A verdade sobre as mentiras

Por David S. Moran

No mundo atual em que é mais popular ser um excêntrico, com gritos e afirmações sem base, ou quase sem base, tudo é válido. Já escrevi no passado que o Estado de Israel deve muito à atuação do 45ª presidente americano, Donald J. Trump. Ele foi o primeiro presidente americano a concretizar declarações presidenciais e instalar a Embaixada do seu país, na eterna Capital de Israel, Yerushalaim, por ele declarada indivisível. Além de dar o aval de que as Colinas do Golan fazem parte do Estado de Israel entre outras.

Tentou fazer acordo entre Israel e a Autoridade Palestina, que como sempre, responde negativamente e volta a chorar que os palestinos são pobres coitados. Estes, que receberam mais verbas e apoio universal do que qualquer outro grupo do mundo, gastaram o apoio em material bélico e benefícios pessoais e não na educação, progresso e paz. Resultado, o mundo está se cansando dos palestinos e até países árabes, que os apoiaram e subvencionaram.

O Primeiro Ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que se identificou muito com o Trump e até foi ao Congresso, na véspera das eleições americanas, fazer campanha pelo Donald. Até declarou que pelos esforços do Trump por Israel, fundará um novo povoado, chamado, Ramat Trump (Planalto Trump), no Golan. Só ficou na placa.

Contudo, sua personalidade o traiu. Com toda a divisão interna que incentivava, mesmo indiretamente e sua arrogância individualista, ele foi conquistando inimigos e trocava Secretários (Ministros) como se troca meias, mesmo nos mais altos escalões. Seus antigos colaboradores viraram seus adversários.

Nas últimas eleições, ele teve impressionante votação, mas perdeu o pleito. Como uma criança que perdeu seu brinquedo, foi se queixando de que houve fraude e que ele não reconhece a vitória do seu adversário. Se for confirmada sua derrota, não estará presente para passar o governo ao “sleepy Joe”. O povo americano se cansou dos truques e seus fieis escudos no partido, Congresso e no mundo, foram deixando-o. Evidentemente que os baderneiros e barulhentos resolveram agir. À chamada do “patrão” para protestar, milhares de todas as partes do país, viajaram a Washington (que do túmulo devia estar envergonhado) e foram conquistar o Capitólio. Brigaram com a Guarda Nacional e invadiram o templo da democracia, destruindo parte dela.

A retratação do presidente Trump não veio rapidamente. Sentindo que o Estado está perdendo as rédeas e implorado pelos líderes republicanos, Trump aceitou dizer para seus correligionários se acalmarem.

Na TV, via satélite, Putin estava rindo, bem como o Khamenei, Nasrallah, Maduro e outros, cada um se perguntando se este é o líder da democracia.

Netanyahu, o mestre politico de Israel, olhou com preocupação a invasão do Capitólio e o seu aliado Trump, perdendo as rédeas, justamente quando ele mesmo está disputando eleições pela quarta vez em dois anos.

Após muito tempo, retirou do seu Twitter parte da fotografia de cima. A do Trump. Ele que há quase um ano vai enfrentando protestos na frente de sua residência oficial e outros lugares pelo país, faz de tudo para permanecer no governo.

Seguindo o lema “a divisão dos outros me fortalece”, enfraqueceu o Likud. Seus mais fiéis confidentes do partido como o Gideon Saar, Zeev Elkin, Dany Danon (rejeitado pelo governo da Dilma, para servir de Embaixador no Brasil) o deixaram. Agora o enfrentam, juntando-se aos de outrora, como o Bennett, Lieberman, Yaalon e outros.

