Bennett dá carta branca às ações da polícia

O primeiro-ministro Naftali Bennett disse neste domingo, ao final de uma avaliação da situação das tensões e confrontos no Monte do Templo, que “as forças de segurança continuam a receber carta branca do escalão político para qualquer ação que dê segurança aos cidadãos israelenses”, mas acrescentou que está trabalhando para acalmar a região.

Bennett disse que um esforço deve ser feito para permitir que membros de todas as religiões comemorem seus feriados religiosos em Jerusalém, e ao mesmo tempo “continuar a lidar com desordeiros que violam a ordem pública”.

Ele acrescentou que instruiu a aumentar a segurança dos ônibus para o Muro das Lamentações e a Cidade Velha, bem como agir para impedir a distribuição de vídeos editados e notícias falsas que, segundo ele, pretendiam aquecer a área e atrapalhar o Ramadã. Ele ressaltou que “as forças de segurança estão preparadas para qualquer cenário”.

O rei Abdullah da Jordânia pediu a Israel, esta tarde, que respeite o status quo na mesquita de al-Aqsa e “pare com todas as medidas ilegítimas e provocativas que o violem e levem à escalada”. De acordo com um comunicado do Palácio Real, o rei instruiu seu governo a continuar seus esforços para conter a violência em Jerusalém.

Mais cedo, antes das observações do rei Abdullah, o Ministério do Exterior da Jordânia comentou que centenas de judeus se dirigiram ao Monte do Templo esta manhã. Segundo o ministério, “a Polícia de Israel não tem o direito de organizar visitas de não-muçulmanos” ao Monte do Templo, mas apenas o Waqf muçulmano (o Waqf é o órgão que controla e gerencia os atuais edifícios islâmicos em e ao redor do Monte do Templo na Cidade Velha de Jerusalém, incluindo o Mesquita Al-Aqsa e a Cúpula da Rocha).

A Jordânia também disse que “os passos de Israel, projetados para mudar o status quo no Monte, são uma escalada perigosa” e que “Israel tem total responsabilidade pelas consequências da escalada atual que colapsa os esforços investidos para trazer calma ao local”.

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O gabinete do presidente palestino Mahmoud Abbas também condenou a “agressão” israelense na montanha e pediu à administração norte-americana que intervenha na situação.

O Ministério do Exterior da Palestina também emitiu uma declaração de condenação afirmando que o objetivo de Israel é dividir a Mesquita de Al-Aqsa.

O porta-voz do Ministério do Exterior de Israel, Lior Hayat, respondeu à declaração palestina ao meio-dia, dizendo que “em vez de se acalmar, o Ministério do Exterior da Palestina escolheu se juntar aos extremistas na divulgação de ‘fake news’, com o objetivo de aumentar a violência”.

Hayat esclareceu que “Israel preserva a liberdade de religião e culto em Jerusalém, nos lugares sagrados das três religiões que celebram seus feriados durante este período”, observando que “qualquer tentativa de apresentar outra imagem falsa é um golpe para as organizações terroristas e criminosos palestinos.”

O Departamento de Estado dos EUA disse ontem que os Estados Unidos estão “profundamente preocupados com a violência em Jerusalém” e acrescentou que “pedem a todas as partes que exerçam moderação, se abstenham de declarações e ações provocativas e mantenham o status quo no Monte do Templo”.

Na terça-feira, os ministros do Exterior da França, Alemanha, Itália e Espanha emitiram um comunicado expressando preocupação com os confrontos no Monte do Templo. “Em tempos de celebrações religiosas, pedimos a ambos os lados que exerçam moderação e evitem a violência”, escreveram os ministros, acrescentando: “Estamos comprometidos em trabalhar por uma solução de dois Estados como base para alcançar a paz”.

Esta manhã, jovens palestinos atiraram pedras em ônibus que circulavam perto da Cidade Velha de Jerusalém, e sete dos passageiros ficaram levemente feridos.

No Monte do Templo, policiais entraram no complexo esta manhã para manter afastados os jovens que haviam recolhido pedras e colocado barreiras improvisadas na tentativa de impedir visitas ao local. De acordo com o comunicado da polícia, 18 pessoas foram presas, incluindo seis que teriam atirado pedras em policiais e transeuntes dos telhados de casas no bairro muçulmano.

Fonte: Haaretz
Foto: Policia de Israel (captura de tela – Facebook)

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