O “vírus” do antissemitismo nas telas dos cinemas

“Viral: antisemitismo em quatro mutações” é o novo filme do diretor Andrew Goldberg.

Por que o vírus do antissemitismo perdurou tanto tempo e se espalhou até agora? “É por causa de seu poder de se adaptar e enganar”, conclui o diretor Andrew Goldberg.

O filme adota uma abordagem comparativa. Ele percorre o mundo e examina o antissemitismo entre a extrema direita da América, o governo de extrema direita na Hungria, a extrema esquerda no Reino Unido e os radicais islâmicos na França.

O filme começa com o áudio das ligações para o 911 (número de socorro) em Pittsburgh durante o atentado na sinagoga “Árvore da Vida”, em 2018. O rabino Jeffrey Myers, que sobreviveu ao massacre, disse mais tarde: “Muitos estão surpresos por ter demorado tanto tempo antes de haver um atentado em uma sinagoga. Eu acho que era inevitável que algo assim acontecesse.”

No filme, o ex-presidente Bill Clinton falou sobre a promoção do racismo, fanatismo religioso e paranóia: “Se você fizer isso por tempo suficiente, encontrará alguém eventualmente louco o suficiente para fazer o que foi feito em Pittsburgh”.

O filme entrevista um homem que realiza treinamento em defesa na comunidade judaica de Pittsburgh. Há uma cena em que um rabino local mostra um livro de orações em que uma bala atravessa o nome de Deus. O filme se propõe a entrevistar antissemitas, vítimas, políticos e comentaristas, entre outros.

Após o segmento na América, a próxima parada na odisseia do filme é a Hungria. Lá, o primeiro-ministro Viktor Orban realizou uma campanha contra George Soros, descrevendo-o como um bicho-papão rico, procurando ter imigrantes muçulmanos para invadir o país. Algumas representações mostram Soros rindo, mostrando um nariz grande, remanescente da propaganda nazista.

No filme, o presidente Clinton disse: “Se você é movido pelo ódio de outras pessoas por causa da fé ou da raça, então você é um alvo para todos os patifes que querem usar sua ansiedade e raiva para obter poder. A maioria das pessoas que inflamam tudo isso sabe melhor. Eles fazem isso porque funciona.”

Depois da Hungria, o filme se volta para o Reino Unido, onde mostra a parlamentar Luciana Berger dizendo que houve um tempo em que os esquerdistas enfrentaram ativamente o antissemitismo. “Dentro do Partido Trabalhista, o antissemitismo é mais comum, mais conspícuo e mais corrosivo do que antes”, disse ela, com os judeus muitas vezes entrando em conflito com Israel e discussões sobre o capitalismo.

O ex-primeiro ministro britânico Tony Blair disse: “Parte dessa posição de esquerda vem da ignorância. Algumas vêm de visões políticas de longa data, mas muitas são apenas pessoas que entendem um lado da história em torno de Israel, por não terem uma imagem mais equilibrada.”

Quando o filme finalmente chega à França, o espectador conhece Jean-Luc Slakmon, um sobrevivente de um ataque terrorista em um supermercado kosher em Paris, em 2015. Ele está emocionalmente assustado com a provação e está participando de aulas de autodefesa.

O filme narra vários incidentes notórios na França envolvendo terrorismo. Um jovem foi sequestrado em 2006 sob a suposição de que, sendo judeu, sua família tinha dinheiro e poderia pagar um resgate.

Gunther Jikeli, do Instituto para o Estudo do Antissemitismo Contemporâneo, estimou que 75% das ocorrências antissemitas na França não foram relatadas.

A certa altura, o filme oferece uma breve história dos judeus sendo culpados por todas as mazelas. Ele lista a morte de Jesus, a Peste Negra, sequestro e matança de crianças cristãs, criação do capitalismo e administração da mídia. Uma das mais estranhas é que os Rothschilds controlam o clima e, portanto, os judeus são a causa do aquecimento global.

Em praticamente todos os critérios, o antissemitismo nos EUA e na Europa está aumentando e piorando de maneira nunca vista desde a década de 1930. Ele vem nas formas de vandalismo, abuso de mídia social, agressão e assassinato. Como um vírus, ele sofre mutações e evolui através de culturas, fronteiras e ideologias, tornando praticamente impossível parar.

2 thoughts on “O “vírus” do antissemitismo nas telas dos cinemas

  • 22 de fevereiro de 2020 em 23:12
    Permalink

    Temo que o filme Viral traga ainda mais confusão na cabeça das pessoas e no debate sobre as raízes do antisemitismo, dissimulando as verdadeiras razões de seu crescimento na Europa e em todo o Mundo. Exalta posições favoráveis ao Multiculturaismo e relativiza a fé e práticas dentro da religiosidade Judaica e Islâmica ao nivelar ambas como intolerantes e danosas à Humanidade sob uma visão ESTRITAMENTE Globalista defendida desde a Antiga Pan Europa e que hoje é disseminada por George Soros/Open Society desde a Hungria à todo o Mundo…
    …O mesmo George SOROS que com todo o seu sucesso NÃO É um bom exemplo de Judeu… nem tão pouco de nossos bons costumes… SOROS é colocado de forma atenuante e indulgente …como só mais uma VÍTIMA do “antisemitismo” sugerido.
    Apresentam apenas fragmentos do suposto plano Kalergi com intuito de demonizar toda Direita Nacionalista (Soberanista) ao generalizar os diferentes tipos de Nacionalismo (Eugenista Ariano Nazista ao Soberanista Patriótico Multiracial hoje realidade em Nações livres como Hungria, Brasil, Usa e até mesmo em Yisrael.
    Leituras equivocadas do tal plano Kalergi disseminadas pela Esquerda Globalista frente à uma possível ambiguidade Eugenista, ora Ariana …ora Semita, até hoje provocam desinformação na Europa e no Mundo, especialmente na Hungria de Viktor Orbán.
    Recomendo uma análise aprofundada do Filme e de suas mensagens subliminares e leituras equivocadas, antes de enxergá-lo e divulgá-lo como “óbvia” ferramenta útil ao combate do antisemitismo.
    A meu ver concluo, o Filme VIRAL é mais um Cavalo de Tróia à Unidade do povo Judeu… à Soberania do Estado de Yisrael e porta aberta para a Assimilação Cultural promovida pela Esquerda Islamo-comunista e seus BDS aliados.
    Am Yisrael Chai!
    Shalom.

    Resposta
    • 22 de fevereiro de 2020 em 23:26
      Permalink

      Penso igual. Esse negócio de colocar o Soros como vítima do anti-semitismo é a coisa mais patética que alguém pode fazer, haja vista que o próprio Soros, embora descendente de judeus, ele próprio é um ferrenho ANTI-SEMITA! Até Karl Marx – nascido Moses Levy Mordechai – foi outro anti-semita, mesmo nascido numa família judaica, e até mesmo propôs EXTERMINAR todos os judeus, juntamente com negros e gays, no que ele chamava de “holocausto revolucionário”. No tocante à Hungria, apoio a decisão do governo de não querer islâmicos lá, pois eles, uma vez dentro de outros países, só trazem problemas, como terrorismo, estupros coletivos e por aí vai. No entanto, condeno a postura nacionalista deles, pois um cristão que se preze NÃO pode NEM deve ser nacionalista. O nacionalismo leva ao internacionalismo, e por conseguinte, ao Comunismo, Nazismo e todas as demais ideologias totalitárias.

      Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *