Previsões do serviço de inteligência de Israel para 2023

Por David S. Moran

A cada ano, o Serviço de Inteligência (Agaf Hamodiin, AM”AN) do Exército de Defesa de Israel (EDI), apresenta às autoridades, as suas previsões para o ano. No mundo louco, onde nada é certo, tem que levar em conta todos os parâmetros e todas as informações. Analisar e arriscar que a previsão esteja certa e que o EDI esteja preparado para enfrentar os perigos que vem pela frente.

Segundo o Serviço de Inteligência, Israel tem vários desafios no ano de 2023, que influenciarão a situação de Israel. Eis um resumo condensado da previsão.

No âmbito global. Há instabilidade pela disputa entre os EUA e a China, que talvez até será intensificada. É um mundo bi polarizado e as duas potencias buscam hegemonia, mas a China não lidera o campo que teme a influência Ocidental. A China acompanha de perto o conflito russo-ucraniano e dependendo do resultado, eventualmente poderia fazer o mesmo com Taiwan. A chacina russa na Ucrânia influência a Europa e há países que estão temerosas deste acontecimento. Estão se armando, inclusive pedindo para entrar na OTAN.

O relatório aponta também para mudanças internas nos Estados Unidos, principalmente demográficas, que podem influenciar a política especial deste país com o Estado de Israel. A ala esquerdista no partido Democrata, junto com o BDS trabalham para deslegitimar Israel. Do lado da direita, há elementos antissemitas. Por fim, aprofunda-se o distanciamento de comunidades judaicas americanas do judaísmo e de Israel. As tendências globalistas, tem influência sobre o Oriente Médio. O Líbano, o Egito e a Jordânia sofrem de crise econômica e alimentar, sem precedente. O Egito depende dos grãos financiados pela Arábia Saudita e de bilhões de dólares que recebe de Qatar. A sugestão de AM”AN é de Israel ajudar a Jordânia e o Egito, exemplificando com projetos de dessalinização e de construir campos de captação solar. Assim poderá estabilizar os regimes destes países.

Irã. O relatório não se concentra só no problema nuclear, mas também na influência iraniana em outras áreas. O Irã está incentivando atos terroristas na Judeia e Samaria. É a principal financiadora das organizações terroristas Jihad Islâmica e Hamas. Seu desejo de estabelecer-se na Síria fracassou, mas continua tentando armar a Hizballah, com material bélico mais avançado e pontual, além de drones, como os vendidos à Rússia (na segunda-feira, dia 2, o aeroporto de Damasco e adjacências foi alvejado por caças e suas operações paralisadas). A Hizballah continuará a mexer na política interna do Líbano e evitará entrar em guerra.

Israel acompanha preocupado o estreitamento das relações entre o Irã e a Rússia, que aconteceu devido a guerra russo-ucraniana. O Irã tomou uma decisão estratégica e na hora H, cobrará da Rússia pela sua ajuda. Israel deve continuar e preservar suas boas relações com a Rússia, para que não se volte contra o país na ajuda à Hizballah ou ao acordo nuclear iraniano. Com respeito a este tópico, o Irã continuará desenvolver num processo lento, para não “quebrar os vidros”. Já, hoje, há avaliações de que o Irã é capaz de enriquecer o urânio de 60 para 90%, de um minuto para outro. É uma questão de decisão. Mesmo assim ainda levará mais dois anos até obter capacidade de montar a bomba num míssil e lança-lo. O Serviço de Inteligência avalia que isto só acontecerá se o Ocidente agir radicalmente contra o Irã. Israel tem que se preparar para uma tal eventualidade, para não ser pega de surpresa. Aliás, o Mossad crê que é necessária uma mão mais firme contra o Irã. AM”AN é de opinião que tem que chegar a um acordo.

Os palestinos. AM”AN os vê num conjunto de Judeia, Sumaria e Gaza e não separadamente como no passado. Assunto central é o dia após Mahmoud Abbas, que está com 87 anos. O Hamas, que controla a Faixa de Gaza, se apresenta como um governo e não como uma organização terrorista. Está trabalhando muito para ter sucesso na Judeia e Samaria também.

