Árabes-israelenses integrados

Cerca de 20% da população do Estado de Israel – sem os territórios ocupados – são árabes. Até o ano de 1967, eles estavam totalmente isolados do mundo árabe. As fronteiras estavam fechadas. A Guerra dos Seis Dias e os dois acordos de paz que foram firmados, abriram pelo menos duas fronteiras: Egito (1979) e Jordânia (1994). Daí os árabes israelenses podem viajar à Arábia Saudita (em cotas pré-determinadas) para realizar uma das obrigações do islão, a do Haj: visitar Meca, de onde partiu sua religião.

Na sociedade israelense, os árabes israelenses estão integrados. Encontram-se entre os médicos, inclusive diretores de hospitais, como o Diretor do Hospital em Nahariya. A maioria dos farmacêuticos do país é árabe. Há deputados, professores universitários, construtores, homens de negócios, caixas em supermercados, futebolistas, etc.

Esta semana caiu mais uma barreira. O Conselho de Administração do Bank Leumi le Israel (o Banco Nacional de Israel) de 12 membros, teve que escolher o seu Presidente, entre os quatro que apresentaram sua candidatura. Cada um deles com grandes méritos e que poderia liderar o banco, que é o segundo maior entre os 12 de Israel. Entre os candidatos estavam um ex-Diretor Geral do Ministério da Fazenda, um General, ex-conselheiro do Comandante das Forças Armadas, um homem de negócios e o Dr. Samer Haj Yehiya de 50 anos (foto).

Dr. Haj Yehiya tem doutorado em Economia pelo MIT, fez mestrado em Administração de Empresas e bacharelado em Administração e Economia (terminando todos com distinção) e também Direito, todos na Universidade Hebraica de Jerusalém (UHJ). Foi professor de Economia na MIT e em Harvard, na UHJ e no Centro Interdisciplinar de Herzliya. É um dos conselheiros de administração do maior grupo alimentício de Israel, o Strauss, que é dono entre outros da Companhia 3 Corações do Brasil. É presidente do Conselho de auditoria do Hospital Hadassa, em Jerusalém e é membro do Conselho de Educação Superior em Israel.

Ele tinha excelente carreira nos EUA. Mesmo sendo Vice-Presidente de Investimentos do grupo Fidelity, além de lecionar nas universidades citadas, preferiu voltar a Israel. Vive na cidade de Taibe.

Sua escolha não se deu para fazer “correção” a favor de um árabe, foi por merecimento. Tanto é que dos oito membros do Conselho, cinco votaram nele e cada um dos outros três recebeu um só voto.  Isto é mais uma prova de que mesmo sendo árabe em Israel você pode estudar, progredir e alcançar o que quiser. Os árabes israelenses sabem que vivem em Israel com liberdades maiores do que nos países vizinhos. Acompanharam de perto a dita “primavera árabe” e sabem onde vivem melhor. O cenário não é só rosa, há problemas, mas é bom saber que quem quiser se integrar totalmente a sociedade onde vive tem todas as chances. Aliás, os drusos, que não são árabes, chegam a ser generais até nas Forças Armadas.

Não só por este motivo, mas sempre é incompreensível que pessoas e ou organizações que não conhecem Israel e não o vivenciam referem-se – por ignorância – ao Estado de Israel como um país de apartheid, de segregação. Qualquer visitante que chega ao país impressiona-se com as liberdades que todos desfrutam e que desbancam as ideias que tinha antes.

O Bank Leumi le Israel foi idealizado pelo “pai” do Sionismo moderno, Dr. Theodor Herzl e fundado em 1902 pelo braço financeiro e de assentamento da Organização Sionista. Seu nome foi Anglo Palestine Bank, que passou com a independência do país a se chamar Bank Leumi le Israel. Agora, o Presidente deste banco é um árabe-israelense, que também atua no Hospital Hadassa da Capital, fundado por sionistas. Não há contradição, é a integração.