Vaticano abre arquivos secretos de Pio XII

Um fato histórico e significativo em relação ao registro histórico do papel do Vaticano nos tempos da Segunda Guerra Mundial e, especialmente, do Holocausto, ocorrerá a partir de amanhã, 2 de março de 2020. Nesse dia, e conforme anunciado pela Santa Sé, será concedido acesso a 16 milhões de documentos que os acadêmicos terão a disposição para conhecer direta e em primeira mão o pensamento e a ação de Pio XII no tempo da Shoá.

O pontificado de Pio XII é criticado por ter se silenciado diante do Holocausto. Alguns judeus acusaram Pio XII, cujo pontificado foi de 1939 a 1958, de fechar os olhos ao Holocausto. O objetivo da abertura dos arquivos é rebater a acusação de que Pio XII não levantou a voz contra o nazismo durante a Segunda Guerra Mundial, algo sempre negado pelo Vaticano. O Vaticano disse que Pio trabalhou silenciosamente nos bastidores para salvar os judeus e não piorar a situação, inclusive trabalhando para os católicos em partes da Europa ocupada pelos nazistas.

Para a data indicada, os Arquivos Apostólicos do Vaticano organizaram um dia de estudo no Instituto Patrístico Augustinianum. Será uma oportunidade de apresentar o trabalho de preparação dos arquivos que antecederam a inauguração, os recursos documentais disponíveis e os possíveis canais de pesquisa. Nesta ocasião, os arquivistas dos Arquivos do Vaticano, e também de outros arquivos da Santa Sé, apresentarão seus trabalhos e a possibilidade oferecida por esses documentos em relação a novas investigações.

Este é um trabalho que exigiu cerca de 14 anos para sua preparação e foi catalogado em dezenas de milhares de caixas, principalmente dos arquivos secretos do Vaticano. Portanto, ao fazer o anúncio pela rádio do Vaticano, o bispo Segio Pagano, prefeito do Arquivo Apostólico do Vaticano, disse que a espera é compreensível porque o pontificado do Papa Pacelli é muito relevante e crucial.

Pagano acrescentou que esse fato “vem em um momento da história da humanidade, infelizmente devastado e ensanguentado pelo último conflito mundial, mas também por tudo o que aconteceu nesse conflito e imediatamente após sua conclusão. Obviamente, o tema dramático do Holocausto imediatamente vem à mente e, portanto, os judeus esperam muitas revelações dessa abertura.

Existem muitos documentos que contêm os agradecimentos do povo judeu. E falo, obviamente, de judeus não batizados, que permanecem em sua fé, que agradecem ao Papa Pacelli pela ajuda prestada. Existem inúmeros testemunhos de ajuda por simples cristãos, bem como por institutos religiosos e pelos próprios bispos, para salvar os judeus tão cruelmente perseguidos.

Naturalmente, também existem vozes dissonantes sobre esse aspecto, mas, nesse sentido, os novos documentos também fornecerão uma explicação nova e mais detalhada. Conhecemos a história desse povo perseguido e do Holocausto e, portanto, entendemos muito bem que os judeus esperam tanto desses documentos que agora estão acessíveis. O importante, na minha opinião, é que o estudo desses documentos, como os demais, seja feito de maneira justa, objetiva, científica e histórica.”

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