EUA em rota de colisão com Israel

Por David S. Moran

Ao contrário do governo Trump, a administração do presidente Biden, adota outra postura em relação a Israel. Evidentemente que os Estados Unidos são o maior e mais influente aliado do Estado de Israel.

A República Islâmica do Irã ameaça abertamente, dizendo que está na corrida para obter arma nuclear e que seu desejo é exterminar o Estado Sionista, isto é, o Estado de Israel. Mais claro do que isto não pode ser. O governo Trump decidiu, em 2018, ante as inúmeras violações dos acordos que estavam sendo costurados entre as seis potências e o Irã, retirar os EUA das negociações. Os outros países ocidentais, não o fizeram por motivos econômicos.

O governo Biden iniciou sua administração, em janeiro de 2021, já acenando ao Irã que está disposto a voltar e juntar-se a Inglaterra, França, Rússia, China e Alemanha para chegar a um acordo com o país dos aiatolás. Mesmo com o passar dos meses e as violações iranianas, Biden está começando a entender que qualquer acordo com o Irã sobre seu projeto nuclear não terá valor nenhum. Recentemente, as forças aéreas de Israel e dos EUA, treinaram juntas simulando um possível ataque aos reatores nucleares do Irã.

Ao mesmo tempo, foi vazado que o chefe da Divisão Político-Militar do Ministério da Defesa de Israel, General de Brigada (Ret.) Dror Shalom, que esteve na semana passada em Washington, teria dito a altas patentes americanas que os EUA erraram ao sair das negociações com o Irã. Postura totalmente contrária ao que acredita o governo israelense atual e o anterior.

No domingo (22/05), dois homens armados montados numa bicicleta encostaram no carro de Coronel Hasan Sayyad Khodai e com tiros certeiros o mataram. Quem estava com ele no carro, nada sofreu. Khodai, foi o vice-comandante das Forças Revolucionárias Al Quds e dirigia a Força 840, que planejava operações contra israelenses e judeus fora do Irã. Evidentemente, a culpa foi apontada para Israel, que não admitiu a ação. No entanto o jornal NYT publicou que fontes governamentais lhe teriam vazado que Israel informou os EUA que esta ação contra Khodai foi efetuada por Israel. O chairman do Comitê das Relações Exteriores e da Defesa, deputado Ran Ben Barak, do Yesh Atid e que foi vice-chefe do Mossad disse: “Pelo que sei, não confirmamos que fomos nós que o matamos, nem tomamos responsabilidade… nossas relações com os americanos são muito próximas e de muitas cooperações. A maioria é baseada na confiança e quando esta é rompida, isto é muito mal. Espero que os americanos investiguem esta informação”.

Na terça-feira (25) uma explosão sacudiu o centro nuclear de Forchin. A agência noticiosa do Irã informou que no “acidente industrial” morreu um engenheiro e mais duas pessoas foram feridas. Pelo menos neste caso, até agora, ninguém culpou Israel. O país, que leva a sério as advertências do Irã, faz de tudo para que não se chegue a este estágio, mesmo que tenha que agir só.

Yerushalaim, Capital de Israel

Desde o rei David, Jerusalém (Yerushalaim, nome em hebraico cujo significado é Cidade da Paz) foi a Capital de Israel. Lá foram construídos os dois Templos, para sua direção se viram os judeus de todo o mundo em suas preces e é mencionada na Bíblia cerca de 600 vezes. Em 1948, Israel não conseguiu conquistar da legião jordaniana a cidade velha, onde há vestígio do antigo Templo. Só em 1967, conseguiu reunificar a cidade e milhões de judeus puderam rezar junto ao Muro das Lamentações. Desde então, todo ano, nesta época (pelo calendário judaico, 28 do mês de Iyar, no calendário comum foi em 7 de junho), os judeus comemoram o Dia de Jerusalém. Saem numa passeata com bandeiras nacionais e entram pelo Portão de Damasco até o Muro das Lamentações.

Nos últimos anos os árabes protestam contra esta festa judaica. No ano passado, o Hamas de Gaza tentou lançar misseis contra Jerusalém e não o conseguii. Este ano, todas as agências de segurança do país (Shabak, Mossad, Tsahal, Policia, etc) foram unânimes na decisão de continuar a festa com bandeiras no trajeto de sempre. Tomaram as medidas necessárias, mesmo ante as ameaças das organizações terroristas Hamas, Jihad Islâmica e outras. Mais uma vez foi vazado ao New York Times, de que o governo americano teria pedido/exigido do governo israelense de mudar o percurso da parada.

Este é o mesmo governo que quer voltar atrás a decisão do governo americano de que Jerusalém unificada é a Capital do Estado de Israel e lá construiu sua Embaixada, que serve aos habitantes judeus e árabes. O governo Biden fez pressão sobre o governo israelense de permitir a reabertura do seu Consulado, na parte judaica da cidade, para servir só aos moradores árabes. Que são servidos na Embaixada com os judeus.

Biden está planejando visitar Israel e evidentemente visitar a Capital, Yerushalaim. Mas, também está planejando visitar a Mesquita de Al-Aqsa. Só que não quer que nesta parte da visita, seja acompanhado por israelenses. Mesmo tendo segurança própria é evidente que todos os visitantes estão acompanhados por seguranças locais. O que diriam se ele sofresse um atentado em Jerusalém. Deus nos livre.

A morte da jornalista Shireen

Outro conflito de interesses apareceu com a morte da jornalista palestina, Shireen Al Khateeb, da rede do Qatar, al Jazeera. Desta vez vazaram à rede CNN de que o governo americano acredita que Israel é a culpada pela morte da jornalista, que também tem cidadania americana. Fica a pergunta, se é assim, porque a Autoridade Palestina, não aceitou cooperação com Israel para investigar o caso. Israel pediu para estar presente na autopsia, enviar a bala que a matou para laboratório neutro, mas a AP recusou a tudo. Ninguém, até agora, sabe de que lado partiu a bala que a matou. O Comandante das Forças Armadas de Israel, Tenente-General, Aviv Kochavi, foi incisivo: “Investigamos todos os soldados que ali estiveram e posso afirmar que não foi nenhuma bala de arma do Tsahal, que matou a jornalista”.

Conclusão

Entre países amigos pode haver diferença de opiniões e nem sempre veem olho a olho a mesma coisa. No entanto, se o governo Biden quer aproximação com países islâmicos, mesmo extremistas (que é do seu direito), tem que continuar zelar pelos seus aliados. Mais do que isto, ele tem informações das ações iranianas contra interesses americanos na Arábia Saudita, nos EAU e até mesmo nas violações sobre o projeto nuclear iraniano. Se demonstrar fraqueza, isto atingirá seus aliados. Até há quatro meses ninguém podia acreditar que a Rússia invadisse a Ucrânia e de maneira tão desastrada e devastadora. Isto pode ocorrer com a China invadindo Taiwan, ou num ataque maciço iraniano contra Israel e ou outros aliados americanos. Do Irã, ou através de suas proxies. Todo cuidado é pouco.

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