Como o coronavírus muda Israel

Apesar de muitos cientistas advertirem, há poucos anos, da possibilidade da eclosão de uma pandemia, que se alastraria pelos quatro cantos do mundo, parece que poucos levaram esta advertência abstrata a sério. E, agora que veio, os estragos são incalculáveis. Evidentemente que todos lamentam pelas perdas humanas, mas os prejuízos econômicos e sociais são sem precedentes. O vírus chamado COVID-19 mudou o mundo, vários aspectos malignos e alguns bons.

Aqui em Israel há muitas transformações. Na quarta feira (25) o governo após muitas discussões baixou medidas mais severas. Entre elas:

Confinamento geral da população. É proibido aos cidadãos sair de casa, exceto para atividades essenciais. Comprar alimentos a distância limitada de casa, sair para tratamento médico, correr até no máximo 100 metros de casa, o mesmo levar para o cachorro passear. Nos lugares de trabalho, estará só o mínimo de requisitados, não há transporte coletivo, exceto para os que trabalham em lugares de emergência, sentados a distância um do outro. Os taxis podem transportar até três pessoas e só para serviços médico. Não há trens de passageiros, só de carga. A mobilidade é a mínima, para não dar vez ao Coronavírus. Festas ou outras aglomerações estão restritas ao máximo de 10 pessoas e aí também a distância de no mínimo dois metros um do outro. Foram dadas instruções de fechar todas as sinagogas, mesquitas e igrejas. Rezas são permitidas, ao ar livre com não mais de 10 participantes. Estarão abertas apenas repartições de primeira necessidade como lojas de alimentação, farmácias, restaurantes só para entregar comida paga pelos cartões de credito.

Nos últimos dias, o Primeiro Ministro Netanyahu, apareceu na TV mais vezes do que em todo seu longo mandato. Não para ser entrevistado. Só para passar sua comunicação à população. Geralmente sentados ao seu lado o Diretor Geral do Ministério da Saúde, Moshe Bar Siman Tov (economista) e o Ministro da Saúde, Yaakov Litzman, do partido ultra ortodoxo, Yahadut Hatorá.

Da esquerda à direita. Netanyahu, Siman Tov e Litzman

As mensagens eram com caras severas e ameaçadoras, para que todos levassem a sério as consequências, pois o Coronavírus estava se alastrando assustadoramente. Na quinta (26) à tarde já se somava em Israel 2666 que contraíram o vírus, 8 casos fatais e 39 em estado grave.

Com o confinamento obrigatório, o governo e naturalmente a população espera ver o número de pessoas doentes decrescerem. A isto se soma os intensivos trabalhos dos cientistas para descobrir vacinas anti o coronavírus. Ao mesmo tempo, Netanyahu incumbiu o chefe do Mossad (?) e o Diretor Geral do Ministério da Defesa montar QG que busque, urgentemente, no mundo todo e compre a aparelhagem necessária. A cada, dia aumentam a colheita de testes de laboratório, que agora somam cerca de 3.000 diários.

No geral a população, acatou e aceita as instruções. Só uma minoria de dois segmentos não age de acordo. Os ultraortodoxos (haredim) que mais seguem as instruções dos seus rabinos e continuam a fazer atos com muitos participantes. E em algumas regiões árabe-israelenses também desafiam as autoridades, não acatando as restrições.

Na foto, Netanyahu em cadeia de TV: “se não tomarmos medidas enérgicas, até o fim de abril, teremos um milhão pessoas que contraíram coronavírus e 10.000 mortos”

Antes de tomar as medidas drásticas, houve discussões entre as autoridades e, na vizinhança do gabinete do primeiro ministro, até ouviram-se gritos. De um lado estavam aqueles que queriam logo no inicio medidas mais enérgicas.Do outro lado, havia aqueles que não queriam parar a economia e tentar localizar os focos de corona e só agir ali. Havia aqueles, como o Litzman, que no começo queria excluir a não aglomeração em yeshivot, ou mesmo os “mikves femininos” (lugar de purificação das mulheres). Mas, os dados demonstraram que 29% dos doentes contraíram o vírus em sinagogas e yeshivot, 26% nos shopping e restaurantes, 15% em hotéis. Até um caso que aconteceu nos EUA, foi a contração da doença do grão-rabino, Aharon Teitelbaum, de 73 anos, líder dos ultraortodoxos da Satmar, anti Sionistas. Ele a contraiu do seu auxiliar direto, não escapou.

