Israel fará campanha para desacreditar inquérito da ONU

Israel estaria planejando uma campanha diplomática para desacreditar a comissão de inquérito das Nações Unidas criada para investigar supostos abusos de direitos humanos cometidos pelas FDI durante as hostilidades em Gaza em maio passado e o conflito em curso nos territórios palestinos.

Citando uma mensagem do Ministério do Exterior de Israel, o site de notícias Walla informou na quinta-feira que as autoridades israelenses estão preocupadas que o primeiro relatório da comissão, previsto para junho, se refira a Israel como um “estado de apartheid” e que suas conclusões possam prejudicar a reputação do país, particularmente entre o público liberal nos EUA e no Ocidente.

Em maio, quando a resolução do Conselho de Direitos Humanos da ONU (UNHRC) foi adotada para abrir a investigação em andamento sobre os incidentes em torno da guerra de Gaza, Israel argumentou que suas forças de segurança “agiram com os mais altos padrões éticos, de acordo com a lei internacional, na defesa de nossos cidadãos dos disparos indiscriminados de foguetes do Hamas”.

Israel disse que não cooperaria com a investigação e rejeitou a resolução, que apresentou como um exemplo da “flagrante obsessão anti-Israel” da ONU.

De acordo com a mensagem confidencial do ministério, enviada a diplomatas em todo o mundo, o principal objetivo da campanha planejada seria deslegitimar a comissão, seus membros e os resultados, e impedir ou atrasar ainda mais as decisões no futuro. A campanha diplomática deve ganhar força antes da reunião do UNHRC em março.

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A votação sobre o estabelecimento de uma comissão de inquérito ocorreu depois que Israel e o Hamas concordaram com um cessar-fogo bilateral e incondicional em 21 de maio, que encerrou 11 dias de combates. O inquérito fará uma investigação sobre os incidentes ocorridos antes e depois de 13 de abril de 2021 e incluirá os recentes confrontos com o Hamas. A comissão de inquérito emitirá relatórios ao Conselho de Direitos Humanos da ONU e à Assembleia Geral anualmente, em junho e setembro, respectivamente.

O inquérito da comissão da ONU foi criticado por ser incomumente amplo e aberto, inclusive por um grupo bipartidário de legisladores dos EUA, que nesta semana instou o governo Biden a pressionar por seu encerramento.

No passado, algumas investigações do UNHRC contra Israel foram desacreditadas, incluindo a missão de apuração de fatos sobre as operações militares do país durante a guerra de Gaza de 2008, presidida pelo juiz Richard Goldstone, que acabou, ele mesmo, se distanciando de algumas de suas conclusões.

Fonte: The Algemeiner
Foto: Canva

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