O fim das oportunidades para os palestinos

Por Deborah Srour Politis

Depois da normalização entre Israel e os Emirados Árabes Unidos, agora Bahrain, depois de receber o ok da Arábia Saudita, também anunciou seu acordo com Israel. O Sultanato de Omã parabenizou Bahrain e a especulação é que seja o próximo. Espera-se o mesmo da Arábia Saudita que já autorizou todos os voos originários de Israel a atravessarem seu espaço aéreo.

Mas o mais significativo é que estes acordos estão construindo um relacionamento verdadeiramente amigável. O Instituto Weizmann de Israel e o Instituto de Inteligência Artificial dos Emirados assinaram um memorando de cooperação e o hospital Sheba Tel Hashomer assinou uma joint venture com os Emirados e a Apex Internacional para promover uma série de soluções inovadoras de saúde em todo o Golfo Árabe.

Houveram alguns protestos locais. Uma dúzia de pessoas saiu em Bahrain em protesto ao acordo de normalização mas a vasta maioria do povo de Bahrain, que conta com uma antiga mas minúscula comunidade judaica, estava muito otimista e já planejando visitar o Estado judeu.

Mahmoud Abbas não deve ter pregado os olhos roxos nestes dias com todas estas noticias. A grande bofetada não veio destes países do Golfo, mas da Liga Árabe.

Durante uma sessão nesta semana, os palestinos submeteram uma resolução para que a Liga Árabe condenasse duramente os Emirados Árabes pelo seu acordo com Israel. Os chanceleres árabes se recusaram a endossar o projeto de resolução palestino.

E esta recusa está em concerto com o plano de vários outros estados árabes estabelecerem relações com Israel.

Um alto funcionário palestino, disse ao Jerusalem Post que “primeiro pensamos que os Emirados estavam sozinhos nos apunhalando pelas costas mas na quarta-feira vimos como vários outros países árabes traíram o povo palestino e a questão palestina. Este é um dia negro na história dos palestinos e dos árabes. ”

Abdulkhaleq Abdulla, professor de ciências políticas dos Emirados, comentando sobre o fracasso dos palestinos em convencer a Liga Árabe a condenar os Emirados, escreveu no Twitter: “A delegação palestina foi rejeitada na reunião da Liga Árabe, que derrubou um projeto de resolução palestino condenando o acordo de paz Emirados Árabes Unidos-Israel. Isso está acontecendo pela primeira vez na história da Liga Árabe devido à estupidez da liderança palestina corrupta.”

O projeto de resolução palestino foi rejeitado depois que vários países árabes, incluindo Emirados Árabes, Bahrein, Egito, Jordânia, Marrocos e Sudão se oporem à sua linguagem.

“Todo estado soberano tem o direito indiscutível de conduzir sua política externa da maneira que quiser, e isso é algo que a Liga Árabe respeita e endossa”, disse o secretário-geral Ahmad Aboul Gheit, durante a reunião.

Uma das primeiras autoridades palestinas a reagir à frieza dos países árabes aos palestinos foi Mohannad Aklouk, o enviado palestino à Liga Árabe. Ele escreveu no Facebook: “Com todo orgulho, a Palestina queria uma decisão dos chanceleres árabes que rejeita e condena a normalização dos Emirados [com Israel], evita o declínio árabe e preserva o legado da Liga Árabe. Mas a Palestina não foi capaz de impor isso, então o projeto de resolução ruiu. Temos dignidade, nossos mártires, prisioneiros e campos de refugiados gloriosos, e isso é o suficiente para nós”.

É, agora eles têm “gloriosos campos de refugiados”. Mas não é aonde Abbas e sua corriola moram.

O Comitê Executivo da OLP disse que “fracasso dos palestinos em obter o consentimento de todos os países árabes para condenar a decisão dos Emirados é extremamente perigoso” porque “constitui uma negação flagrante do povo palestino e de seus direitos” e acusou a Liga Árabe de “se aliar à ocupação contra o povo palestino”.

O que aconteceu durante a reunião da Liga Árabe foi mais uma indicação de que os países árabes não estão mais “defendendo e ajudando os palestinos em sua luta” contra Israel. E aí temos a verdade. O verdadeiro objetivo dos palestinos. Mahmoud Abbas aprendeu a falar com ambos os cantos da boca de seu líder e predecessor Yasser Arafat. Como presidente da Autoridade Palestina ele reafirma seu comprometimento com a paz. Mas como líder da OLP ele continua a fomentar o sonho de destruir Israel.

E da mesma forma que Yasser Arafat, Abbas rejeitou cada uma das propostas de paz de Israel e dos Estados Unidos. Foi-lhe oferecido quase toda a Judeia e Samaria, com trocas de terras em porções iguais, a retirada israelense dos bairros árabes de Jerusalém Oriental e um túnel até Gaza. Qualquer um teria aproveitado uma proposta desta para criar um estado. Mas, infelizmente, como seu antecessor, Abbas cumpriu a missão palestina de mais uma vez perder a oportunidade.

A tendência palestina de rejeitar oferta após oferta é uma indicação de que eles realmente não querem uma paz com Israel ou com seu povo. Pelo menos não em um futuro próximo.

E os árabes realizaram isso. E mostraram que perderam a paciência, que chegaram ao fim da linha com os palestinos.

O ciclo de rejeição palestina também mostrou o outro lado da moeda, o quanto Israel está investida no processo de paz. Israel tem trabalhado pela paz com seus vizinhos desde a sua criação. Eles assinaram um tratado de paz com o Egito em 1979, entregando toda a Península do Sinai; com a Jordânia em 1994, resolvendo questões de terra e água. E não vamos esquecer que foi Israel que ofereceu Gaza aos palestinos em troca da paz.

Então, por que a paz com os palestinos ainda não foi feita? Uma pesquisa de 2014 revelou uma tendência interessante. Naquele ano, 60% dos israelenses queriam renovar as negociações de paz, enquanto que 60% dos palestinos queriam “recuperar toda a Palestina do rio Jordão ao mar Mediterrâneo”, outra maneira de dizer que queriam a destruição de Israel.

Esta é a razão pela qual os palestinos nunca puderam assinar nem mesmo o melhor dos acordos de paz com Israel. Esses dados mostram a gravidade da situação, e por mais que os israelenses queiram construir um relacionamento duradouro, a maioria dos palestinos não ficará satisfeita. Um tratado de paz na mente dos palestinos é um sem Israel.

E isso não vai acontecer.

Simplesmente acabaram-se as oportunidades para os palestinos. E outra não aparecerá enquanto sua liderança continuar nas mãos dos terroristas. A paz será impossível com líderes que veem a democracia como um trem, do qual se pula quando se chega ao destino. Com a normalização das relações de Israel com outros países árabes, os palestinos devem se dar conta que o melhor é eles reconstruírem seus relacionamentos com os israelenses, melhorarem sua economia e aproveitarem a autonomia que Israel lhes permite. Se quiserem mesmo um estado, terão que construí-lo de baixo para cima e almejar a paz. Se não, se continuarem com seus mártires e gloriosos campos de refugiados nesta luta fútil, estarão sós contra Israel que estará sempre pronta a se defender.

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