A convenção falha e mortífera da solução de dois Estados

Por Deborah Srour Politis

Na quinta-feira passada, quatro estudantes da Yeshivah de Homesh na Samaria entraram no carro no final do dia para voltarem para a casa. Na estrada, seu carro foi crivado por balas matando Yehudah Dimentman de 25 anos, pai de uma bebê de apenas alguns meses.

Os dois terroristas foram apreendidos pelas forças de Israel. Mas a dor causada para a família de Yehudah irá durar muitas décadas especialmente para esta menina que crescerá sem o pai.

Dois outros estudantes ficaram feridos. E isso tudo aconteceu simplesmente porque eram quatro judeus num carro com placas israelenses. Yehudah foi morto somente por ser judeu. A mídia internacional pode não estar interessada em reportar o que está acontecendo, mas Israel está há 72 meses – desde novembro de 2015 – sofrendo constantes ataques terroristas. Este foi apenas o último de ataques que Mahmoud Abbas, o corrupto, assassino e imbecil líder da Autoridade Palestina, chama de “uma revolta pacífica”.

Tão pacífica que ele paga salários milionários para os perpetradores dos ataques e o preço sobe quanto mais dano, mais mortes causar. Imaginem viver numa sociedade onde você é pago se matar civis inocentes e o pagamento aumenta quanto mais horripilante for a chacina. Esta é a Autoridade Palestina.

Num mundo um pouco mais perfeito, uma entidade como esta seria um pária da comunidade internacional. Mas não neste mundo. A Autoridade Palestina é convidada a fazer parte da união das nações, suas resoluções são votadas todos os anos condenando Israel, países desenvolvidos dão a ela milhões de dólares por ano, e correm para ajudá-la quando Israel decide se defender.

Somente em dezembro, tivemos vários esfaqueamentos, inclusive um perpetrado por uma menina de 14 anos. Que tipo de incitação, de propaganda um governo faz para levar uma criança a esfaquear um outro ser humano?

Mas surpreendentemente, o governo Biden, através de seu secretário de estado, o energúmeno Anthony Blinken, está mais preocupado em discutir com Israel a violência perpetrada pelos chamados “colonos”. Sua prioridade está no vandalismo de oliveiras e de manifestações judaicas depois de ataques terroristas. O que incomoda e preocupa Biden e Blinken hoje no Oriente Médio, são estes mesmos colonos descendentes da população original, dos judeus da Judeia e Samaria que lutaram contra os impérios assírio, grego e romano.

Isso é tão absurdo como chamar os índios nativos da América de colonos assentadores.

Os árabes que vieram séculos mais tarde, e em especial no fim do século XIX precisamente por causa da imigração judaica que gerou empregos e oportunidades, hoje são tratados como os habitantes originais, e os judeus, os invasores, os colonos. E por causa desta mentira o conflito não chega a uma resolução.

Para muitos na comunidade internacional, a solução é simples: os palestinos exigem independência e, para alcançar a paz, Israel precisa acabar com a ocupação, derrubar os assentamentos e concordar com o estabelecimento de um estado palestino nas linhas de cessar fogo com a Jordânia, traçadas em 1948. Esta é a fórmula internacionalmente aceita de dois estados que a comunidade internacional promete irá dar um futuro melhor tanto para palestinos como para israelenses e fazer o ódio arraigado sumir como num passe de mágica.

Mas os israelenses, já calejados, não estão comprando mais esta ideia. Uma pesquisa feita pelo Instituto de Estudos de Segurança Nacional mostra que o apoio entre os judeus israelenses à solução de dois estados está em declínio. Entre 2006 e 2016 esse apoio caiu de 71% para 59%.  No ano passado, o índice estava a menos de 53%. E neste ano, os números irão mostrar pela primeira vez neste século, que apenas uma minoria de judeus israelenses apoia a criação de um estado palestino.

Os dados do Instituto também indicam que a maioria dos judeus israelenses que ainda apoiam a solução de dois estados não acredita que ela acontecerá tão cedo. Isso porque essas ideias já foram experimentadas e, até agora, os resultados estão longe de serem encorajadores.

Uma delas foi o desengajamento de Gaza por Ariel Sharon que continha muitos ingredientes retirados da fórmula internacional e, assim atraiu amplo apoio global. Se Israel encerrasse a ocupação da Faixa, removesse todos os 21 assentamentos de Gaza e recuasse para as linhas de 1948, então, de todas as fronteiras de Israel, o perímetro de Gaza certamente deveria se tornar o mais tranquilo de todos. Na época, Sharon disse que Gaza iria se transformar na Cingapura do Oriente Médio.

Mas as quatro operações militares de Israel em Gaza desde o desengajamento – Chumbo Fundido (2008-09), Pilar de Defesa (2012), Borda Protetora (2014) e Guardiões das Muralhas em maio último – todas contam uma história muito diferente.

