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Rabino-chefe paralisa conversões em protesto

O Rabino-chefe de Israel, David Lau, presidente do Grande Tribunal Rabínico enviou uma carta ao Primeiro-ministro Naftali Bennett contra a intenção de avançar com o novo plano de conversão e encerrar o mandato do chefe do sistema de conversões, Rabino Moshe Weller.

Em sua carta, ele observou que “o papel do chefe da unidade de conversão é implementar as diretrizes haláchicas do presidente do Tribunal. E é dever do chefe do departamento garantir que essas diretrizes sejam observadas”.

A mudança na lei de conversão, que deve ser submetida a uma primeira leitura hoje na Knesset, faz parte do plano de conversão do Ministro de Assuntos Religiosos, Matan Kahana, centrado na possibilidade de os rabinos das cidades estabelecerem tribunais de conversão, o que facilitaria a conversão de cidadãos de ascendência judaica, mas que não são considerados judeus de acordo com a lei judaica.

Segundo o Rabino Lau “o término do mandato da pessoa encarregada de implementar as diretrizes haláchicas significa cortar a conexão entre o sistema de conversão e o rabinato-chefe, e resultará no fim da responsabilidade haláchica para o que é feito no sistema de conversão”.

“Infelizmente, essa etapa faz parte da tendência perigosa de promover o esquema de conversão que está em discussão hoje em dia. Reitero que o plano da conversão proposto causará uma divisão significativa no povo de Israel”. Segundo ele, “implementar o plano de conversão proposto causará uma divisão do povo judeu, que terá que lidar no futuro com a difícil questão ‘quem é judeu’, quem pode se casar e quem não pode, uma situação terrível de dois estados por dois povos dividiriam o Judaísmo em vez de uni-los”.

No final de sua carta, o Rabino-chefe escreve ao Primeiro Ministro: “Eu informo com grande tristeza que se o plano de conversão for adiante e o mandato do chefe do sistema de conversão for encerrado, serei forçado a declarar que não sou mais responsável por nada a ver com conversões”.

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Em referência à carta, o Ministro dos Assuntos Religiosos disse que “lamenta a intenção do Rabino-chefe de parar a conversão em Israel apenas devido à não extensão do mandato de um escrivão. Kahana acrescentou: “Com a intenção de chegar a um acordo o mais amplo possível, o governo e a coalizão estão atualmente promovendo uma lei de conversão que permitirá aos israelenses que desejam se converter de acordo com a lei judaica”.

A legislação proposta de Kahana permitiria conversões fora dos auspícios do Rabinato-chefe, autorizando os rabinos municipais a supervisionar o processo.

O Ministro apelou ao Rabino-chefe para rever sua intenção de congelar as conversões em Israel a fim de chegar a acordos em favor do Estado e da conversão haláchica.

Em resposta à carta do rabino-chefe ao primeiro-ministro, o partido Israel Beytenu, liderado pelo Ministro das Finanças, Avigdor Liberman, pediu que o rabino-chefe fosse despedido.

“Esta tentativa de manter os convertidos reféns do sistema haredi que tomou o controle do Rabinato-chefe – como as ameaças do Rabino-chefe contra o ministro – cruza a linha vermelha e infringe todas as práticas aceitas.

“Pedimos ao Ministro de Assuntos Religiosos que demita o Rabino-chefe imediatamente e o convoque para uma audiência disciplinar, assim como qualquer outro funcionário do estado”.

O movimento Ne’emanei Torah v’Avodah também respondeu de maneira semelhante à carta do Rabino-chefe, pedindo ao Rabino Lau que renunciasse.

“O plano de conversão que está sendo proposto pelo Ministro Kahana não se preocupa com questões haláchicas, mas apenas administrativas e, portanto, a resposta do Rabino Lau está fora de lugar”, disse o movimento em um comunicado.

“Se o Rabino-chefe não chegar a um acordo com o nomeado do Ministro, ele está livre – como qualquer outro funcionário do governo – para renunciar ao seu cargo como uma expressão de protesto. Enquanto ele ainda estiver servindo em uma capacidade oficial, no entanto, ele não deveria estar fazendo declarações contra as políticas das autoridades eleitas”.

A autorização de Lau é atualmente necessária para todas as conversões no país. A interrupção do processo impactará dois segmentos significativos da população: imigrantes da Etiópia e da ex-União Soviética. Alguns membros desses dois grupos requerem a conversão ortodoxa para serem reconhecidos como judeus em Israel.

O movimento também insistiu que o plano de Kahana “fortalecerá o judaísmo e diminuirá a assimilação”.

Nesta quarta-feira, o ministro da Construção, Ze’ev Elkin, do partido de direita Nova Esperança, atacou Lau, dizendo que o rabino-chefe estava “chantageando o governo” e usando “a abordagem errada”.

O deputado Bezalel Smotrich, líder do partido de extrema direita Sionismo Religioso, apoiou Lau, dizendo que o rabino-chefe estava lutando “contra a destruição do processo de conversão e graves danos à unidade do povo”.

O noticiário do Canal 13 informou que Lau já havia instruído que os processos de conversão fossem interrompidos, incluindo notificar a Ministra da Imigração e Absorção, Pnina Tamano-Shata, que também é uma imigrante etíope.

Existem atualmente 100 imigrantes etíopes cujas conversões estão na mesa de Lau, mas ele se recusa a assiná-las, de acordo com a reportagem.

Fontes: Hamodia, Arutz Sheva, The Times of  Israel
Fotos: Wikipedia (montagem)

3 comentários sobre “Rabino-chefe paralisa conversões em protesto

  • Shalom! Hj em dia ; parece q virou muda, ha pessoas que querem virar judias. Eu ao meu ver, somente pessoas c a intencao de realnente prosseguirem c as normas da religiao que sao Shabat cashur e outras coisas mas poderiam se tornar judias. Mas uma coisa eu digo, אנ קצת נגד הענין של להיות יהודים , כי ראיתי בעבר מלה דברים לא נכונים בענין הזה.

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  • Ser Judeu é muito mais que a palavra judeu, é uma historia, uma vida. É saber de onde viemos, o que somos, e para onde vamos. Que temos uma história, que foi linda, de arrepiar e até espetacular e, muitas vezes tristes. Ser judeu é respeitar o próximo com humanidade , e saber que estamos aqui com responsabilidade e com uma missão de não falharmos nunca no decorrer dessa historia, e dessa vida. Somos fracos, somos fortes, e somos falhos, mas temos a fé que nos leva a crê e acreditar a cada dia na esperança de dias melhores.

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