Ataque russo atinge memorial do Holocausto

Dois mísseis russos atingiram nesta terça-feira, o Memorial do Holocausto Babyn Yar, o local de um dos massacres mais trágicos da Segunda Guerra Mundial.

O alvo era a torre de TV que fica em frente ao memorial.

Pelo menos cinco pessoas morreram e outras cinco ficaram feridas no ataque com mísseis, disse o serviço de emergências ucraniano. Imagens da cena mostraram corpos carbonizados e carros danificados.

O presidente do Conselho Consultivo da BYHMC, Natan Sharanksy, por meio de comunicado, disse que “é simbólico que Putin comece a atacar Kiev  bombardeando o local do Babyn Yar, o maior massacre nazista. Vale lembrar que Dmitri Peskov, porta-voz do governo russo, falou no início da invasão russa, que o objetivo central era “limpar a Ucrânia de nazistas”.

O ataque foi citado pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em um post no Twitter. “Para o mundo: qual é o sentido de dizer ‘nunca mais” por 80 anos, se o mundo fica em silêncio quando uma bomba cai no mesmo local de Babyn Yar? Pelo menos 5 mortos. História se repetindo…”, declarou o presidente fazendo uma crítica às mídias ao redor do mundo por não estarem falando sobre o ocorrido e só relatando a destruição de uma torre televisiva.

O ataque provocou uma onda de indignação e denúncias de Israel e de organizações judaicas internacionais.

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O ministro do Exterior, Yair Lapid, disse que Israel ajudaria a reconstruir qualquer dano causado ao local. Em um comunicado, Lapid disse que Israel “denunciou o dano” ao memorial de Babyn Yar e ao cemitério judaico, mas se absteve de identificar a Rússia como o causador. “Pedimos que o local sagrado seja protegido e honrado”, disse Lapid.

O ministro de Assuntos da Diáspora, Nachman Shai, também se absteve de culpar a Rússia pelo ataque, dizendo apenas que estava “triste com essa guerra desnecessária, com ferimentos a civis inocentes e danos a instalações civis, incluindo locais judaicos, como o importante centro memorial do Holocausto Babyn Yar.”

O Yad Vashem, que usou uma linguagem mais suave em seus comentários iniciais sobre a invasão russa da Ucrânia no dia anterior, foi muito mais duro e contundente em seu comunicado na terça-feira. Culpou explicitamente Moscou pelo ataque, descrevendo-o como um “ataque russo mortal”.

“Continuamos a acompanhar com grande preocupação os atos ultrajantes de agressão perpetrados contra alvos civis na Ucrânia”, disse o museu em comunicado.

O memorial de Babyn Yar fica no topo de uma vala comum com cerca de 34.000 judeus que foram massacrados lá durante um período de dois dias, em 1941.

Na ocasião, os nazistas espalharam a seguinte mensagem em Kiev: “Ordena-se a todos os judeus residentes de Kiev e suas vizinhanças que compareçam à esquina das ruas Melnyk e Dokterivsky, às 8h de segunda-feira, 29 de setembro de 1941. Aqueles que não comparecerem serão fuzilados”. Cerca de 33 mil judeus atenderam à ordem nazista e compareceram ao local indicado. Todos foram fuzilados.

Ao longo de 36 horas de massacre, os corpos foram sendo colocados em uma vala comum na ravina de Babyn Yar, em Kiev, uns por cima dos outros. Quase toda a população judaica da capital ucraniana foi exterminada no massacre. A maioria era composta por idosos, mulheres e crianças, uma vez que os homens estavam lutando na guerra.

Os fuzilamentos na ravina continuaram pelos dois anos seguintes. Também foram executados membros das etnias sinti e roma, pessoas com transtornos mentais e prisioneiros de guerra. Ao todo, mais de 100 mil pessoas, incluindo cerca de 70 mil judeus, foram assassinadas em Babyn Yar até a retirada das tropas nazistas, em 1943.

Fontes: Jovem Pan, The Times of Israel e UOL Educação
Fotos: State Emergency Service of Ukraine e AlexstalCC BY-SA 4.0 (Wikimedia Commons)

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