O Netanyahu de outrora, que há apenas dois anos, incentivava pela TV a seus eleitores irem reelegê-lo: “pois os árabes estão correndo em massa às urnas, levados em ônibus, pelos movimentos de esquerda”. Agora, quando vê que está enfrentando vários adversários, mesmo da direita e a possibilidade de perder o poder, achou novos aliados: os árabes-israelenses. Em um mês visitou quatro cidades árabes e ontem em Nazaré declarou que naquelas eleições, ele não foi entendido. “Eu não me referi aos árabes, me referi aos eleitores da Lista Árabe Unificada (LAU) que não liga para vocês e só se preocupa com os palestinos”. Está flertando com o eleitorado árabe, pensando em ganhar de 2 a 4 deputados para o Likud. Justamente ele, que os fortaleceu, quando queria enfraquecê-los, aumentando a votação mínima para entrar no Knesset. Aí, para não desaparecer, uniram-se para a LAU, chegando a 15 deputados, quando antes estavam brigados entre si, desde os islamistas, nacionalistas, comunistas.

A vacinação em massa contra o Covid-19

Israel está em primeiro lugar do mundo na vacinação de sua população e pela terceira vez em quarentena. Mesmo assim, a cada dia aumenta o número de infectados. Se há alguns meses, mil pessoas por dia contraírem o coronavírus já era alarmante, nos últimos dois dias, cerca de 9.000 pessoas foram infectados a cada dia. A razão disso, é que muitos não obedecem as instruções governamentais. A desconfiança aumenta ao ver que certos segmentos da população desobedecem a ordem pública, sem punição.

O governo, quando iniciou o combate ao coronavírus, decretou que as deliberações do gabinete fossem mantidas em sigilo por 30 anos. As brigas entre os ministros só aumentaram a desconfiança da população. Ultimamente, quando se pergunta como é que Israel recebeu quantidade de vacinas e a possibilidade de vacinar todos antes de países maiores e mais potentes, parece que a resposta não está só nas condições de compra das vacinas, por um preço mais alto. O sistema da saúde pública de Israel é muito eficiente e bem distribuído pelo país. A população é relativamente pequena (menos de 10 milhões) e assim pode ser um “laboratório experimental” para qualquer empresa que queira ter resultados eficientes de remédio, que podem lhe valer bilhões de dólares. O governo se comprometeu a dar dados, sem revelar a identidade das pessoas, só as faixas etárias, descendência, sem ou com problemas de saúde, etc… e se tiveram e quais são os efeitos da vacinação.

O Primeiro Ministro, Netanyahu, que quer se reeleito e está sofrendo acusações e desgaste público, espera que até o dia das eleições (23.3.2021) a vacinação já tenha efeito positivo (como toda a população) e funcione eleitoralmente a seu favor.

Os especialistas em epidemias dizem que o COVID-19 tem muitas mutações. Até agora surgiram a inglesa, a sul africana e agora a brasileira. Ontem as autoridades israelenses avisaram que quem vier do Brasil ao país, terá que passar 14 dias em quarentena fechados em hotéis especiais, até serem liberados.

Enquanto isso, os cidadãos israelenses, judeus, árabes, seculares ou religiosos tem todos o mesmo tratamento, sem nenhuma diferenciação. Os difamadores alegam que Israel não vacina os palestinos. Mentira! Há diretores de hospitais árabes, médicos, enfermeiras e os árabes estão em todos os setores da vida israelense. Muitos não obedecem as instruções mesmo que sejam dos seus próprios deputados no Knesset, o mesmo acontece com alguns setores haredim. Quanto à Autoridade Palestina, Israel tem vacinas acima do necessário para a sua população e já avisou publicamente. Enquanto não vacina toda a sua população, que é evidentemente, sua preocupação primordial, não passará suas vacinas a outros lugares. A AP poderia comprar suas vacinas, já que quer ser estado próprio, ou pedir ao Bahrein, que tem suficiente dinheiro e pouca população. No inicio da vacinação, Bahrein antecipava Israel na primazia. Só que é mais fácil acusar o Estado de Israel do que fazer por si. Deviam aprender e implantar as palavras do velho sábio Hilel: “Se não eu por mim, quem por mim?”

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