Ratos que ameaçam leões

O mundo está ao avesso. Por causa das divisões internas nos regimes democráticos e entre os países mais poderosos, onde cada um quer levar vantagens econômicas e ou de influência, regimes ditatoriais e opressores do seu próprio povo e mesmo organizações terroristas levam vantagens, parecendo que os ratos ameaçam os leões.

Vejamos alguns exemplos: o Irã do regime radical islamista esteve correndo as custas do bem estar do seu povo para obter arma nuclear. Os cinco países do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha assinaram acordo com o regime dos aiatolás, em 2015, segundo o qual durante 10 anos, o Irã não enriquecerá urânio acima de 3.67% e numa quantidade inferior a 300 kg. O acordo estava cheio de furos e quando o Presidente Trump entrou na Casa Branca, posicionou-se contra e quis negociar um novo. Diante da recusa evidente do Irã, os EUA impuseram-lhe sanções econômicas que tem certas consequências.

Isto não impediu os aiatolás de ameaçar o Ocidente de que se não retornarem ao acordo de 2015, a partir de julho, eles não mais se sentirão obrigados e imediatamente retornarão a enriquecer urânio e a trabalhar para obter a arma infernal, em vez de encher as prateleiras vazias nos seus mercados.

O Secretário Geral da AIEA Yukya Amano anunciou que o Irã já aumentou o enriquecimento para 4.5%. O Ministro do Exterior iraniano Zarif, zombou do Trump e da crença de que terá acordo melhor. Teerã também publicou que tem mais de 300 kg permitidos pelo acordo e que aumentará gradativamente o enriquecimento para 20%, que lhe trará a véspera de ter armas nucleares.

O líder religioso (?) Khamenei declarou: “continuaremos violar o acordo nuclear, já que vocês – Europa, China e Rússia – não cumprem suas obrigações… o grande problema do Ocidente é a arrogância… a Inglaterra roubou um petroleiro nosso, cometeu crime marítimo e tentou lhe justificar em meios judiciais”.

A arrogância é de um sacerdote, que não fala jamais de paz e prosperidade, só de guerra, violência e destruição. De alguém que infringe as normas e as leis (mais a seguir) e acusa outros.

O grande problema do Ocidente é entender a mentalidade de certos povos, inclusive o iraniano. Não só a mentalidade, deve-se entender a religiosidade que os guia e que nada de bom prediz ao Ocidente. Líderes europeus gladiam entre si e com os EUA para agradar aquele que é inimigo comum de todos e não adianta a bajulação. Na véspera da II Guerra Mundial, o Primeiro Ministro inglês Neville Chamberlain foi ver Hitler, para tentar apaziguá-lo. Assinaram, em 1938, o Acordo de Munique pelo qual davam de presente a Checoslováquia ao faminto nazista. Chamberlain desceu do avião, ergueu o guarda-chuva, peça essencial inglesa e disse: “temos acordo”. Pura ilusão. Ano depois Hitler invadiu a Polônia e a história é bem conhecida.

Quando falam ao Ocidente, o fazem amenos. O Ministro do Exterior do Irã Zarif esteve na ONU, em Nova York, e deu entrevista à rede NBC. Com sua voz melada, num bom inglês (todos estudam no Grande Satanás, os EUA) disse mansamente: “nós preferimos a diplomacia. Todos sabem que o Irã é uma grande e orgulhosa nação e reagiremos seriamente a ataque militar contra nós”. Sempre ameaçam.

A Ministra do Exterior da União Europeia, Mogharini, disse esta semana que ainda acredita que dá para salvar o acordo. “Rogamos ao Irã parar as violações que fizeram”. Não o farão.

Até parecia que o Irã estava disposto a voltar negociar com os EUA. Trump clarificou: “não queremos trocar o regime iraniano. Queremos que eles saiam do Iêmen, da Síria e que não busquem ter arma nuclear”. Ante os boatos, o regime islamista do Irã esclareceu que não está disposto a negociar sobre o projeto dos mísseis. O rato ameaça e os leões se apavoram.

No início do mês, tropas inglesas tomaram controle do petroleiro iraniano, de bandeira panamenha,  Grace 1, quando passava no estreito de Gibraltar (território inglês, encravado na Espanha, na entrada ao Mar Mediterrâneo). O petroleiro navegou dois meses e meio, vindo do Golfo Pérsico, contornando a África, para despistar a procedência e o destino. Podia em poucos dias passar pelo Canal de Suez e ir até o seu destino, a Síria. Só que a Síria está sob sanções. O mundo já tende a esquecer das atrocidades que o regime de Bashir Assad cometeu ao seu próprio povo.

O regime iraniano imediatamente declarou que esta ação pode piorar ainda mais a situação. Nós reagiremos a esta pirataria. O Irã não só fica na oratória. Dias depois, tentou se apoderar de um petroleiro inglês no Golfo Pérsico, salvo por um destroier inglês ali posicionado. Logo em seguida, ante o fracasso, tentou novamente e no domingo, as “Guardas Revolucionárias” se apoderaram de um petroleiro do Abu Dhabi, com seus 12 tripulantes, sob a acusação de “contrabandear um milhão de litros de petróleo”.

Hizballah. O proxy do Irã no Oriente Médio e que se apoderou do Líbano participou da guerra civil síria ao lado do Irã e do Assad. Desde a Segunda Guerra do Líbano, a fronteira norte está totalmente quieta. O líder da Hizballah, outro sacerdote, que vive nos subterrâneos do bairro de Dahia, em Beirute, ruge lançando ameaças contra Israel. Na última 6ª feira (12/07) deu entrevista a sua TV, a Al Manar, para marcar o 13⁰ aniversário da Guerra do Líbano. Declarou: “não precisamos de arma nuclear, basta um míssil sobre o reservatório de amoníaco em Haifa e eles terão dezenas de milhares de mortos e outros tantos feridos”. Ele mostrou o mapa de Israel alegando que seus mísseis precisos podem acertar qualquer ponto do país. Entre outros, mostrou os Ministérios em Jerusalém, o Quartel Geral do Exército, em Tel Aviv, bases e até o aeroporto Bem Gurion, em Lod. Ele é bom de papo e de arrogância. O reservatório de amoníaco já mudou de Haifa para o Neguev e Israel tem meios de antecipar ataque e de revidar. Nenhum dos dois lados o quer, mas no caso de loucura da Hizballah… Novamente o rato ruge.

Hamas. O regime da Hamas que sobrevive graças à ajuda estendida por Israel, não impede as manifestações, os incêndios que provoca e as tentativas de mortes de israelenses. Os líderes da Hamas exigem de Israel e o Estado Judeu, geralmente, os atende. Principalmente, agora, em véspera de eleições, que a Hamas entende que o governo israelense não vai querer entrar em confronto militar. Regime ditatorial e opressor, como o é o da Hamas, não precisa levar em conta os seus eleitores. Esta é a fraqueza dos regimes democráticos.

Mesmo assim, preferimos viver num país de eleições livres, próspero e de liberdades a outros regimes. Os ratos que rujam e não ajam, senão o leão vai se zangar.

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