Quarta campanha pelo poder

Por David S. Moran

Pela quarta vez em menos de dois anos, os israelenses estarão indo às urnas, votar pelo seu partido preferido. Todas as campanhas são acirradas, pois cada líder quer se tornar o político que conseguirá formar o próximo governo.

Sempre houve disputas ideológicas, com mais ou menos violências, nunca com tanta desunião. Talvez, pela pandemia, que agitou o mundo, ou também pelo gosto do poder e não querer deixar este privilégio.

Quarto título de eleitor, em dois anos

As eleições parlamentares serão realizadas no dia 23 de Março, pela quarta vez e o custo é enorme. Não só o financeiro, mas também as humilhações de outrora heróis nacionais, só pelo fato de serem rivais políticos. De tão acirrada a luta pelo poder, o atual primeiro ministro, Benjamin Netanyahu, que sabia como dividir adversários para poder manter-se no poder, agora, depois de sentir sua cadeira tremer um pouco, continua com mais vigor e inventando novos métodos.

Desde a eclosão do COVID-19, Netanyahu com graves suspeitas de corrupção, fraude e quebra de confiança, faz de tudo para fugir da justiça, com os métodos mais originais. Nomeia homens de confiança para lhe proteger e quando não lhe satisfazem, lhes ataca. O Likud, com cerca de 25% do eleitorado israelense, é o maior partido do país.

Netanyahu, com suas manobras, conseguiu afugentar pessoas que o serviram e que agora se tornaram seus rivais. O líder do Israel Beiteinu é Avigdor Liberman. O líder do Tikva Hadasha é Gideon Saar, um dos mais populares deputados do Likud e que serviu em vários ministérios. Saar, que conhece bem o Netanyahu, pede aos eleitores não votarem nele, se querem o Netnyahu. O líder do Partido Yemina, Naftali Benett, que nas últimas eleições, quase desapareceu da cena política, estava subindo nas pesquisas. O Betzalel Smutrich, que se juntou ao Benett, para terem um partido direitista religioso, foi convencido pelo Netanyahu a separar-se do Benett e juntar-se ao Itamar Bem Gvir, antigo discípulo do líder extremista Kahana. Todos levantaram as sobrancelhas ante esta manobra. Quando Kahana foi eleito para o Knesset e subia à tribuna, os líderes do Likud, deixavam o plenário. Inimaginável.

Netanyahu também conseguiu dividir a Lista Árabe Unida e justamente com o parlamentar Mansour Abbas, do partido islamista, que representa a Irmandade Muçulmana. O Dr. Abbas, disse que se aproxima do Netanyahu para ter privilégios para seus eleitores árabes, como o fazem outros partidos. Ele acredita que assim representará melhor seu público.

Esta divisão entre a população israelense não se restringe a uma ou outra comunidade, atinge todas. O Yesh Atid (Há Futuro), do Yair Lapid, já estava se fortalecendo e conseguiu nas eleições passadas unir o Kachol Lavan do Beny Gantz e Gabi Ashkenazi e mais um ex-Comandante das Forças Armadas de Israel, Moshe (Bugui) Yaalon, que disseram em voz alta e contundente: “não nos juntaremos ao Netanyahu”. Na hora H, Lapid e Bugui, mantiveram a palavra. Gantz e Ashkenazi juntaram-se ao governo do Netanyahu e dele sofreram as maiores humilhações. Quem se comprometeu ao acordo é o líder do partido religioso Shas e atual Ministro do Interior, Arie Deri, que não manteve a palavra.

O Primeiro Ministro Netanyahu, duas semanas antes das eleições, quebra os protocolos. Aproveitando o prestígio mundial da “startup nation” e da vacinação da sua população , agendou encontros com líderes de países europeus – Áustria, Dinamarca, Hungria e Republica Checa – além da delegação brasileira, encabeçada pelo Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo e pelo Deputado Eduardo Bolsonaro.

Os possíveis pontos altos seriam mostrar as boas relações com a Jordânia, com a visita na quarta (10) do príncipe Hussein Bin Abdallah, atravessando a ponte Allenby para rezar na Mesquita de Al Aksa, em Jerusalém. Na quinta (11), um rápido encontro com o Sheik Mohammad Bin Zayd (MBZ), regente dos EAU,no aeroporto em Abu Dhabi e em seguida retornar a Jerusalém para encontrar a delegação húngara e checa. Deu tudo errado.

Na quarta, o Canal 11 da TV israelense informou que houve desentendimento entre os seguranças israelenses e os jordanianos. Quando o principe herdeiro já estava perto da Ponte sobre o Rio Jordão (a menos de uma hora de Amã) foi informado e a caravana deu meia volta. O troco veio no dia seguinte. O Ministro do Exterior jordaniano acusou Israel de não cumprir os entendimentos da segurança. Acerescentou que Israel não é a soberana no Monte do Templo e só o Wakf (autoridade religiosa muçulmana) tem autoridade no local. As relações entre os dois países, são frias. O reinado precisa de Israel para sua própria segurança. Pode se dizer que as relações só são na área da segurança e Israel que lhes fornece (bem como ao Egito) gás mais barato do que os israelenses pagam.

Na manhã da quinta-feira(11), a população ouviu que a Sra. Netanyahu teve ataque de apendicite e foi transferida ao Hospital Hadassa. Seu esposo a acompanhou e ficou ao seu lado e havia dúvidas se viajaria. Horas depois foi desvendado o mistério. A repersália jordaniana não tardou. Netanyahu que havia enviado o Yossi Cohen, chefe do Mossad para organizar a viagem, já que o MBZ queria adiá-la, conseguiu convencer o regente dos EAU. O dedo do destino veio pelo conflito com a Jordânia, não pela senhora Netanyahu. A represália da Jordânia veio na forma de não permitir o voo do Primeiro Ministro e comitiva para o Golfo Persico no seu espaço aéreo, que lhe economizaria algumas horas.

Isto demonstra mais uma vez a vulnerabilidade das relações entre o Estado Judeu e os países árabes. Dizem que a união faz a força. Atualmente, Israel está muito dividido e isto pode nos custar muito.

Foto: Rakoon (Wikimedia Commons). Outdoor para eleições em Israel, abril de 2019

One thought on “Quarta campanha pelo poder

  • 16 de março de 2021 em 18:45
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    E vai continuar dividido enquanto pessoas esquerdistas e que sempre distorcem os fatos continuarem mal informar e espalhar mentiras odiosas e tendenciosas!! Como voce fez neste artigo!! A verdade e que voces esquerdistas nao conseguem a 11 anos ganham uma eleicao e tentam por meios desonestos (como acusacoes sem nenhuma prova) derrubar o Netanyahu. Interessante sempre ele ganha as eleicoes. Porque? Porque o povo nao e burro e nao se deixa enganar com as mentiras de voces! E desta vez nao sera diferente, o Likud vai ganhar e voces voa chamar de novo o povo de burro! A realidade e que para enfrentar este mundo antissemita e as amecas do Ira, Siria, Hizbolla, Hamas, etc. o unico preparado para isso e o Netanyahu e a maioria sabe disso. Alem do que denegrir nomes de direita, como Ben Gvir e Smotrich, nao ajuda a voces em nada como voce esta fazendo neste artigo pasquinoso. Outra mentira deslava e o acontecimwento com a Jordania: eles quebraram o protocolo vindo com uma escolta alem do permitido e na tentativa de passar assim nao foi permitido pela seguranca interna israelense entao eles decidiram ir-se como crianca ofendida. E voce deturpa ate isso!! Que vergonha!!! Estou enojado de ler este sujeito!! O problema que com essas mentiras polue a comunidade brasileira em Israel!! Ate quando vai esta Revista tolerar isso!!???

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