Israelenses: um povo difícil de entender

Por Hayim Makabee

Muitos olim tem dificuldade de entender o comportamento dos israelenses. Mais do que isso, muitos olim ficam horrorizados com o comportamento dos israelenses. Diversas vezes eu já escutei a frase: “Gosto de Israel, mas não gosto dos israelenses”.

Seguem alguns exemplos de comportamentos “típicos israelenses” que irritam muito os olim brasileiros:

O israelense não respeita as filas nos supermercados. Sempre tem alguém querendo passar na frente dos outros.

O israelense buzina no trânsito. Dizem que aqui a velocidade do som é maior que a velocidade da luz. Antes do sinal (semáforo) ficar verde, você já escuta alguém buzinando atrás de você.

O israelense não sabe estacionar. Aqui é normal um carro ocupar duas vagas, ou, pior ainda, ocupar parte da rua ou da calçada.

Os médicos em Israel não são atenciosos. Eles não conversam, não se interessam sobre como nos sentimos, não explicam o tratamento nem os efeitos colaterais dos remédios.

Os israelenses empurram no transporte público. Eles empurram na hora de subir no ônibus, e depois empurram novamente na hora de descer.

Analisando este comportamento, o olê brasileiro chega à inevitável conclusão que o povo israelense é muito grosso e mal-educado. Em outras palavras, os israelenses são seres primitivos, verdadeiros trogloditas.

Mas eu estou em Israel há 30 anos, e sei que isto não é verdade. Eu sei que os israelenses não são tão grossos e mal-educados. Porém, até recentemente eu não sabia explicar esse comportamento dos israelenses. Só fui capaz de entender isso alguns anos atrás, andando pelas ruas de Higienópolis.

Andando pelas ruas de Higienópolis

Alguns anos atrás, fomos visitar meus sogros no Brasil (depois disso eles também fizeram aliá). Eu andava pelas ruas de Higienópolis, e tive uma sensação muito esquisita. Eu estava estranhando alguma coisa, mas não sabia exatamente o que. Claro que eu estava em um lugar que não conhecia muito bem, muito diferente de Israel, mas o que me incomodava era alguma outra coisa que eu não conseguia explicar. Uma sensação de que o mundo estava funcionando de forma diferente do que eu estava acostumado.

Me concentrei para tentar entender o que estava acontecendo, e depois de pensar bastante eu finalmente me dei conta: eu estava andando muito mais rápido que as outras pessoas. Eu simplesmente andava por Higienópolis ultrapassando todas as pessoas, como se estivesse participando de uma corrida. Andava, desviava, às vezes ultrapassava pela direita e às vezes pela esquerda, mas inevitavelmente deixava para trás todos os outros pedestres.

Eu estava andando pelas ruas de Higienópolis da mesma forma que estava acostumado a andar aqui em Israel. Eu andava rápido, mais rápido do que o necessário. Porque eu estava com pressa. Estava com muita pressa.

Israelenses: Um povo que tem pressa. Muita pressa.

Agora eu sei como explicar o comportamento dos israelenses.

O israelense não respeita as filas nos supermercados, porque ele está com pressa. Ele precisa ser atendido antes dos outros, porque está com muita pressa.

O israelense buzina no trânsito, porque ele está com pressa. Ele não pode perder alguns segundos enquanto você pisa no acelerador, porque está com muita pressa.

O israelense não estaciona direito, porque ele está com pressa. Ele sabe estacionar, ele sabe como ocupar apenas uma vaga, mas está com muita pressa.

Os médicos em Israel também estão com pressa. Eles não têm tempo para conversar, não podem responder com paciência todas as suas perguntas, porque estão com muita pressa.

Os israelenses empurram no transporte público porque estão com pressa. Eles precisam subir rápido e descer rápido, empurrando os outros, porque estão com muita pressa.

Mas o grande defeito dos israelenses também é sua principal vantagem!

Os israelenses venceram uma guerra em Seis Dias, porque estavam com pressa. Você se pergunta: como é possível derrotar diversos exércitos inimigos em menos de uma semana? Você precisa ter pressa. Muita pressa.

Israel se tornou a Startup Nation, deixando para trás muitos outros países mais ricos e mais desenvolvidos. Uma startup precisa executar rapidamente as suas ideias. Uma startup não tem tempo para planejar. Uma startup precisa ter pressa. Muita pressa.

Israel executou a Campanha de Vacinação mais eficiente do mundo. Pessoas em outros países nos olham com um misto de inveja e admiração. Como é possível vacinar tantas pessoas em tão pouco tempo? Você precisa ter pressa. Muita pressa.

Bem-vindo a Israel! O país onde as pessoas tem pressa. Apenas me faça um favor: não tenha tanta pressa de julgar os israelenses. Algumas coisas aqui em Israel você vai demorar para entender.

Foto: Anna Marinicheva (Unsplash)

7 thoughts on “Israelenses: um povo difícil de entender

  • 20 de abril de 2021 em 10:12
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    Ola, Bom Dia !

    Também sou olé, mas estive em Israel diversas vezes por motivos de visitar familia ou de frequentar cursos especializados na minha área de atuação, antes e agora !

    Concordo com muitas colocações suas, com certeza !

    Tambem tenho pressa, muitas vezes, mas também tenho a paciência de ver e ajudar um idoso/a a subir e um ônibus, ou descer dele!

    Tambem tenho paciencia em esperar alguem, homem ou mulher, descarregar uma carrinho de compras, agalah, no supermercado, claro que se comprei muito menos do que comida para um mês e que sei que na semana seguinte a mesma pessoa vai estar no mesmo supermercado comprando a mesma quantidade de comida, tenho pressa e falta de paciencia. Afinal, meu pagamento e passagem pelo caixa, não levará mais de 4 minutos, enquanto da outra pessoa, ao menos 20 ou mais minutos !