Além disso, a sabedoria convencional diria que se o fim da ocupação ocorrida 1967 põe fim ao conflito, como dizem os palestinos, isto quer dizer que antes de 1967, deve ter havido paz. Obviamente, não foi esse o caso.

Entre maio de 1948, como o nascimento de Israel até 1967, sete exércitos árabes atacaram o estado Judeu, e Yasser Arafat fundou a Fatah em outubro de 1959 e a OLP em 1964 com o objetivo de eliminar Israel.

Ao se concentrar exclusivamente na realidade pós-1967, a comunidade internacional ignora o núcleo essencial do conflito que antecede o controle de Israel sobre a Judeia e Samaria em pelo menos meio século.

Os especialistas em processo de paz Hussein Agha e Robert Malley (ambos simpáticos à causa palestina) escreveram em 2009 que um acordo israelense-palestino exigirá “olhar para além da ocupação; para as questões nascidas em 1948″ e apelaram para abordar as causas do conflito, incluindo a “rejeição árabe do recém-nascido estado judeu”.

A relevância de tal abordagem foi demonstrada em um discurso pouco divulgado pelo presidente palestino no último mês de agosto. Falando em Ramallah, Mahmoud Abbas disse que a “narrativa sionista falsifica a verdade e a história, todos os documentos e pesquisas confirmam ser um produto do colonialismo, que planejou e trabalhou para implantar Israel como um corpo estranho a fim de fragmentar esta região e mantê-la fraca”.

Nas palavras do líder da Fatah, Israel foi construído na mentira, criada pelo imperialismo, com o objetivo de desmembrar o mundo árabe. Além disso, e ainda surpreendente para muitos, a Autoridade Palestina de Abbas continua a negar o povo judeu e a autenticidade da conexão dos judeus com sua terra natal, rejeitando o próprio conceito de um estado judeu, sejam quais forem as fronteiras.

Em seu famoso discurso na Universidade Bar-Ilan de 2009, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu colocou o reconhecimento palestino de Israel como o Estado-nação do povo judeu como um ingrediente indispensável em qualquer paz futura, argumentando que “a liderança palestina deve se levantar e dizer: ‘Basta deste conflito. Reconhecemos o direito do povo judeu a um estado próprio’”.

Claro, Netanyahu foi acusado de deliberadamente criar obstáculos à paz.

Até a ministra das relações exteriores de Israel durante o governo de Ehud Olmert, Tzipi Livni, durante a conferência de paz de Anápolis em 2007, instou a liderança palestina a reconhecer Israel como a casa nacional do povo judeu, vendo isso como um pré-requisito vital em um processo genuíno de reconciliação. Os palestinos se recusaram a fazê-lo.

E aqui está a contradição fundamental: os palestinos exigem que Israel reconheça seu direito à autodeterminação nacional, ao mesmo tempo que se recusam a reconhecer o mesmo direito do povo judeu.

Os palestinos alegam que aceitaram Israel em 1993 como parte dos acordos de Oslo, quando os lados trocaram cartas de reconhecimento mútuo, e isso deveria bastar. Mas reconhecer Israel como um fato não substitui a legitimidade. A Autoridade Palestina, como o Irã, reconhece Israel como um fato, como o câncer é um fato, um câncer que deve ser extirpado.

Em última análise, se o Estado judeu permanece fundamentalmente ilegítimo aos olhos de seus vizinhos palestinos, que tipo de paz eles estão realmente oferecendo a Israel?

Quando os primeiros-ministros israelenses de esquerda Ehud Barak e Ehud Olmert adotaram propostas que lidavam somente com as questões pós-1967 chegando até mesmo a considerar a redivisão de Jerusalém, isso nunca foi suficiente para a liderança palestina. Se o cerne da disputa é 1948 e não 1967, então realmente não importa quão flexível Israel seja nas negociações, sobre fronteiras finais, ou quantos assentamentos ofereçam extirpar. Ao contrário do que o mundo quer que acreditemos, para os palestinos, o verdadeiro problema não é Shiloh, Kyriat Arba ou Ma’aleh Adumim, mas Tel Aviv, Herzeliya e Ra’anana.

Chegou a hora dos líderes mundiais, da ONU, da mídia, reconhecerem que a fórmula de dois estados é uma convenção já testada como falha e não há qualquer sabedoria em continuar dando murro na mesma ponta de faca. Yehudah Dimentman morreu na quinta-feira por causa dela.

Foto: Yehudah Dimentman (Cortesia)

One thought on “A convenção falha e mortífera da solução de dois Estados

  • 22 de dezembro de 2021 em 13:46
    Permalink

    Ótimo texto. Apenas quero apontar algo que sempre faço: chamar os árabes que vivem na Judéa-Samaria de “palestinos” ligitimiza a criação deste “povo” que nunca existiu até ser criado por Arafat. Palavras importam e se aceitarmos usar o nome estaremos, indiretamente, afirmando que este povo existe, o que não é verdade. Aceitar isso dá a eles mais argumentos para suas exigências ridículas.

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