Pós-corona: baby boom ou recorde de divórcios?

No mês passado, quando a crise do coronavírus começou a atingir Nova York com força e a cidade se preparou para uma paralisação, o Departamento de Saúde da cidade publicou diretrizes muito detalhadas sobre comportamento sexual seguro. O documento incluía entre as recomendações de higiene, evitar qualquer forma de relacionamento físico com alguém fora de casa.

A questão de como o surto e os bloqueios estão afetando a intimidade das pessoas tem sido tratada de muitos pontos de vista, levando alguns a sugerir que os casais presos em casa provavelmente estão fazendo mais sexo e, portanto, é esperado um boom de bebês daqui a nove meses. No entanto, os especialistas aconselham cautela.

Segundo o terapeuta sexual e Diretor do Programa de Treinamento em Terapia Sexual da Universidade Bar Ilan, David Ribner, existem muitos aspectos nesta questão: muitas pessoas estão estressadas demais para contemplar qualquer relação física mais íntima. Outra questão é qual era a qualidade da relação sexual antes de tudo isso acontecer. Se não havia uma vida íntima bem-sucedida, física ou emocional, essa pode ser uma situação ainda mais estressante. Situações ainda mais extremas são aquelas em que no passado houve episódios de abuso que agora podem se tornar ainda mais abusivos porque não há realmente nenhuma saída.”

O terapeuta disse ainda que, à medida que o tempo passa e as pessoas se acostumam ao confinamento, há uma boa chance de os casais voltarem à sua rotina normal.

Em Israel, entre a comunidade ortodoxa há a questão do mikve. Caso as pessoas não possam ir ao banho ritual ou temam fazê-lo pelo perigo da contaminação, pode ter um impacto na intimidade física do casal.

Por outro lado, desde o início do surto houve um aumento significativo no consumo de pornografia. O portal PornHub afirmou que, desde meados de março, registra um aumento no tráfego entre 4 e 25% em todo o mundo.

De acordo com Chana Boteach, que administra a loja Kosher Sex, no centro de Tel Aviv, que se concentra em promover a intimidade dos casais no âmbito dos valores judaicos, a loja (que está fechada conforme exigido pelas autoridades, mas cujos produtos ainda são vendidos online) registrou desde o início da crise um aumento nas vendas de cerca de 40%.

Ainda há um outro lado: o aumento da violência doméstica. Casais que já não estavam bem antes do confinamento, tendo que permanecer 24 horas juntos agravam ainda mais as desavenças e agressões tanto verbais quanto físicas.