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Surto de sarampo, onda de antissemitismo

O prefeito de Nova York Bill de Blasio declarou estado de emergência de saúde pública em alguns bairros do distrito do Brooklyn por causa de um surto de sarampo que atingiu, até agora, 285 pessoas, especialmente nas comunidades judaicas ortodoxas do Brooklyn. As autoridades sanitárias não estão conseguindo controlar o avanço da doença. Quem ainda não for vacinado e se recusar a fazê-lo ou a dar a vacina aos seus filhos pode receber uma multa de até US$ 1 mil. Além disso, escolas e creches que permitam a presença de alunos não vacinados também podem ser fechadas.

Segundo as autoridades, o paciente que causou o surto no Brooklyn foi uma criança não vacinada que visitou Israel, voltou doente e contaminou outras pessoas.

A religião judaica não condena as vacinas, mas grupos dentro da comunidade ultra-ortodoxa acham que as imunizações são perigosas. Médicos dizem que já viram panfletos anônimos condenando vacinas circulando pelos bairros atingidos pelo surto.

Embora a lei de Nova York obrigue todos os alunos, do pré-primário à universidade, a ter a vacinação em dia, os pais podem alegar objeções religiosas à regra. Escolas religiosas como as das comunidades judaicas ortodoxas, são bastante flexíveis com a vacinação de seus alunos. Segundo registros municipais, as yeshivás do Brooklyn têm cerca de 1,2 mil alunos não vacinados. Por mais que a prefeitura de Nova York faça campanhas repetidas de informação e ameace fechar as yeshivás que permitirem alunos não vacinados, os esforços ainda não tiveram o efeito esperado.

Também existe a preocupação que o surto, tão concentrado em um grupo específico da comunidade judaica, traga uma onda de antissemitismo.

 

Por outro lado, mesmo os ultra-ortodoxos que concordam com a vacinação e entendem o risco do surto de sarampo não estão felizes com a intrusão do Estado em suas comunidades. Mas as autoridades não veem alternativa, já que, na semana que vem, começa a Páscoa judaica, um feriado em que muitas famílias não só comemoram juntas, como viajam para fora da cidade, o que pode fazer o vírus se espalhar ainda mais. Os residentes não judeus da região comentaram que começaram a limpar os assentos do transporte público antes de utilizá-los ou trocar de calçada quando cruzam pela rua com um judeu ultra-ortodoxo, facilmente identificável por suas roupas. “Eles fizeram isto a si mesmos”, disse uma funcionária de uma das lojas da área, que relatou ter visto alguns dos seus clientes fugirem quando viram um membro desta comunidade tossindo a seu lado.

Fonte: g1.globo.com/ciencia-e-saude

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