Benny Gantz, recruta político, sem autocontrole

Por David S. Moran

O líder do Kachol-Lavan, deputado Benny Gantz deu uma entrevista explosiva ao jornal saudita editado em Londres, Asharq Al Awsat e publicada na quinta (17). Talvez o homem mais humilhado na política israelense, finalmente captou que Netanyahu não cumprirá a promessa de lhe entregar o posto de Primeiro Ministro em Novembro de 2021. Tudo leva a crer que novas eleições serão realizadas, provavelmente em Março próximo e que seu partido Kachol Lavan sofrerá uma grande derrota. A entrevista ao jornal saudita foi feita em Tel Aviv, pelo seu correspondente em Israel, Nazir Majli, numa tentativa do Gantz para atrair eleitores da esquerda e sobreviver politicamente,

Aí vão alguns trechos da entrevista. O General (Res.) Benny Gantz, que de paraquedista foi escalando até chegar ao posto maior da área militar, tendo sido o Chefe do Estado Maior, entre 2011 e 2015, disse: “Servi o exército israelense por 38 anos e acreditem, os generais que viram e sentiram as atrocidades das guerras, querem acima de tudo conseguir a paz… não haverá paz sem os palestinos. Convido-os a juntar-se ao processo e não ficar para trás… os palestinos tem que apresentar novo e moderno diálogo e não estar trancados no antigo diálogo”. Acrescentou que “Jerusalém, a Capital do Estado de Israel, continuará unificada, mas há lugar para capital palestina. É uma cidade de grande extensão, cheia de lugares sagrados”. Ora, a grande maioria da população israelense declara que Jerusalém é a Capital eterna e histórica dos judeus. Não será dividida e nunca na história mundial, uma cidade serviu de Capital para dois Estados. Já em prévias negociações com o próprio Arafat foi sugerido que os palestinos estabeleçam sua capital em Abu Dis, um subúrbio árabe de Jerusalém, que eles não aceitaram.

Gantz continua: “os palestinos têm direito a entidade própria, pode ser um estado ou uma monarquia e que a chamem no nome que quiserem. Podem ter independência e capital que lhes darão a solução para todas as discórdias. Nós, os israelenses, queremos nos separar dos palestinos e queremos garantias para nossa segurança. Se a conseguirmos, a solução politica será fácil”. O absurdo nessas declarações é que o Abbas, tem 82 anos, sem entusiasmo e poder, e Gantz acha que ele lhe dará garantias que o mais vigoroso, Arafat não deu. Mesmo que desse, quem garantirá que a Hamas ou outra organização que surgir, não torpedeará o suposto acordo. Gantz disse que quer a paz, pois “durante meu serviço militar visitei todos os países árabes sigilosamente e quero visitá-los abertamente e de forma amigável e tranquila”.

Seguindo declarações jamais apresentadas por ele, Gantz continua: “O atual processo de paz com os países árabes é uma grande e real oportunidade e eu quero chegar a acordo com eles. Moro em Rosh Há’ain, junto à antiga fronteira de antes de 1967. Nossos vizinhos são Kafar Qassem e tenho amigos de Taybe. Nós nos encontramos e quero que assim seja também com os árabes de Nablus, Hebron e Ramallah…. nós necessitamos do Vale do Jordão para a nossa segurança, mas não necessariamente de 30% da área” (como foi proposto pelo Plano do Trump no “Acordo do Abraão”). “Somos contra a anexação e o próprio Primeiro Ministro, Netanyahu, congelou este plano, mesmo antes das exigências dos Emirados Árabes Unidos”. Estas palavras podem ser alfinetadas no Netanyahu que se diz da direita e desmentiu que abriu as mãos da anexação.

Continua com sua ingenuidade e sonho político ao dizer: “estamos indo para eleições antecipadas, que nós (eu e meu partido) não queremos. Podemos evitá-las se o Netanyahu entender que sofrerá nas eleições dura derrota”.

Mais uma vez, o General na área militar e recruta na área politica, Gantz, que já foi humilhado inúmeras vezes pela raposa política chamada Netanyahu, que o colocou numa irrelevância, não entende que ele mesmo devia acabar o jogo. Apesar de ser o Primeiro Ministro Suplente e Ministro da Defesa de Israel, Benny Gantz, não só não foi consultado, como Netanyahu nem lhe informou que escolheu o novo Diretor do Mossad (“soube do fato pela mídia”), da viagem secreta (que correu para revelar ao mundo) para a Arábia Saudita e das normalizações com os EAU, Bharein e outra ações diplomáticas e militares, o que em qualquer governo bem intencionado, seriam inaceitáveis.

É interessante notar que o seu companheiro e número 2 de chapa, o também ex-Chefe do Estado Maior, General Gabi Ashkenazi, atual Ministro do Exterior, calou-se durante todo o dia. Preferiu não se pronunciar a respeito das declarações do Gantz no jornal saudita Asharq AlAwsat. Ele já entendeu que não terá vez na politica, pois as pesquisas de opinião pública preveem que o Kachol Lavan, cairá dos atuais 16 deputados (dos 33 que obteve junto com o Yesh Atid)(*) para 6 ou, talvez, nem consiga o mínimo de votos para eleger 4 deputados e permanecer na Knesset.

A dissolução do Knesset pode ser evitada se a proposta for retirada antes do próximo dia 23 e ou se o governo trouxer um orçamento para 2020 (que já está terminando). Benny Gantz ainda não entendeu que as promessas que recebe são assinadas em gelo e não em cartório. Ontem mesmo foi divulgado que emissários a serviço do Netanyahu ofereceram a deputados do Kachol Lavan postos no governo se se desligarem do seu partido original. Netanyhau desmentiu o fato.

(*) Os partidos do Centro se uniram para formar o Kachol Lavan para “sanar a politica israelense da corrupção e não formar uma coalizão com Netanyahu”. De fato, receberam mais votos, talvez, do que esperavam e, sem eles, Netanyahu não poderia formar um novo governo. Yair Lapid, que já havia formado o Yesh Atid, cedeu o lugar do número um no novo partido ao Benny Gantz. Este num ato inexplicável até hoje, fez uma volta de 180 graus e, contrariando o prometido e traindo mais de 1,2 milhões de eleitores, juntou-se ao Netanyahu, dividindo o partido e ficando com 16 deputados.

One thought on “Benny Gantz, recruta político, sem autocontrole

  • 22 de dezembro de 2020 em 12:01
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    “o homem mais humilhado na política israelense”. Que colocacao mais ridicula! Gantz, assim como todos os demais generais pensam que apos serm generais podem ser politicos e geralmente metem os pes pelas maos. Assim este Gantz esta fazendoa mesma coisa. Para demostrar isso esta propria entrevista a um jornal arabe. Porque ele nao deu essa entrevista a um jornal de Israel? Porque ele sabe que nao vai mais enganar a ninguem aqui. Ele e a recebeu votacao apenas pela sua uniao com partidos de esquerda, como o de Lapid. Essa e a verdade aqui. Nao vao atras dos deturpados comentarios do esquerdista Moran.

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