Os protestos pela morte de George Floyd

Por Deborah Srour Politis

A mídia social, como qualquer outra coisa, tem pontos positivos e negativos.

Do lado positivo ela fornece comunicação instantânea e fácil entre pessoas do mundo todo, permite a reunião de velhos amigos e uma plataforma fácil para a promoção de ideias e produtos.

Mas do lado negativo ela levanta todos os tipos de questões de privacidade, oferece uma ampla plataforma para promover ideias nocivas e diminui o diálogo.

Há tanta coisa nas redes sociais, tanto barulho, que muitos sentem a necessidade de gritar e berrar para serem ouvidos. Comentários moderados, sutis e educados são perdidos no meio destes tweets ou de postagens nefastas no Facebook.

Neste tecnologicamente avançado século 21, o discurso público se tornou acima de tudo grosseiro e violento, devido ao anonimato e velocidade das postagens. O discurso digno se tornou a vítima.

Neste final de semana as mídias sociais foram usadas para mobilizar toda a sorte de anarquistas para se reunirem nas maiores cidades americanas e promoverem uma quebradeira. A desculpa usada seria o protesto pela morte horrenda de George Floyd, um afro-americano, nas mãos de um policial branco na cidade de Minneapolis.

A filmagem do incidente não deixou qualquer dúvida sobre a condenável ação do policial. Floyd havia sido preso por supostamente por ter usado uma nota de $20 falsa para comprar cigarros. O filme mostra Floyd, de 46 anos, algemado e no chão, imobilizado. Mas o policial, Derek Chauvin, resolveu colocar seu joelho no pescoço de Floyd que gritou que não estava conseguindo respirar. Chauvin manteve a pressão por 8 minutos. Quando Floyd já estava inconsciente, foi levado ao hospital e pronunciado morto menos de um hora depois.

Sem dúvida, um dos pilares da democracia americana é o direito de protesto. Mas o que vimos aqui, em Nova Iorque, Chicago, Los Angeles e Portland, não foram protestos, mas saques. E no meio da pandemia.

Lojas da Nike, Adidas, Uniqlo, foram violentamente despojadas até a última prateleira. Mas principalmente pequenas lojas, do comércio familiar, como minimercados, e até lojas de roupas que estavam fechadas há 2 meses por causa do vírus e que se preparavam para reabrir, foram destruídas.

Estas não são ações de protesto. Ao contrario, elas ofendem a própria memória de George Floyd que deveria conscientizar a sociedade para a brutalidade policial e promover mudanças. As cenas de Chicago, de Los Angeles e daqui de Nova Iorque, do bairro de Brooklyn, pareceram com áreas de guerra tamanha falta de ordem.

O policial em questão foi demitido da policia e indiciado por homicídio.

Mas os baderneiros não ficaram satisfeitos. Incendiaram carros de polícia e uma mulher foi presa por tentativa de homicídio ao jogar uma garrafa incendiária numa viatura ocupada por policiais. Outros foram presos tentando roubar armas da policia. O dono de uma loja foi apedrejado tentando proteger seu comércio dos saqueadores. Isto não é protesto. É crime.

Agora, que governos têm estas cidades e estados com os piores incidentes? Todos democratas. Os governadores, prefeitos, promotores e congressistas, todos autointitulados “progressistas”, que de progresso não têm nada.

O prefeito de NY, Bill de Blasio, demorou mais de um dia para mandar a policia para as ruas e controlar a situação. Pior que ser um líder fraco, ele não suporta ser politicamente incorreto. Na capital Washington DC os policiais agiram sob ordens do serviço secreto contra os manifestantes que tentavam invadir os jardins da Casa Branca.

Todos nós ficamos escandalizados com o que aconteceu com George Floyd. E ficamos também escandalizados com o assassinato de Justine Ruszczyk, uma australiana branca, morta por um policial negro, Mohammed Noor há um ano, na mesma cidade de Minneapolis. Mas ninguém viu qualquer demonstração nas ruas por esta brutalidade.

A lei não se impõe por si só. Toda a sociedade tem um segmento que se encarrega de fazê-lo, seja a policia, os promotores e os tribunais. Mas eles só podem agir quando os líderes lhes dão o sinal verde. E neste caso, aonde os prefeitos de esquerda, dizem aos policiais: deixem os manifestantes soltar o vapor e gastarem sua energia, e mandam tratar os saqueadores com luvas de pelica, a devastação é palpável.

Quando não só não há uma reação à altura, mas são premiados, os baderneiros ficam mais encorajados e por isso tivemos os piores danos ontem, no terceiro dia. Grupos como Antifa (que se diz anti-fascista mas é o mais fascista de todos) estão tomando as mídias sociais com incitação para que o caos continue.

Toda esta situação refletiu muito mal no exterior. Vendo as imagens de mais de 30 cidades em estado de sítio, os inimigos dos Estados Unidos aproveitaram a situação.

Javad Zarif, o ministro das relações exteriores do Irã twittou que “Alguns não acham que “vidas negras importam. Para aqueles que como nós acreditam que elas importam, chegou a hora de lutar contra o racismo”. É o fim da picada e da hipocrisia vinda de um sujeitinho que representa um governo que quer trazer o fim do mundo, que enforca homossexuais em guindastes, apedreja e prende mulheres por não cobrirem o cabelo e incendeia sinagogas.

Mas tem pior. A porta-voz do Ministério do Exterior da China Hua Chunying twittou ontem “não posso respirar”, ecoando as últimas palavras de George Floyd. Justo ele que representa um governo que tem mais de um milhão de pessoas em campos de concentração, que quebrou cada uma das promessas feitas sobre a liberdade de expressão em Hong Kong, que ocupa o Tibet ilegalmente tendo deliberadamente transferido a população local para outros locais da China, que rouba direta e indiretamente todos os segredos industriais de empresas que têm a temeridade de fazer negócios com eles e que está ameaçando toda a Asia com seu poder militar.

Não acredito que George Floyd aprovasse toda esta quebradeira. O que está acontecendo não deve ter lugar em nossos dias. Para que serve todo o avanço tecnológico se ele está sendo usado para maximizar uma conduta bárbara?

Chegou a hora de tomarmos as rédeas e saber que as palavras e ações  são importantes, e arrastar o discurso público para a sarjeta é extremamente corrosivo e danoso para a sociedade.