A diferença entre padrão de vida e qualidade de vida

É sabido que a maioria dos Olim (imigrantes) em Israel passam por muitas dificuldades nos primeiros anos, em geral enfrentando uma queda brutal do padrão de vida com o qual estavam acostumados no Brasil. Apesar disso, muitos Olim se declaram bastante felizes com a nova vida em Israel, e não se arrependem da decisão de mudar de pais. Como explicar este fenômeno de pessoas que foram obrigadas a mudar seu estilo de vida radicalmente e ainda assim estão tão satisfeitas?

Eu cheguei a conclusão que existe uma importante diferença entre Padrão de Vida e Qualidade de Vida. Para a maioria dos Olim brasileiros, o padrão de vida piora, mas em muitos aspectos a sua qualidade de vida melhora.

Estas são algumas características do Padrão de Vida de famílias de classe média alta no Brasil:
– Morar em um apartamento espaçoso em bairro nobre.
– Contar com a ajuda de uma empregada doméstica.
– Passar as férias em uma casa de veraneio.
– Ser sócio de um clube de elite.
– Ir com frequência a restaurantes finos.
– Ter os filhos estudando em colégios privados.
– Ter acesso a serviços de saúde privada.
– Ser proprietário de vários automóveis.

Em geral tudo isso muda depois da Aliyah. Os Olim vão morar em apartamentos bem menores do que os que tinham no Brasil, e não contam mais com a empregada todos os dias. Casas de veraneio não fazem parte da realidade israelense, e mesmo os clubes de elite são raros. O Oleh normalmente não vai a restaurantes tão frequentemente como antes, seus filhos estudam em escolas públicas e ele utiliza serviços de saúde pública. Para completar, precisa se contentar com um carro mais simples, provavelmente sem vaga de garagem.

Então o que compensa esses sacrifícios? Quais são as fontes de felicidade para uma pessoa que faz Aliyah?

A resposta está nas características do que eu chamo de Qualidade de Vida, abundantes em Israel mas infelizmente raras no Brasil. Por exemplo:
– A sensação de seguranca, de saber que se pode andar pelas ruas sem medo a qualquer hora do dia ou da noite.
– A satisfação de poder usar serviços públicos (educação, saúde, transporte) comprovando que o governo faz bom uso de nossos impostos.
– O orgulho de ser parte de uma sociedade bastante igualitária, onde a grande maioria das pessoas tem um bom padrão de vida.
– O otimismo realista de quem acompanha de perto o constante progresso e desenvolvimento do pais, do qual todos se beneficiam.
– A tranquilidade de quem sabe que vive em um pais sem graves problemas econômicos ou socias, e com excelentes perspectivas futuras.

Assim, uma familia de Olim em Israel passa muitas dificuldades mas apesar disso consegue enxergar com clareza um futuro melhor para os seus filhos. No Brasil, ao contrário, a situação atual talvez seja cômoda para alguns, mas o futuro é incerto para todos. Essa incerteza causa ansiedade e preocupações que na prática destroem a qualidade de vida.

Um amigo meu resumiu com a seguinta frase: “No Brasil a vida é fácil mas é ruim, em Israel a vida é difícil mas é boa.”

Essa com certeza é uma frase bastante polêmica que pode ser interpretada de diversas formas. Na minha opinião signica:
– No Brasil a vida é fácil (para quem tem acesso as mordomias da classe média alta) mas é ruim (devido a insegurança, injustiça, desigualdade e falta de perspectivas).
– Em Israel a vida é difícil (porque para os Olim o padrão de vida é inferior ao do Brasil) mas é boa (porque fazemos parte uma sociedade justa com um futuro promissor).

Em tudo que escrevi acima não mencionei como Israel é especial para pessoas que dão importância ao judaísmo. Sem dúvida a possibilidade de viver e praticar as tradições judaicas, sendo parte de uma maioria e não de uma minoria, também agrega muito a qualidade de vida. Mas acho desnecessário ressaltar a importância da Terra de Israel para quem ama o judaísmo, da mesma forma como não preciso dizer a importância da água para os peixes.

Que possamos todos dar ênfase a nossa Qualidade de Vida, abrir mão do nosso Padrao de Vida, e sermos felizes em nossa Aliyah!

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