Mais mudanças nos conselhos religiosos

O Ministro de Assuntos Religiosos, Matan Kahana, está planejando grandes mudanças nos conselhos religiosos do país, que fornecem vários serviços religiosos, incluindo casamento e sepultamento para a população judaica.

Em um primeiro movimento, 90 chefes de conselhos religiosos foram notificados de que não terão seus cargos estendidos quando expirarem em quatro meses, uma medida que visa abrir espaço para novos candidatos, de acordo com a mídia israelense.

Os cargos devem ser preenchidos a partir de um grupo de potenciais candidatos que deverão possuir um diploma acadêmico e estarão abertos a mulheres. A intenção de Kahana é que os conselhos reflitam melhor as populações locais que atendem.

Ele também planeja introduzir limites de mandato mais rígidos para os chefes de conselho, alguns dos quais estão no posto há muitos anos.

A maioria dos conselhos é presidida por funcionários selecionados diretamente pelo ministro de assuntos religiosos.

As mudanças provavelmente criarão atrito com partidos ultraortodoxos que, por anos, controlaram o Ministério de Assuntos Religiosos e, como resultado, os conselhos. Esses partidos estão agora na oposição e perderam essa influência.

LEIA TAMBÉM

Existem 130 conselhos religiosos encarregados de fornecer os vários serviços religiosos nas autoridades locais em todo o país. Eles lidam com questões de casamento, cashrut, sepultamento, micvê, atividades culturais e muito mais.

Kahana fez da representação feminina nos conselhos religiosos um ponto central de sua agenda no comando do ministério.

Os conselhos são legalmente obrigados a ter pelo menos 30% de representação feminina, mas na prática os números são muito mais baixos.

Em julho, pela primeira vez em 17 anos – e apenas pela segunda vez na história de Israel – uma mulher foi nomeada para chefiar um conselho religioso. Haya Kliger, 71, assumiu o Conselho do Vale de Sde Ya’akov-Jezreel, onde ela servia desde 2000.

Outro confronto pode estar se desenvolvendo sobre a nomeação de novos juízes, conhecidos como dayanim, para tribunais religiosos.

O site Kikar Hashabbat relatou na terça-feira que partidos ultraortodoxos temem que Kahana pressione para que dois rabinos ortodoxos modernos sejam nomeados como juízes nos tribunais, apesar das fortes objeções de líderes ultraortodoxos.

O Shas e o Judaísmo Unido da Torá, os dois partidos ultraortodoxos na Knesset, estariam considerando tomar medidas se os rabinos David Bass e Benayahu Bruner forem nomeados como juízes de tribunais religiosos. Uma opção que estaria sendo considerada é boicotar o comitê de seleção de jurados para não ser visto como participante da escolha. Ainda não há data definida para a convocação da comissão de seleções.

O novo governo, o primeiro em anos a não incluir partidos ultraortodoxos, tem tentado reformar as instituições religiosas israelenses.

Fonte: The Times of Israel
Foto: ArielinsonCC BY-SA 4.0 (Wikimedia Commons). Matan Kahana, 2019