    Em Israel, dificilmente encontramos caixas especificos para compras de 15 ou menos produtos, a caixas são únicas e, tenha paciencia !

    o israelense corre, não anda, para que mesmo ?

    Talvez, para tomar café e fumar um cigarro, o que em geral é isso mesmo !

    Israel vence suas guerras por pressa ?

    Não!!!!

    A velocidade de deslocamento e reação são primordiais para vencer uma batalha, até mesmo conseguir um bom trabalho !

    O israelense é grosso e ignorante (no sentido de desconhecer), sim é, e não tem outra explicação !

    muitos na atualidade, hoje mesmo, entenderam que Israel não está sozinho no mundo,judeus israelenses ou olim, não são os únicos cérebros pensantes, daí a pressa em lançar um produto no mercado.
    Se vai haver algum planejamento neste lançamento, dificil responder, na maioria das áreas profissionais, esta palavra planejamento não existe, vai tudo na avalanche, vamos tratar os erros quando e se aparecerem !

    Vivo, estou aprendendo, em Israel. Trabalho, sou empregado e não quero ser empresário, já fui convidado várias vezes e, vejo no dia a dia, as “licenças” que os israelenses tomam para si só porque ele queria ou estava a disposição, até que alguem bata nas costas de quem tomou a “licença” e o faz ver que ele não é único na face da terra !

    Este assunto, o israelense, é para ser conversado tomando uma cerveja ou um simples afuch!

    Grande Abraço !!!!

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    • 20 de abril de 2021 em 14:40
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      Quem escreveu nunca entrou num ônibus no Brasil certamente.

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  • 21 de abril de 2021 em 01:09
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    Haym, estou a dias pensando no seu texto. Estamos falando de ‘pressa’, mas também estamos falando de normas sociais. Respeita fila é uma ‘norma social’ que pode fazer mais ou menos sentido dependendo da cultura. Mas é interessante que, por exemplo, ‘usar a máscara’ também é uma norma social e como vimos, seguido de forma muito distinta dependendo da cultura. Pode ser que os israelenses não respeitem tanto as filas, mas as máscaras foram sagradas, certo? Adoraria escutar comentários.

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  • 21 de abril de 2021 em 10:19
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    adorei o texto hayim
    mt bom
    e tou com pressa de amar cada dia mais nossa terra
    que cada vez mais judeus brasileiros tenham pressa de fazer aliah

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  • 21 de abril de 2021 em 19:35
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    Da minha experiência em Israel posso dizer com segurança que um idoso é tratado com muito carinho seja onde estiver, ele nunca sente-se sozinho pois tem alguém para auxia-lo. O mesmo para as crianças que parecem ser filhos de todos tal o cuidado que se tem com elas independentemente se são conhecidas ou não. Estão sempre protegidas assim como o Estado protege seus cidadãos, sempre e a toda hora. As leis e tudo mais são feitas para o bem de todos. Muita coisa que aqui é importante, para o israelense pode ser supérfluo . Em Israel vc não encontra uma vendedora de sapatos que desmonta a loja para lhe dar um que sirva, ela pergunta : qual o número, marrom ou preto ? Se tem ela trás se não: Não tem !!! Eh assim, posso até me atrever a dizer que muito do que acontece, eh pela grande diferença intelectual das pessoas, o que não ocorre em Israel e assim estão acostumadas a concorrência em tudo . Mas quando se trata de segurança todos são solidários uns com os outros, usam sempre primeiro a cabeça e as vezes o cotovelo sem pedir licença, mas não tenha dúvida, se você precisar o israelense sempre está a postos em qualquer situação ou área do conhecimento humano SHALOM !!!

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  • 22 de abril de 2021 em 22:46
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    Vou dizer uma coisa: tendo já morado em outros dois países, além do Brasil e Israel, até reconheço que os brasileiros são um tanto sensíveis e preferem mentir a desagradar alguém. Isso é um fato e às vezes mais atrapalha do que ajuda. Quanto a mim, eu posso dizer que, pela minha própria natureza, nunca fui assim (por isso talvez não me identifico muito com o jeitinho brasileiro), e com as experiências da vida me tornei bastante pragmática e aprendi a dizer com gentileza mas sinceridade o que precisa ser dito. Porém… tendo dito isso, ainda aqui vai o meu veredito: os israelenses são realmente um caso de estudo. É um nível de agressividade e grosseria que passa de todos os limites, vai muito além do que simplesmente incomodar os “povos mais sensíveis”. Já me fizeram ter vontade de chorar. Nem tinha certeza se de tristeza ou de raiva. E o pior de tudo é que eu também me tornei um pouco assim: irritadiça, com nível de tolerância super limitado e já sempre alerta para dar uma boa resposta para o primeiro que me responder atravessado. Eu não era assim e não queria ser assim.

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  • 4 de maio de 2021 em 19:36
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    Não adianta tentar enfeitar ou amenizar a realidade, muito menos comparar com o Brasil. Sim, o israelense no geral é grosseiro, muito grosseiro o tempo todo, mal educado, grita, buzinha, é barulhento, os médicos péssimos e desinteressados, atendem pacientes de 5 em 5 minutos e já vi cirurgião atendendo em ambulatório um novo paciente a cada 20 minutos. Motoristas que deveriam estar presos ou sem um tostão na conta bancária, não há policiamento eficaz nas cidades e muito menos nas estradas, só sabem multar e mais nada; é cada um por si e cada um dirige como dá na telha. Enfim, 3º Mundo.

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