O retorno da grande mentira

Por Deborah Srour Politis

Depois do quarto ataque terrorista em 16 dias, Israel decidiu entrar em Jenin e outros vilarejos palestinos e prender membros de células terroristas incluindo seguidores do Estado Islâmico.

Imediatamente, a Autoridade Palestina e o Hamas chamaram as incursões de “provocações” como se Israel tivesse que aguentar ataques terroristas sem responder ou se defender.

Com as tropas israelenses presentes na Judeia e Samaria, os árabes então se voltaram para um alvo que não podia responder: o túmulo do patriarca José em Nablus. Com martelos de demolição e tochas, eles quebraram a pedra que cobria o túmulo, o candelabro que ficava sobre ele, destruíram um tanque de água, o quadro de eletricidade e colocaram fogo no local.

Este é o respeito que estes palestinos têm por locais santos. Mas não só de outras religiões. De sua própria religião. José é considerado um profeta do Islão e o alcorão dedica mais de 100 versos à estória dele. Agora imaginem se fossem judeus que atacassem um local reverenciado por muçulmanos. A condenação seria universal e ensurdecedora.

E quase o foi. Este ano as páscoas judaicas e cristãs coincidiram com o início do mês islâmico de Ramadan. E na esteira dos ataques terroristas e incursões de Israel para evitar mais carnificinas, os árabes resolveram repetir as velhas tropes que sempre conseguem esquentar os ânimos palestinos. “A mesquita de Al-Aqsa está em perigo!!!”

Wow! De acordo com eles ela está em perigo há mais de cem anos e muito antes da criação do estado de Israel. Este é um libelo de sangue que remonta ao notório líder árabe pró-nazista Haj Amin al-Husseini no período pré-Estado.

Foi este libelo que provocou o massacre de 1929 em Hebron no qual 67 judeus foram mortos incluindo o filho do Rabino Slonim, a mulher dele e seu filho de 4 anos de idade, erradicando a milenar comunidade judaica da cidade. Isso, apesar da comunidade judaica de Hebron estar a quilômetros de distância de Jerusalém e nada ter a ver com a mesquita. Al-Aqsa também foi a desculpa para o Farhud no Iraque em 1941, outro pogrom que custou a vida de 180 judeus, e na Líbia em 1945 aonde 140 judeus foram mortos.

E assim, novamente este ano, a mesquita está em perigo! E isso justifica jovens muçulmanos acumularem pedras e paus dentro de Al-Aqsa, pisando nos tapetes da sua suposta sagrada casa de culto com seus sapatos, fazendo piqueniques e jogando futebol em meio aos escombros. E como a mesquita está acima do Muro das Lamentações, estes vândalos não perderam tempo em atirar pedras nas cabeças dos judeus que rezavam embaixo.

Gostaria de saber se isso é permitido na Caaba em Meca ou na mesquita de Maomé em Medina. Até o primeiro-ministro jordaniano defendeu estes vândalos que transformaram o suposto espaço sagrado num divertido festival de ódio.

Agora, o mais nauseante foram os líderes ocidentais que durante toda a semana, imploraram para Israel garantir o status quo no Monte do Templo e respeitar a santidade de locais sagrados muçulmanos. Mais uma vez, os judeus têm que se deixar atacar sem responder. A mídia, então, descreveu as “incursões da polícia israelense como provocativas” e de usar “força excessiva para dispersar fiéis árabes pacíficos”.

A inversão da verdade contida na descrição dos eventos acima e a perversão envolvida para culpar Israel pelos tumultos árabes no Monte do Templo são mais do que irritantes.

A verdade nua e crua é que o status quo que existia no Monte do Templo em Jerusalém morreu. Foi violado repetidamente nos últimos anos por palestinos e islâmicos radicais que transformaram o lugar numa base de operações hostis contra Israel, em vez de protegê-lo como zona de oração e paz. Por outro lado, Israel agiu com a maior moderação diante dos ataques árabes (demasiada até, em minha opinião).

O Wakf, custodiante da mesquita, e provocadores do movimento islâmico atacaram visitantes judeus no Monte, judeus no Muro das Lamentações abaixo do monte e judeus a caminho do Muro das Lamentações. Atacaram também turistas dos Emirados Árabes e de Bahrein que foram rezar na Mesquita de Al-Aqsa, porque seus países fizeram a paz com Israel. Eles restringiram grandemente os direitos de visita ao Monte sagrado para todos os não-muçulmanos e sequestraram os púlpitos da mesquita para pregar o ódio e a violência contra Israel.

