Israel vota na ONU condenando a Rússia

A Assembleia Geral da ONU votou esmagadoramente na adoção de uma resolução condenando a invasão da Ucrânia pela Rússia. Israel se juntou a 140 dos 193 membros da ONU para exigir que Moscou retire imediatamente suas forças do solo de seu vizinho soberano.

A contagem final da votação sobre a resolução, intitulada “Agressão contra a Ucrânia”, foi 141 a 5 com 35 abstenções.
Os únicos países que votaram contra a resolução ao lado da Rússia foram Síria, Coreia do Norte, Bielorrússia e Eritreia, uma forte indicação do isolamento internacional que o presidente russo, Vladimir Putin, enfrenta por invadir seu vizinho. Entre os que se abstiveram estavam China, Índia, Irã, Iraque, Paquistão e África do Sul.

Ao contrário das resoluções do Conselho de Segurança, as resoluções da Assembleia Geral não são juridicamente vinculativas, mas têm influência para refletir a opinião internacional.

Depois que a Rússia vetou uma resolução semelhante, embora juridicamente vinculativa, no Conselho de Segurança em 25 de fevereiro, a Ucrânia e seus apoiadores obtiveram aprovação para uma sessão especial de emergência – a primeira desde 1997 – para tentar destacar a oposição à invasão da Rússia.

O que se desenrolou foram dois dias de discursos que começaram na segunda-feira, nos quais mais de 110 representantes de países subiram ao pódio do plenário para falar sobre a invasão da Ucrânia.

Israel enviou sua vice-embaixadora da ONU, Noa Furman, para discursar na sessão de emergência na terça-feira, em vez do embaixador Gilad Erdan, em um aparente esforço para minimizar a postura israelense e evitar uma briga diplomática com a Rússia. Uma fonte israelense disse que a decisão do ministro do Exterior, Yair Lapid, também tem a ver com a falta de confiança em Erdan, ex-ministro do Likud. O gabinete de Erdan, por sua vez, evitou cuidadosamente ponderar sobre o assunto.

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Furman leu um comunicado pedindo à Rússia que cessasse seu ataque à Ucrânia e chamando a invasão de “uma violação grave da ordem internacional”.

Israel também estava entre os 96 países que copatrocinaram a resolução de quarta-feira, um passo que se recusou a dar na semana passada, quando uma resolução semelhante foi apresentada ao Conselho de Segurança. Essa decisão levou a embaixadora dos EUA na ONU, Linda Thomas-Greenfield, a expressar sua decepção a Erdan.

Desde que as tensões entre a Rússia e a Ucrânia começaram a aumentar, Israel tem procurado evitar alinhar-se claramente com qualquer um dos lados. É um dos poucos países que mantém relações relativamente calorosas tanto com a Ucrânia, uma democracia ocidental, quanto com a Rússia, que controla o espaço aéreo sobre a Síria, no qual Israel opera para atingir proxies iranianos.

Antes da votação, o embaixador da Ucrânia na ONU, Sergiy Kyslytsya, disse sobre as forças russas invasoras: “Eles vieram para o solo ucraniano, não apenas para matar alguns de nós. Eles vieram para privar a Ucrânia do próprio direito de existir”, acrescentando que ” os crimes são tão bárbaros que é difícil de compreender”.

O embaixador da Rússia na ONU, Vassily Nebenzia, exortou os membros da ONU a votarem contra a resolução, alegando que as nações ocidentais exerceram “pressão sem precedentes” com “ameaças abertas e cínicas” para obter apoio à medida.

“Este documento não nos permitirá encerrar as atividades militares. Pelo contrário, poderia encorajar radicais e nacionalistas de Kiev a continuar determinando a política de seu país a qualquer preço”, alertou Nebenzia.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, disse a repórteres imediatamente após a votação: “A mensagem da Assembleia Geral é alta e clara. Acabe com as hostilidades na Ucrânia, agora. Silencie as armas, agora. Abra a porta para o diálogo e a diplomacia, agora”.

“Não temos um momento a perder”, disse ele. “Os efeitos brutais do conflito estão à vista… Ele ameaça ficar muito, muito pior”.

Fonte: The Times of Israel
Foto: Canva

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