Os efeitos do coronavírus na sociedade.

A solidariedade. Dos aspectos positivos, este talvez seja o mais bonito. Com a crise econômica que veio com o coronavírus, muitos agricultores tiveram encomendas canceladas pelos hotéis e restaurantes e ficaram com frutas e verduras. Foram organizadas cadeias nos meios de comunicações para fazerem compras organizadas e salvar os agricultores e do outro lado comprar alimentos frescos e mais baratos do que nos supermercados. Alface que ficou no campo foi vendida a um shekel, só para colher, no lugar dos costumeiros cinco shekels.

Israelenses, principalmente jovens que excursionam pelo mundo depois do serviço militar, foram “resgatados” em esquadrões de aviões organizados para trazê-los de países longínquos, que fecharam suas fronteiras, como o Peru, a Índia e outros. Muitos israelenses que vivem no exterior correram às embaixadas pedir carteiras de identidade e “voltar para casa”.

Nos supermercados, todos compram os produtos ordenadamente, com luvas e máscara e na entrada as pessoas são contatadas. Se o número excede, tem que esperar. Para mais idosos, há supermercados abertos para maiores de 65 anos, das 7:30 as 9:30hs da manhã.

As estradas estão vazias, na rádio os locutores estão surpresos por não ter que relatar aonde tem congestionamento. Em dias normais, em todas as estradas do país.

Através das redes sociais formaram-se cadeias para aplaudir as equipes médicas, policiais. Também para afagar a solidão passam piadas, questões para resolver e passa tempo.

Rabinos permitem que na noite do Seder, que se aproxima (a Páscoa inicia-se na noite do dia 8 de abril), quando as famílias que se unem e fazem a ceia juntos, desta vez a façam por meio de videoconferência através do Zoom, a nova magia das telecomunicações. A perda de todos, é que este ano a troca de presentes ficará para uma data posterior, depois que a praga (desta vez não do Egito) passe.

As prefeituras se organizaram para o Estado de Emergência. Formaram grupos de voluntários que levam comida para as pessoas solitárias, ou mesmo telefonam a pessoas idosas, como sobreviventes do Holocausto, para que não se sintam tão só.

Desde os jardins de infância até as Universidades estão fechadas. O israelense dribla este isolamento ensinando através de redes especiais das escolas e até mesmo fazendo exames. Não podem colar.

O lado negativo é que além dos doentes e mortos, toda a sociedade é atingida. Agora estamos confinados e isolados. Depois, quando isto passar, muitos verão que seus lugares de trabalho faliram e não mais existem. Já nestes dias, o desemprego que era de 4% multiplicou em cinco para pouco mais de 20%.

Na Hagadá de Pessach dizemos que passamos pelo Faraó e chegamos à Terra Prometida, agora dizemos: “se passamos o Faraó, certamente passaremos e superaremos esta fase também”.

 

Eu e minha esposa já estávamos com um pé embarcando para festejar o aniversário da minha mãe, em São Paulo. Nossos filhos  pediram para não sair e no último segundo acatamos. Para minha surpresa, minha mãe aceitou muito bem e ela nos pediu para nos cuidarmos. Hoje é o aniversário dela e logo mais estremos juntos, graças ao bendito Skype. Deixo aqui minha mensagem!

 

À Dona Hana- Klara Markovits, em São Paulo

Parabéns pelo aniversário de 100 anos

A senhora passou por muitas lutas nestes 100 anos e venceu todas. Temos grande orgulho de ti.

Desejamos muito mais anos de vida, com Saúde, Felicidades, Alegrias e Nahat. Com muito amor de todos nos, seus filhos, netos e bisnetos. David e Zahava, Lia e Kobi, Evyatar, Raz, Yael e Yoav, Hadar e Vic, Dror – em Israel

Caio e Desiree, Daví, Bruno e Carlos, Tais – no Brasil

Dona Hana, ladeada pela nora Zahava e filho David, em São Paulo

Um comentário em “Como o coronavírus muda Israel

  • 27 de março de 2020 em 11:50
    Permalink

    Meu car anti religioso voce e o primeiro a nao cumprir a lei de reclusao indo p[ara Sao Paulo!! E fala mal dos religiosos, como sempre!! como dizer que os rabinos permitem o Seder por internet. Outra mentira! sao alguns “rabinos” reformistas que soltara esse absurdo! Entao se voce for nao volte tao cedo para nao infectar a nos que nao saimos de casa !!! Ou talvez nao devesse voltar mais !

    Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *