Israel, negócio da China

O Estado de Israel é conhecido como o “startup nation” devido ao seu grande número de inventores, invenções e inovações, que ajudaram a mudar vida no mundo. Nenhuma grande companhia, especialmente de alta tecnologia, ignora Israel. Eles mantêm no Estado Judeu pelo menos uma secção de Pesquisa e Desenvolvimento.

Ninguém fica para trás, muito menos a potência emergente da China. Israel virou um ótimo negócio para a China. O desenvolvimento de Israel requer muitos recursos e a China os tem de sobra. Tanto em verbas, como o da mão de obra barata e isto pode servir bem para a China e Israel.

Quem acompanha o extraordinário desenvolvimento da China, um país totalitarista e comunista, com certas liberdades de capitalismo, nota que este gigante e tradicional país, que esteve fechado por centenas de anos, acordou e está com grande apetite. A China despeja dinheiro em todas as partes do globo. Compra áreas na África, desenvolve campos agrícolas e de minérios na América Latina, põe a mão e o pé onde lhe permitem.

Nesta expansão econômica e de influência, chegou também ao Estado de Israel. Mesmo antes desta “guerra” comercial entre os EUA e a China, os americanos já estavam preocupados com expansão da China no mundo em geral e em Israel em particular. Preocupa-os a dependência que certos países podem ter da China e a transferência de material sofisticado às mãos chinesas.

Em 1999, Israel assinou contrato para entregar à China três aviões espiões de fabricação israelense, do tipo Falcon (veja foto), de valor bilionário em dólares. O governo americano gritou mais alto, alegando a proibição de transferência tecnológica americana a terceiros. Israel recuou ante a pressão americana e voltou atrás. Teve que indenizar a China em 350 milhões de dólares, fora a perda dos bilhões de dólares. Em 2005, novamente os EUA interviram num acordo entre Israel e a China para lhes fornecer aviões não tripulados do tipo Harpy e peças de reposição. Estas duas intervenções americanas abalaram as relações comerciais entre os dois países, principalmente na área militar. Desde então as relações comerciais entre a China e Israel cresceram e muito. Companhias e até mesmo universidades chinesas se aproximaram muito do Estado Judeu. A população chinesa admira o povo judeu, o povo do livro que, como eles, tem cultura milenar e sobreviveram milênios de anos.

O governo americano e as autoridades de segurança israelenses advertem continuamente o governo de Israel, que está entregando projetos sensíveis a conglomerados chineses, que inclusive estão presentes no Irã e ou na Turquia. Trata-se de projetos estratégicos e o governo ignora as advertências do Shabak e do governo americano.

Na semana passada, a Companhia de Eletricidade de Israel, vendeu uma usina elétrica, de 600 MW a um grupo que inclui a Companhia de Portos chinesa (China Harbor). O grupo vencedor estava disposto a pagar 1.9 bilhões de shekel (US$ 530M), o dobro do preço inicial da concorrência. A China Harbor, que constrói em Israel, como muitas companhias chinesas não é particular, é governamental. A China não mede esforços de comprar propriedades estratégicas em várias áreas, como portos, trens, companhias elétricas, petrolíferas, aéreas no mundo todo.

Investidores chineses estão aumentando sua parcela no bolo israelense gradativamente. Já hoje, têm 12% do total de captação de capital para companhias de startup israelenses. O mercado israelense é relativamente pequeno, mas muito rico tecnologicamente.

Em 2013, o homem mais rico da China, Li Ka-shing doou ao Technion a soma de 130 milhões de dólares, a maior doação individual. Em troca o Technion construiu na China uma subsidiária para pesquisadores e doutorandos chineses, que são instruídos em Israel.

Chineses tentaram comprar uma das maiores companhias de seguros, o que no último segundo não aconteceu pela prisão do interessado chinês por acusação de corrupção. Os guardiões da economia israelense dormiram no ponto. Houve tentativa da compra de um grande banco que também não saiu do papel.

Mas, outras companhias chinesas, na realidade governamentais ou ligadas ao governo, já adquiriram companhias estratégicas e importantes em Israel. Alguns exemplos são: a compra, em 2014, da gigante alimentícia Tnuva, fornecedora de 60% dos produtos de laticínios no país. Companhias chinesas cavam os túneis do Monte Carmel, em Haifa, e do o metrô de Tel Aviv, fornece ônibus e tenta se apoderar da gigante transportadora Egged. A China Harbor tem a franquia de construir e operar os dois portos mais importantes do país, o de Ashdod e Haifa. Isto, apesar da advertência dos EUA, de que seus navios de guerra, da VI Frota (do Mediterrâneo) não aportarão mais em Haifa, se os chineses a construírem, para evitar sua espionagem.

Relatório do Serviço de Inteligência israelense mostra que, de 2012 a 2018, os investimentos chineses no Oriente Médio subiram mais de 1700%, para cerca de 800 bilhões de dólares, dos quais 350 bilhões em infraestrutura energética e 120 bilhões em indústrias. Ao mesmo tempo aumenta sua intervenção militar. Delegações militares visitaram, entre outros países, a Síria, Irã, Arábia Saudita e o Egito. A China fornece assistência militar, treinamento e vende armas ao Irã (e, indiretamente à Hizballah) e vende misseis a Arábia Saudita.

O Financial Times e o instituto CSIS, de Washington, avalia que só em Israel companhias chinesas investiram 16 bilhões de dólares, enquanto nos países do Leste e Centro europeu investiram apenas 15 bilhões. Cerca de 11.000 chineses trabalham em construções no país. O comercio entre os dois países é grande. A China tornou-se o país de onde Israel mais importa mercadorias e é o segundo maior importador de produtos de Israel. O comercio entre os dois países foi de 15.7 bilhões de dólares, 30% mais do que no ano anterior. A exportação de Israel para a China aumentou mais de 50%, para 4.7 bilhões. Na área turística também houve um grande aumento de turistas chineses à Terra Santa, 105 mil. Significa 23% do total de turistas asiáticos a Israel, que no ano passado contabilizaram 460.000 turistas.

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