Alemanha retornará ao alfabeto fonético da era pré-nazista

Nem mesmo palavras foram poupadas do ódio de Hitler pelos judeus. Em 1934, os nazistas decidiram apagar qualquer alusão a nomes judaicos até mesmo no alfabeto fonético, conhecido como alfabeto da aviação ou da OTAN.

Este alfabeto é compreendido mundialmente em todas as línguas, usa um conjunto específico de nomes e termos para representar as letras. Por exemplo, A = Alpha, B = Bravo, C = Charlie e assim por diante.

Mas esta não é a única versão de um alfabeto fonético que existe, pois a primeira versão alemã data da lista telefônica de Berlim de 1890, na qual cada letra tinha um número atribuído. Em 1905, os números foram substituídos por nomes. Enquanto apenas cinco mudanças foram feitas nos anos da República de Weimar (Paul tornou-se Paula em 1926 e Isidor tornou-se Ida), mudanças mais drásticas foram feitas durante a Alemanha nazista.

Com base em seu antissemitismo e para erradicar toda a cultura e conotação judaica da Alemanha, os nazistas decidiram se livrar dos nomes desse alfabeto que eram considerados derivados do hebraico.

No total, 14 nomes foram alterados. Alguns dos nomes judaicos removidos foram “Jacob” para a letra “J”; “Samuel” para o “S”; “David” para o “D”; “Albert” para o “A”; e “Zacarías” para “Z”, que passaram a ser “Julio”, “Siegfried”, “Dora”, “Antón” e “Zepelín” respectivamente.

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O nome Nathan foi alterado para Nordpol – Pólo Norte – que representava a raça master ariana, de acordo com DW.

Ypsilon – a palavra alemã para a letra “Y” – foi alterada para Ypres, famosa por ser a batalha em que os alemães usaram gás venenoso pela primeira vez na Primeira Guerra Mundial. Após a Segunda Guerra Mundial, Ypres foi alterado de volta para Ypsilon, mas Nordpol ainda é usado no alfabeto alemão hoje.

Michael Blume, encarregado da luta contra o antissemitismo no estado de Baden-Württemberg, contatou o Instituto Alemão de Normalização (DIN), responsável por atualizar o alfabeto, e solicitou a retirada das mudanças da era nazista. Isso foi feito com o apoio do Conselho Central dos Judeus da Alemanha. Em resposta, o DIN concordou em criar novos termos para o alfabeto.

O presidente do Conselho Central dos Judeus, Josef Schuster, saudou a iniciativa de Blume e disse que “era hora de nos livrarmos da linguagem dos nazistas e de seus vestígios”. Mas o fato de ter persistido por tanto tempo, disse Blume, é a prova de uma “mentalidade antissemita e racista profundamente arraigada” na Alemanha. “Apenas com a mudança de nome, Nathan para Nordpol, que ainda usamos hoje, você pode ver o quão profundamente essa ideia nazista se infiltrou em nossa linguagem e em nosso pensamento, sem que ninguém realmente questionasse”, disse ele.

O esboço do alfabeto composto por nomes de cidades deverá ser lançado no outono de 2021, e a reforma concluída deverá entrar em vigor durante o terceiro trimestre de 2022. No entanto, para preservar a memória da lista antissemita, o alfabeto nazista será apresentado em anexo à nova lista que será colocada em consulta pública no próximo ano.

Importante enfatizar que falantes de idiomas diferentes costumam usar termos técnicos diferentes em suas comunicações telefônicas.

A medida será oficializada com uma série de eventos para comemorar os 1.700 anos de vida judaica no país europeu.

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