Todos na região falam com todos: Catar, Turquia, Egito. Israel também entra, pela primeira vez, neste dialogo. Israel é considerado no Oriente Médio, um país forte, equilibrado, com tecnologia, ciência e economia que podem resolver problemas no futuro, como o da ecologia e falta de água. Veem Israel como um país ambicioso, que não hesita em usar força.

Israel, no ano de 2023, se verá desafiada por mais ameaças e de mais áreas, primeiramente da Judeia e Samaria e do Irã. O comandante da área de Pesquisa do Serviço de Inteligência, General de Brigada, Amit Saar, vê nos jovens palestinos perigo, pois estes se organizam independentemente e não lhes importa nada, combatem a Autoridade Palestina, a Hamas e o Estado de Israel. Depois correm para contar sua história no Tik Tok.

Preocupação com a atitude brasileira com Israel

O Itamaraty, sob novo comando, exprime grande preocupação a “incursão” do ministro Itamar Ben-Gvir, na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, em 3 de janeiro de 2023. Entre outras a nota diz: “Brasil recupera uma postura equilibrada tradicional brasileira na região”, “o Brasil reitera o seu compromisso com a solução de dois Estados, com a Palestina e Israel convivendo em paz, em segurança e dentro de fronteiras mutuamente acordadas e internacionalmente reconhecidas”. Até aqui a nota.

Quero relembrar ao novo governo que o presidente Lula não foi, no passado, imparcial e equilibrado com respeito ao conflito palestino com Israel. Ele veio a Israel, Palestina e Jordânia em outubro de 2010. Na ocasião preferiu viajar e prestar homenagem no tumulo do Arafat em Ramallah e não quis colocar flores no tumulo do fundador do Sionismo moderno, Herzl, em Jerusalém. Dá para entender a preocupação do governo brasileiro, de muitos países, da ida do Ben-Gvir ao “har Habait”, que em hebraico significa o Monte do Templo. Não foi nenhuma incursão, como diz a nota do Itamaraty. Por incursão, entende se invasão e ali não houve invasão nenhuma. O Monte do Templo e o Muro das Lamentações, que remanesceu desde a construção do Templo, muito antes da criação do islão, é o lugar mais sagrado para os judeus. Para este lugar, judeus do mundo todo se dirigem nas suas rezas. Só para o conhecimento do Ministro do Exterior brasileiro, há acerto entre as autoridades israelenses e o Wakf muçulmano que judeus podem ir à Esplanada das Mesquitas. O local devia ser o mais pacífico do mundo, mas quando um lado ou outro quer arrumar encrenca arruma. O recém-empossado Ministro da Segurança Nacional, foi lá propositadamente. Seus 13 minutos de visita repercutiram mal e Israel paga caro por isto.

Para finalizar brevemente. A nota do Itamaraty é a favor da solução de dois Estados. Mas os palestinos não o querem. Eles querem criar um estado “min alnahr ilaa al bahr”, em árabe, do Rio (Jordão) até o mar (Mediterrâneo). Como eu sei? Basta ver o cartão da capa do “Monitor do Oriente Médio”, publicação de Londres ao mundo em vários idiomas. O mapa coberto com a bandeira palestina é o de Israel com o da Autoridade Palestina. Mas, se isto não é suficiente, olhe as publicações oficiais da AP que são o mesmo mapa. Arafat recusou ofertas de paz e mesmo quando o premier Olmert foi mais generoso, Mahmud Abbas recusou.

Os palestinos querem apagar a história judaica desta região e a distorcem o tempo todo. Na mesma revista (Monitor), de 26.12.2022, um Lucas Siqueira escreve sobre 100 milhões de pessoas que formam o maior presépio vivo da história. Refugiados do mundo todo. Evidentemente, não pode relatar a realidade sem distorcer a história. Escreve que “Jesus, Maria e José, eles são mais uma família de refugiados palestinos. (???). Eles eram uma família judia que vivia na sua terra ancestral, Eretz Israel. Escavações arqueológicas acham vestígios judaicos na região. Nenhuma lembrança palestina do passado foi achada. Por isso, os palestinos tentam destruir e apagar lugares escavados por arqueólogos com achados judaicos.

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