Israel já vacina para eliminar o Covid-19

Por David S.Moran

O ano ruim de 2020 com o coronavírus chacoalhou o mundo e talvez tenha levado a humanidade a pensar que é melhor dar as mãos, unir-se e derrotar uma pandemia que ameaça, ou ameaçava, matar mais pessoas do que qualquer outra guerra. Mesmo assim, alguns líderes levaram o coronavírus mais a sério e outros menos. Quem não esperou muito e correu para tentar debelar este mal, foram as companhias farmaceutícas.

Numa rapidez sem igual, em poucos meses, parece que a primazia foi para a gigante americana, Pfizer, e para uma pequena firma, também americana, Moderna. A gigante inglesa, AstraZeneca, no encalço e também outras companhias da Rússia, China e o Instituto de Biologia de Ness Tziona, em Israel.

O governo israelense não mediu esforços e o Primeiro Ministro, Netanyahu, passou diretamente a contatar os diretores gerais das maiores farmacêuticas e fazer contratos futuros para as vacinas. Logo depois do anúncio de que a Pfizer e a Moderna tinham recebido a aprovação do FDA (Food and Drugs Administration), Israel já começou a receber as vacinas, embora não todas as que encomendou.

Nesta confusão toda no mundo, enquanto pessoas morriam do COVID-19, alguns obedeciam às instruções, outros não, quarentena sim, ou não, o vírus continuava se espalhando. O Estado de Israel começava a receber os containers de vacinas da Pfizer que têm que ser mantidas a temperatura de -700. É uma logística e tanto.

As autoridades do Ministério da Saúde entenderam que tinham que fazer a maior divulgação para que o povo fosse vacinar-se, quando iniciasse as operações de vacinar. O receio foi de que os dois segmentos que tiveram a maiot taxa de infecção por coronavírus, por não seguirem as instruções dadas à população e não manterem distância – os árabes-israelenses e os ultra-ortodoxos – não atendessem as orientações das autoridades de saúde. Neste momento as autoridades governamentais foram para rabinos, imãs e pessoas populares dos seus próprios meios, para que divulgassem que eles vão se vacinar e que a população tem que fazer o mesmo e ir lutar contra o coronavírus.

A população mais visada foi a da idade de 60 anos para cima; os menores de 16 anos não seriam vacinados. As pessoas das profissões de saúde (médicos, enfermeiras, etc.) teriam primazia. No domingo (20) iniciou-se a campanha de vacinação e a bagunça começou. Pediram que os maiores de 60 anos ligassem para as “Kupot Holim” (planos de saúde) e marcassem sua vacinação. A aceitação foi tão grande, que houve colapso nas centrais telefônicas.

Mas, para a alegria geral, em pouco menos de uma semana, parece que tudo foi acertado. O sistema israelense é um modelo para o sistema da saúde pública mundial e funciona mesmo. Isto ajudou. Se, no inicio, só podiam ser vacinados na sua região restrita, agora foi aberta a inscrição para uma região maior. Mesmo estando o país em quarentena, para fins de saúde a pessoa podia transitar.

Pelo telefone, minha esposa e eu fomos agendados para o dia 21 de fevereiro. Dois dias depois, contatamos pelo computador e recebemos para o dia 29 de dezembro.

 

Chegando ao local, estava tudo ordenado. Muitas pessoas sentadas e achamos que ia demorar. Não demorou nada. Elas estavam sentadas, após a vacinação, por 15 minutos, para ter certeza que não tem uma reação não desejada. Ao mesmo tempo, a pessoa vacinada já recebia o agendamento para depois de três semanas, para receber a segunda dose da vacina. Não necessariamente no mesmo local.

Tudo correu bem e aos poucos até a logística melhorou. As caixas das vacinas foram reduzidas para caixas menores, que dá para levar a localidades mais distantes e sem desperdiçar. Pelo fato que de cada frasco da vacina, dá para preparar 5 a 6 doses e mantê-lo só por 6 horas, podia-se dispersar muito remédio e muito dinheiro. Em certos lugares mais distantes, como em Dimona, quase no final do expediente sobraram, cerca de 200 frascos a serem jogados fora. Isto daria a mais de 1.000 doses. Um diretor local tomou a iniciativa e enviou pelo WhatsApp aos moradores da região, convidando os para tomar a vacina, mesmo que não estejam na prioridade etária. Ajudou muita gente e economizou aos cofres públicos.

Ainda há muitos setores que reclamam. A presidente do Sindicato dos Professores exige que os mestres sejam vacinados, as forças armadas também e assim por diante. Só que as autoridades receiam que não vai haver vacinas para todos, se as encomendadas não chegarem a tempo. Por isto, estão freando um pouco, para proteger aos que já foram vacinados e têm agendada a segunda dose para depois de três semanas. Senão de nada valeu terá valido a primeira dose.

A comunidade árabe -israelense parece que não está atendendo ao chamado, mesmo dos seus líderes religiosos, políticos ou artistas. O deputado, Dr. Ahmad Tibi, lhes fala em árabe. Perguntado a respeito, o Diretor do Centro Médico da Galileia, Prof. Masad Barhoum, disse: “a sociedade árabe ainda não concebeu que tem coronavírus. Eles não estão se vacinando em massa e quando as vacinas esgotarem e eles vão querer se vacinar, dirão que o Estado não os vacina”.

Israel está em primeiro lugar no mundo da vacinação, em relação à população. No País de quase 9,3 milhões de habitantes, cerca de 950 mil já foram vacinados. Mesmo assim, há ainda uma grande expansão da coronavírus no país. Um dos meios é a vacinação, mas esta tem que estar acompanhada por outras medidas: a da higiene, lavando as mãos, usando as máscaras e o distanciamento. Mas nem todos as cumprem: se um avião retorna dos EAU com 14 passageiros detectados, é uma irresponsabilidade. Os políticos ajudam nisso, O Prof. Rony Gamzu, escolhido para combater o COVID-19, muito desgostoso, acusou os políticos de não atender aos profissionais médicos e agirem pelos votos.

Nesta luta contra algo ainda desconhecido e que já tem variantes, como a mutação inglesa (e os especialistas profissionais avaliam que há muitas outras variantes), a luta para vencer o COVID-19, vai continuar por algum tempo e ao mesmo tempo, parece que nunca se achou uma vacina contra um vírus tão rapidamente como neste caso. A luz no fim do túnel já está se avistando. Talvez a vacina israelense dê mais um impulso nesta luta.

Abaixo o coronavírus. Bem vindo o ano de 2021, que seja de Saúde, Paz, Progresso e Felicidades.

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