líderes do Herut, que se tornou Likud, disseram que não votariam no partido que ele lidera. Desde Dan Meridor, secretário e Ministro de Menchem Begin. O ex-deputado e ex-Ministro Beni Begin, que pediu para não ser incluído na lista do Likud, para as eleições de abri l2019, disse: “nos últimos anos a liderança do Likud faz enormes esforços para que eu não vote no partido. Há preço para o comportamento de vaidade e arrogância”. O ex Presidente do Knesset pelo Likud e ex-deputado pelo partido, Dan Tichon reforçou o que disse Begin: “não votarei no Likud pela conduta do Netanyahu que é perigosa. Temos que defender a democracia”. Mais uma bomba foi detonada ontem com a declaração de Michael Eitan, na rádio Galei Tsahal. Eitan, o revisionista, ex-deputado e ex-Ministro pelo Likud disse: “pela primeira vez em 50 anos não votarei no Likud. As atitudes naturais que pregamos de modéstia e honestidade, passaram a ser obsoletos. Desapareceram as legítimas discordâncias e em seu lugar todos tem que declarar lealdade à família Netanyahu. O sistema judiciário está sob ataques, para impedir as investigações das suspeitas contra Netanyahu. O país passa por um processo de religiosidade, exclusão de mulheres e desigualdade no alistamento militar”.

Daqui a uma semana, talvez, saberemos que rumos vai tomar o país. Em Israel o voto não é obrigatório por lei. Na minha humilde opinião o voto é um privilégio e obrigação que o sistema democrático oferece e cada eleitor tem que fazer uso dele.

Há um ditado que diz “o poder corrompe” e se o mesmo governo permanece por muito tempo tem mais chance de ser corrompido. Nos EUA entenderam isso e o Presidente da Nação pode ser eleito só para dois mandatos de quatro anos cada. No México um mandato de sete anos e deixa o cargo. O que o governante não conseguiu no tempo que lhe deram, não fará mais.

O Primeiro Ministro Benjamin Netanyahu fez muito pelo país, agora tem que deixar outros tentarem fazer e para melhor. O Presidente dos EUA, Richard Nixon, após Watergate, disse que não acha que fez nada errado, “mas pelas circunstâncias que se formaram e pelo bem da Nação, eu renuncio”. Netanyahu deveria fazer o mesmo.

As pesquisas de opinião pública desta semana apontam que pelo visto a indefinição continua até o fim. Os dois grandes partidos continuam correndo um ao lado do outro, os partidos que formam o bloco da direita (inclui os haredim) tem pequena vantagem e o fiel da balança, que poderá decidir se é Netanyahu ou Gantz, será o líder do Israel Beiteinu, Lieberman. Há muitos rumores de que se o Kachol Lavan obtiver mais votos do que o Likud e terá chance melhor chance de formar o governo, haverá certa rebelião no Likud, depondo o Netanyahu da liderança do Likud, que é condição do Kachol Lavan e formando um governo estável do Kachol Lavan, Likud e Israel Beiteinu. Seriam maioria de cerca de 75 deputados e não estaria o governo exposto a chantagens dos pequenos partidos.

Na Democracia Parlamentar de Israel, o Primeiro Ministro é eleito pelo voto de confiança dos deputados e não é eleito diretamente pelo povo. Para entrar no Knesset, o partido tem que obter pelo menos 3,25% dos votos válidos. Isto equivale quatro deputados. No Knesset servem 120 deputados. Depois da eleições, o Presidente do Estado de Israel recebe os resultados e consulta os líderes para ver a quem darão o seu voto. O líder do maior partido tem 28 dias para formar o governo, se não o conseguir poderá pedir extensão do prazo e receberá mais 14 dias. Estas eleições serão para o 22⁰ Knesset, já que nas eleições passadas em 9 de abril deste ano Netanyahu não conseguiu formar um governo.

As pesquisas desta semana:

Atual

Canal 11  Canal 12  Canal 13  Walla

Hot

Kachol Lavan

 35

 32  32  32  33

 32

Likud (1)

35

 31  31 31 32

33

Lista Árabe Conjunta

 6

 10  9  11 9

 10

Israel Beiteinu

5

 9  9 9  8

9

Yamina (2)

5 9  9  9  9

 7

Hamachané Hademocrati (3)

5

6 6 6 6

6

Yahadut Hatorá

 8 7  7 7  7  7
Shas

8

7  7 6  6

 7

Avodá/ Guesher

6

5  6 5  5

 6

Otsma Yehudit (4)

 0

4  4  4  4

 4

Bloco da Direita

 58

 58  57 58 57

Bloco do Centro Esquerda

53

53

54

 54

 54

(1) Juntou-se ao Likud, o Partido Kulanu com 4 deputados e Zehut, sem deputados.

(2) Yamina é a fusão do Habait Hayehudi ) (6), Hayamin Hachadash(0) e Otsma Yehudit (0).

(3) Hamachané é a fusão do Meretz (4), Barak (0) e Stav Shafir deputada do Avodá

(4) Passa esta semana, pela primeira vez, a barreira mínima de entrar no Knesset.

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