A Terra Santa e o anoitecer na sexta-feira

Por Mary Kirschbaum

Sejamos ortodoxos ou seculares, sentimos na terra de Israel, uma energia diferente ao cair da noite de sexta-feira.

No Yom Shishi, todos já começam o dia querendo parar, desacelerar, desconectar.

Os trabalhos vão até 15:00h, no máximo, e as pessoas se preparam para o dia de descanso.

“Existe uma janela que abrimos toda semana em nossa vida e que une céus e terra, o sagrado e o cotidiano, transformando nosso limitado mundo em um espaço infinito. Uma ilha no tempo de tranquilidade, conscientização, identidade judaica e confraternização em família:  o Shabat”.

Sinto, que depois que subi à Terra Santa, algo mudou também em mim, neste “sexto para sétimo dia”.

Na Galut, ou seja, fora de Israel, eu como uma judia secular, tomava conhecimento do Shabat, mas não tinha o sentimento que tenho hoje.

Morando em Tel aviv, próximo a algumas sinagogas, ouço, no horário do pôr do sol, uma música ressoando da enorme caixa de som, e ressonando pelo bairro todo, avisando da chegada do Shabat.

Fico toda arrepiada, pois penso: Finalmente estou no pais do meu povo, da minha religião, onde todos têm o mesmo sentimento cultural, e de fé e tradição judaica… E como sonhei em estar aqui…

E também, o fato de que eu, juntamente com os outros, desde que fiz aliá, há quatro anos e meio, já me acostumei com estes dias sagrados de descanso, “o dia em que D’us descansou”, e sinto o poder e a alegria deste dia.

Normalmente, na sexta à noite ou sábado de dia, viajo a Harish, cidade onde moram meu filho, minha nora e minhas duas netinhas.

Eles são Chabad e guardam o Shabat.

Minha nora sempre prepara uma mesa linda e cozinha deliciosos quitutes para este momento tão especial de reunião e confraternização familiar.

É realmente um dia alegre, e se nos deixarmos levar por esta sensação, alcançamos um bem estar tão grande, regado também ao vinho do kidush, e de podermos nos juntar às pessoas que amamos, com as quais mal falamos no meio da semana, tão atribulada para todos.

Em Israel trabalhamos muito.

É estranho, mas sinto que trabalhamos mais aqui do que no Brasil.

E aqui sim, o Shabat é “merecido”.

Digo merecimento, pois aí também entendemos o que D’us quis dar para nós, quando “criou” este dia.

Sim, entendemos que a vida é super compromissada, cheia de obrigações, às vezes exaustiva, tentando ganhar “parnassá” e assim, nossa semana é muitas vezes cansativa e estressante.

No Shabat, desejamos “Shabat Shalom”, querendo, assim, que todos tenhamos um dia de paz, com descanso das tarefas e do stress rotineiro, equilíbrio, harmonia em família e a lembrança maior do conforto e proteção Divina.

Volto no sábado a noite de Harish, me despedindo da minha querida família, e já desejando um Shavua Tov.

Domingo na Terra Santa é dia de “batente”, o primeiro dia da semana. E novamente tudo se inicia até o próximo Shabat Shalom.

Como é bom vivenciar o Shabat na Terra Santa!