O Wakf também conduziu projetos de construção vastos e ilegais no monte e abaixo dele, destruindo deliberadamente séculos de tesouros arqueológicos judaicos.

Por seu lado, para combater sua irrelevância e a irrelevância do conflito entre Israel e os palestinos hoje substituído pela guerra na Ucrânia, o presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas, uma figura supostamente moderada, continuou a agitar as águas e fomentar a violência contra Israel, repetindo a mentira da “Al Aqsa estar em perigo”.

Em setembro de 2015, ele bravejou sobre os pés judeus “imundos” que estavam “profanando”, “poluindo” os locais sagrados islâmicos e cristãos em Jerusalém. “Cada gota de sangue que foi derramada em Jerusalém é sangue puro, desde que seja por causa de Alá. Cada mártir estará no céu e cada pessoa ferida será recompensada pela vontade de Allah”. É, mas até hoje não vimos ninguém da família dele ou do resto da liderança palestina serem voluntários para bucha de canhão.

Recentemente, islâmicos radicais aumentaram sua retórica sobre judeus “invadindo” Al-Aqsa e “massacrando” muçulmanos em oração.

Mesmo estadistas bem-intencionados, como o secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, e a ministra canadense das Relações Exteriores, Melanie Joly, foram vítimas da grande mentira, reagindo com o blábláblá de sempre, sobre a necessidade de “todos os lados desescalarem e respeitarem a santidade e status quo” de locais sagrados em Jerusalém.

Todos os lados devem desescalar? Status quo? Santidade dos locais sagrados? Do que diabos eles estão falando? Há apenas um lado, o lado árabe, que propositalmente intensificou a violência em Jerusalém e tem profanado desafiadoramente o Har HaBayit (o Monte do Templo) nos últimos 20 anos. Foram os palestinos que transformaram Al Aqsa e sua praça em uma base armada de operações, para a propagação destas mentiras sobre Israel. Ninguém se pergunta se Israel quisesse mesmo destruir ou tomar a mesquita, já não o teria feito??

O novo status quo é a violência islâmica no Monte do Templo. É este o status quo que o mundo quer que Israel preserve?

INFELIZMENTE, a responsabilidade pela deterioração da situação dentro e ao redor do Monte do Templo também deve ser atribuída à liderança israelense. Os governos de Israel parecem ter se calado diante das calúnias no centro da narrativa palestino-islâmica sobre o monte e a presença judaica em Sião preferindo apenas colocar panos quentes em vez de colocar um ponto final nestas ondas de violência. Israel optou por manter uma situação em que os muçulmanos exercem direitos religiosos e nacionais exclusivos no Monte e manipulam o local como base de ataque, enquanto os judeus têm apenas direitos de visita limitados (e cada vez mais impossíveis).

Isso não é mais aceitável! Israel não pode corrigir a situação contendo as coisas e assegurando a seus aliados que está agindo com responsabilidade e moderação.

Israel deve conter a violência palestina solidificando seus direitos no Monte do Templo e com o apoio da administração americana. Somente isso trará a paz como ficou provado com os Acordos de Abraão. Os Emirados e Bahrein somente se sentiram seguros para fazerem a paz com Israel quando os Estados Unidos reconheceram a legitimidade de Israel. Reconheceram Jerusalém como capital de Israel, a anexação das Colinas do Golan, impuseram sanções adicionais contra o Irã, e incluíram a Guarda Revolucionária iraniana como grupo terrorista.

O problema é que a virada de 180 graus do governo Biden está corroendo esta confiança. E o Monte do Templo, sendo um microcosmo desta erosão, reflete o que acontece quando a fraqueza impera.

2 thoughts on “O retorno da grande mentira

  • 28 de abril de 2022 em 13:42
    Permalink

    Parabéns pelo excelente texto! O livro da rainha Ester deixa uma mensagem para nosso povo ” A melhor defesa é o ataque”.
    Quando a rainha ficou sabendo que existia um plano para atacar os judeus ela se antecipou, e usando de estratégia atacou antes os inimigos. 75 mil terroristas liderados por Haman foram neutralizados e a partir daí houve paz. Os terroristas devem ser eliminados e o povo judeu deve comemorar todo ano a vitória sobre os inimigos. Viva Purim!
    Jerusalém é a capital de Israel!!

  • 28 de abril de 2022 em 20:34
    Permalink

    Essa matéria é excelente e muito esclarecedora… precisa correr o mundo

Fechado para comentários.

%d blogueiros gostam disto: