Reflexões sobre vacinação, eleição e mais

Por David S. Moran

A boa notícia é que a vacina da Pfizer, utilizada em Israel, está alcançando bons resultados. Um novo estudo sorológico, conduzido pela Profª Guili Reguev-Yochay, Diretora da Unidade de Prevenção e Controle de Infecção do Hospital Sheba, no subúrbio de Tel Aviv, indica que 98% das pessoas que tomaram a segunda dose da vacina contra o coronavírus, desenvolveram níveis altos de antivírus contra o COVID-19, na proporção de 6 a 28 e mais vezes. Este antivírus é até maior do que de pessoas que estavam doentes em estado grave e se recuperaram. Segundo Reguev-Yochay, “os resultados são iguais aos da Pfizer e até acima das expectativas”.

Posso atestar que há pessoas que sentem leve fraqueza após a vacina, mas minha esposa e eu nada sentimos e a vida continua. Na polêmica entram dois segmentos da população que quebram as regras. Os árabes-israelenses tiveram receio de atender as instruções governamentais e continuaram nos encontros de multidões. Resultado, em dezembro 40% dos mortos de coronavírus em Israel foi de árabes-israelenses. Agora estão atendendo as instruções e têm grande queda no número de doentes e mortos.

Boa parte dos ultra-ortodoxos segue desafiando as normas do Governo, mas já há os que também se rebelam contra a minoria que prejudica a todos. Nesses dias foi divulgado que, agora, 40% dos que contraíram o COVID-19 são haredim. É uma época incrível, em que um Primeiro Ministro do Likud, partido da direita, curva-se ante os ultra-ortodoxos, telefona ao rabino Kanievsky, que dá as ordens. Seu neto Yanki atende e diz ao Netanyahu “vou lhe retornar a ligação”. A política se sobrepõe a vidas humanas.

Yehuda Meshi-Zahav, haredi, fundador da Organização Zaka, que ajuda os necessitados em toda parte, falou contra a atitude dos líderes ultra-ortodoxos, que causam muitas mortes. Seu irmão e mãe faleceram em um mês de coronavírus. Mesmo quando há quarentena, eles continuam os estudos nas escolas, casamentos com centenas de pessoas e impedem intervenção da policia.

Os deputados haredim temem se manifestar para não perder sua força dentro da comunidade. O deputado Gafni, do Yahadut Hatorá, se pronunciou e pediu para evitar encontros e ir se vacinar.

Enquanto o combate à pandemia continua, há os que aproveitaram as viagens ao exterior para passear nos Emirados ou na Turquia e voltaram importando corona e mutações do mesmo. O governo, que não queria fechar locais com alto índice de Covid-19 por razões políticas e não fechou os aeroportos após adotar essas medidas, pelo mesmo motivo, declarou quarentena de duas semanas. No último instante, acrescentou mais uma semana e agora decretou até o fim do mês. Queria aproveitar o fim da pandemia e utilizá-la para fins políticos. Como isto não vem a tempo, já lança declarações indiretas, para adiar as eleições.

Acusações de que Israel discrimina os palestinos na vacinação

Os antissemitas aproveitam cada ocasião para acusar o Estado de Israel de ser racista e praticar “apartheid”. Primeiro, quem melhor sabe a verdade são os próprios palestinos. Israel que envia especialistas para salvar vidas em todos os cantos do mundo, mesmo em países muçulmanos, não deixa de fazê-lo com os palestinos. A deputada americana-palestina Rashida Tlaib, ferrenha anti-israelense, acusa Israel de não vacinar sua avó, na região da Autoridade Palestina.

Israel tem interesse de que todos na região sejam vacinados, inclusive os palestinos, para conter e dominar o vírus. Por outro lado, a liderança da Autoridade Palestina é a responsável por tudo na região controlada por ela, inclusive onde vive a avó da deputada democrata de Michigan, Rashida Tlaib. Esta liderança pediu sigilosamente a Israel 100 vacinas para seus líderes, o povo fica para depois. Mesmo o presente da Rússia deu 5.000 doses de vacina para a AP, que não chegaram por razões de logística palestina. Israel autorizou a entrega que chegaria num voo Moscou-Amã e transportado para Ramallah. Duas vezes os palestinos adiaram.

Na parte sul, na Faixa de Gaza, controlada pela organização terrorista Hamas, só nesta semana foram lançadas duas vezes mísseis em direção a Israel. A organização que vive exigindo e nem alivia a dor de pais e parentes de dois soldados israelenses mortos em combate há seis anos, recusa devolver os restos mortais do oficial e do soldado. Os pais do tenente Hadar Goldin acusam o Netanyahu de fornecer à Hamas material de primeira necessidade e agora parece que lhes vão entregar vacinas anti coronavírus sem pressionar a devolução dos restos mortais dos soldados que lutaram e morreram sob suas ordens. Hamas não tem compaixão, nem humanismo e quem a critica?

Eleições gerais serão adiadas novamente?

Mesmo nesta crise de pandemia, econômica e política, nada é definido. O país segue há dois anos sem orçamento e com partidos se dividindo, preferindo o bem pessoal ao da população. O primeiro ministro Netanyahu estipulou um objetivo, segundo o jornal e seu porta voz, Israel Hayom. Esta meta seria formar o “bloco da direita” para formar o próximo governo. Na última pesquisa publicada no início da semana no Canal 12, há um avanço do Likud, para 30 deputados e queda do dissidente Gideon Saar e seu partido Nova Esperança para 15 deputados (há um mês estavam a 27 contra 21), Yesh Atid, do Lapid, com 14, seguido pelo Yemina do Benett-13 e depois a Lista Árabe Unida com 10. Os partidos haredim estão com Shas e Yahadut Hatorá- 8 mandatos, cada, Israel Beiteinu- 7, Meretz (esquerda)-6 e Kachol Lavan, liderado pelo ex-futuro Primeiro Ministro, Gantz, ressurgindo com cinco mandatos, após quase sumir do mapa politico.

O absurdo é que Netanyahu acusou os seus adversários de querer formar governo com os árabes e que ele não formaria governo com partidos não sionistas. Mas, enquanto luta para fugir do tribunal, ele quer sua sobrevivência politica, formando o “bloco da direita”. Este seria integrado pelo Likud, os partidos ultra-ortodoxos Yahadut Hatorá e Shas, que não são sionistas .O falecido líder do Shas, o Grão Rabino Ovadia Yossef, se declarou a favor de devolução de territórios pela paz. Se incorporasse o Yemina, do seu adversário Benett, obteria 59 mandatos, dos 61 necessários. Seu desafeto do Likud, Gideon Saar declarou que não estará em nenhum governo do Netanyahu. Benett, outro outrora próximo do Netanyahu, critica-o, mas não deu esta declaração. De qualquer jeito, nada está definido e muita correria e politicagem serão feitas até os dias 3 e 4 de fevereiro, data limite para apresentar as listas dos partidos e seus candidatos.

No dia 23 de março os israelenses irão às urnas e todos torcerão para obter o melhor resultado para o país. O próximo governo terá muitos desafios. O de combater e dominar o coronavírus, o de afastar o perigo iraniano, o de enfrentar possíveis pressões externas do novo governo americano, dos novos e velhos governos europeus e do velho governo russo. Sem mencionar o problema econômico.

Foto: Amir Appel (Flickr)

2 thoughts on “Reflexões sobre vacinação, eleição e mais

  • 22 de janeiro de 2021 em 15:06
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    Quante mentira!!! E toda contra os religiosos e seus rabinos! Nao e de estranhar que esse sujeito continue a vomitar seu odio contra os religiosos ja que ele mesmo se declara sempre o “dono da verdade”. E uma lastima que esse unica revista brasileira deturpe tanto este UNICO PAIS JUDEU do Mundo. Moran poderia explicar seu odio contra ods religiosos? Claro que com unumeras mentiras como e tradicinal de esquerda israelense.. nao apresenta solucoes!! So destroi!!

  • 23 de janeiro de 2021 em 21:11
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    Ao contrário do que diz o/a leitor/a, (que tem vergonha de se identificar), não sou “o dono da verdade”. Cada um tem o direito de se expressar. Não é de estranhar que parte dos haredim (que infelizmente prejudicam a todos), não aceitam as normas do país em que vivem. Aproveitam-se em Israel, de pressionar o govêrno, atender uma minoria. De onde tirou que sou de esquerda, pois o Benett, Saar, Lieberman, Beni Begin, Limor Livnat e outros o são, segundo os Bibistas. Aonde está escrito “Picuach nefesh doché hakol”. Quem escreve contra mim, talvez não ouviu o ataque do HAREDI, Yehuda Meshi Zahav, que perdeu em um mês, sua mãe, irmão e ontem o pai, que pegaram o coronavírus e acusou os rabinos. Pena que uma pessoa que não me conhece escreve com tanto desprezo, pois para essa pessoa, não existe “veahavta lereecha kamocha”. Shavua tov com saúde,

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