Generais falam da segurança e dos palestinos

Por David S. Moran

A menos de um mês das eleições gerais em Israel, a Casa da Força Aérea, em Herzliya reuniu (2/10) oficiais das Forças Armadas para ouvir ex-generais que participam ativamente das eleições para apresentar a visão dos seus partidos, nas áreas da segurança e dos palestinos. Evidentemente que as negociações sobre o gás com o Líbano foram tópico muito importante.

O primeiro a falar foi o General (Res.) Yoav Galant do Likud. Galant, tem muitos méritos do seu serviço militar, mas se viu acuado, foi muito arrogante e atacou a plateia. Disse que se o atual governo assinar um acordo com o Líbano, “quando retornarmos ao poder, não o respeitaremos”. Assim repetiu o que o líder do seu partido, Netanyahu, falou. Adicionou que “o campo de Kana poderia abastecer Israel por 10 anos. Não dá para criar dois Estados no espaço em que vivemos. Não há alternativa, os assuntos civis dos palestinos serão administrados por eles mesmos, mas só haverá um país, o Estado de Israel”. Até o começo do mês ainda não houve um acordo e na região de Kana, ainda nada foi descoberto. Assume-se que poderá ter gás, que deverá ser extraído do fundo do mar. Dois terços dele estão nas águas econômicas do Líbano e um terço de Israel (DSM).

Em contrapartida, o General (Res.) Yair Golan, do Meretz (esquerda), disse que com ameaças externas nós sabemos lidar, o problema que não sabemos tratar, é o interno. “Temos que nos separar dos palestinos, a cada dia que não o fazemos, a situação piora”. Golan teme o que acontecerá se o presidente palestino colocar “as chaves na mesa” e dizer não posso mais. “Essa é a maior ameaça. Temos que escolher entre situação ruim para situação pior”.

O atual Ministro de Segurança Interna, Coronel (Res.) Omer Bar Lev, do Partido Trabalhista, disse que já em 2013 apresentou um plano de separação dos palestinos. “Meretz do lado esquerdo e o Likud, da direita, me atacaram. Então eu sabia que estava no caminho certo. Temos interesse que os palestinos na Faixa de Gaza tenham o que comer. Se têm fome, nada têm a perder”. Ele apoia um acordo com o Líbano, que beneficia este país falido.

O Tenente-General (Res.) Gadi Eizenkot, do partido Hamachané Ha’mamlachti, recém ingressou na politica e todos o cortejaram, no fim optou por este partido, mas não conseguiu levantá-lo acima de 12 deputados nas pesquisas. Eizenkot acha que o acordo é bom. Seu companheiro de chapa, também ex-comandante das Forças Armadas, Benny Ganz, que também foi Ministro da Defesa do então premier, Netanyahu, disse que ambos trabalharam sobre o mesmo acordo. “A declaração do Netanyahu de que não respeitará o acordo com o Líbano é uma declaração muito séria e nociva. Confronta a democracia israelense e serve só para fins políticos. Depois das eleições, teremos que fechar as brechas nas passagens da Judeia e Samaria para Israel, construir áreas industriais e dois a três hospitais para os palestinos. Dezenas de milhares deles vêm tratar-se em Israel. As forças de segurança palestinas terão nosso apoio, mas a responsabilidade da segurança, será nossa. Se Netanyahu conseguir formar coalizão após as eleições, prefiro ficar na oposição. Uma pessoa que enfrenta na justiça três acusações não pode ser nosso primeiro ministro”.

A General (Res.) Orna Barbivai, Ministra da Economia, pelo partido Yesh Atid, alegou que antigamente tínhamos interesse comum e agora, quando o líder da oposição nem sabe os pormenores do acordo com o Líbano, critica-o, ele fere a segurança do país. “Temos boa economia, acordos comerciais, exportação, crescimento econômico, mas só 40% das mulheres árabes trabalham e só 50% dos ultras ortodoxos trabalham e produzem. Temos que reduzir as lacunas sociais. Nossa vantagem é o potencial humano e temos que aproveita-lo mais”. Disse que a visão do Primeiro Ministro Lapid em falar de dois Estados para dois povos, vem pelo desejo de alcançar a paz. “Ainda não temos parceiro no outro lado e isto não acontecerá tão já. Todos querem ser nossos sócios pelas tecnologias e inovações”. Orna Barbivai, foi a primeira oficial mulher a chegar a patente de General nas Forças Armadas de Israel.

O deputado Yossi Shain, do partido Israel Beiteinu, é prof. em Relações Internacionais pelas Universidades de Tel Aviv e Georgetown, em Washington, D.C. Ele acha que não há base para dois Estados para dois povos. O povo judeu está em formação após 2.000 anos. Na sua fundação em 1948, tinha população de 650.000 e com o maior crescimento mundial, hoje chegamos a mais de 7 milhões de judeus no país. Tem a maior taxa de natalidade nos países da OECD. Estamos num ponto crítico. Os ultras ortodoxos enfraquecendo nosso potencial, o problema palestino não está na pauta mundial.

O deputado Eli Avidar, é um diplomata que foi do Israel Beiteinu e há poucos meses o deixou para tentar reeleição em partido próprio. Nasceu em 1964 no Egito e aos 3 anos, sua família fugiu de lá para Israel. Entre outras, foi o primeiro representante de Israel no Catar. Ele apoia “Israel livre, judeu e democrático e isto só será alcançado com dois Estados para dois povos”. “Mahmoud Abbas não é o parceiro ideal, mas é isto que temos. A organização terrorista Hamas temos que combater e enfraquecer. Desaparecerá como foi com a organização de Ahmad Jibril e outros”.

Foi uma noite em que se pode notar a democracia israelense trabalhando e cada um pode dizer o que pensa livremente e não uníssono.

Desde então, na quarta-feira (12) o Líbano e Israel informaram que através da intermediação dos EUA e ajuda da França (que dominou o Líbano e tem grande influência, e tem interesse pois a companhia de combustíveis Total é francesa) chegaram a acordo sobre as águas econômicas de cada país e espera-se que seja o primeiro passo para obter paz na fronteira norte do país. O Líbano é país inimigo de Israel e nunca assinou acordos com Israel. Na década dos anos 80 do século passado, Israel se aliou aos cristãos libaneses, mas com a explosão e morte de Bashir Jumail, que foi eleito presidente e não assumiu, as relações foram deteriorando.

Foto: U.S. Embassy Tel Aviv, CC BY 2.0 (Wikimedia Commons). Tenente-General (Res.) Gadi Eizenkot

One thought on “Generais falam da segurança e dos palestinos

  • 16 de outubro de 2022 em 05:28
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    Arrogante e voce Moran e cara de pau que ainda defende esses traidores que sao chamados de generais!! Por isso estamos hoje nessa situação de panico geral, principalmente em nossa capital Jerusalem! Por causa desses “generais”: Golan, Bar Lev, Eizenkot, Barak,gatz, etc, etc,etc. Voce ainda escreve: “Foi uma noite em que se pode notar a democracia israelense trabalhando e cada um pode dizer o que pensa livremente e não uníssono” Claro convidaram seis esquerdistas e apenas um do Likud!! Bem “democratico” como voce esses sangressugas esquerdistas gostam!! Mas, em novembro o povo esclarecido deste UNICO pais JUDEU vai escolher os verdadeiros patriotas para por de volta este pais nos eixos dos quais nunca deveriam ter saido mas que foram deturpados na ultima eleicao!!

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