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Os quatro filhos de Pessach e outros tipos

Por Uri Blankfeld

No mundo, atualmente, temos 8,5 bilhões de celulares ativos! E o dobro de linhas ativas “circulando” sobre nossas cabecinhas.

Nessa época de guerra somos bombardeados diariamente por dezenas de mensagens que chegam até os nossos aparelhos. Desde a hora que nos deitamos, varando a noite e seguindo no decorrer do dia.

São textos, frases, fotos, desenhos, reportagens, gifs, emojis, filmes, montagens, news e fake news, piadas, ofensas, teorias, teorias conspiratórias, e muito mais.

O embrião desse material que nos consome horas por dia, normalmente é desconhecido. Se perde no emaranhado de bytes que criam uma corrente constante de curiosidade.

E quem seriam os intermediários, os divulgadores e espalhadores das publicações desse jornaleco sem papel?

Aos poucos começamos a detectar o estilo e o intuito dos alimentadores.

Naturalmente começamos a reconhecer e a categorizar os agentes, aos quais, obviamente me incluo.

Em Pessach lemos sobre os quatro filhos que a Torá relaciona: o sábio, o malvado, o tolo e o que não sabe perguntar. Os adjetivos são auto explicativos.

Existe também os três tipos contados no anedotário yidish: o shlemil (um trapalhão), o schlemazel (um desafortunado, azarado), e o nudnik (o chato). Dizem que certa vez um shlemil derrubou um prato de sopa no colo de um schlemazel. O nudnik ao lado perguntou “qual era o sabor da sopa?”.

Se pararmos para analisar não somente o conteúdo da enxurrada de textos, frases, fotos, desenhos, reportagens, gifs, emojis, filmes, montagens, news e fake news, piadas, ofensas, teorias e teorias conspiratórias que recebemos, mas também QUEM nos enviou, detectando o estilo e sua tipologia, perceberemos não apenas os sete indivíduos acima descritos mas outros tantos, “amigos” do Facebook, “amigos de amigos”, contatos do Whatsapp, grupos do Whatsapp e muito, muito mais (não se esquecer: são 15 bilhões de linhas ativas!!!).

Só a título de conhecidos que temos em comum: Existem aqueles que mandam alguma notícia ou esclarecimento com uma semana de atraso; tem os que mandam imagens de anos atrás como se fosse furo de reportagem; os que nos enviam frases tipo “o amor é…” e os bons modos da “rede” obriga-nos a responder com uma “carinha chorando”. E os “cientistas políticos”? Do nada surgem aqueles que têm a resposta para tudo. Desde explicações sobre a influência da professora Natascha na educação do Putin passando por uma análise psicofisiológica de risadas contidas do Biden e terminando (se é que termina) por teses sobre processos construtivos de túneis (blindados ou não).

Recebemos diariamente mensagens de difusores de fake news que sem verificar procedência ou consistência repassam mentiras.

Muitos retransmitem textos que sequer leram. Receberam. “Compartilhar”, …“Enviar”.

Imaginemos que cada “enviar” custasse 1 centavo. Hmmmm, muita gente iria pensar bastante antes de enviar um “bons sonhos”…

Claro que no meio de tudo que embaralha a pequena tela de 10 centímetros e também nosso miolo, existe muita coisa boa. Gente que sabe o que faz e o propósito é bem definido.

Finalmente, sobre um filho a Torá não escreve: aquele que escreve uma crônica. Simples, um desabafo, um recado. Uma singela crônica para que alguém porventura se dê ao trabalho de ler… e de divulgar.

Foto: Canva

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