Governo quer ortodoxos na força de trabalho

O Ministério das Finanças pretende reduzir o número de horas necessárias para os estudiosos da Torá poderem receber uma bolsa de estudos do governo, disse o ministro Avigdor Liberman ao Comitê de Economia da Knesset na terça-feira, onde ele abordou a questão do emprego para homens ultraortodoxos na força de trabalho.

Segundo Lieberman a redução no tempo de aprendizado diário necessário pode chegar a 50%.

“Ou seja, com cerca de 20 horas eles terão o mesmo que se estudassem por 40 horas”, disse. “Isso permitirá que eles saiam para trabalhar”.

A medida visa um setor de rápido crescimento e de subemprego da população israelense, já que a comunidade haredi representará quase um terço da população do país nas próximas décadas.

O governo fez outros movimentos no passado para integrar a comunidade haredi à força de trabalho. Alocou mais de NIS 1,5 bilhão para a causa desde 2010, em parte, para ajudar os haredim a receber educação superior.

Na última década, a taxa de emprego das mulheres haredim saltou de 56% chegando a 77%, em 2019. Mais de 50% dos homens haredim estavam empregados até o final da década de 2010.

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“Queremos ajudar as crianças haredim, ao contrário do Shas e do Judaísmo da Torá Unida (UTJ), que querem mantê-las presas na pobreza”, disse Liberman ao comitê.

Na terça-feira, ele disse ao gabinete socioeconômico que também pretende retirar descontos em impostos municipais, pré-escola e programas pós-escolares de pais que não trabalham e dar incentivos às escolas que mudam para o ensino do currículo básico.

Os parlamentares haredim ficaram indignados com os planos, que disseram reforçar uma tendência constante de Liberman de prejudicar desproporcionalmente seu setor.

“Muitos Libermans vieram e se foram em nossa história”, disse o presidente da UTJ, Moshe Gafni. “Eles partem como o pó da terra, e o povo judeu perdura. Liberman está fazendo todos os esforços para manter os haredim nas manchetes, apenas para compensar seus próprios fracassos”.

Moshe Abutbul, do Shas, chamou Liberman de antissemita, enquanto seu colega de partido, o deputado Moshe Arbel pediu ao Controlador do Estado Matanyahu Englman para investigar se Liberman ultrapassou ilegalmente os limites de sua autoridade em seu plano, o que afeta vários ministérios.

A reunião do Comitê de Economia da Knesset com Liberman discutiu o plano do governo para ajudar pequenas empresas e trabalhadores autônomos à medida que a pandemia de coronavírus entra em seu terceiro ano. Liberman abordou a necessidade de enfrentar o aumento do custo da habitação e da violência doméstica e promover o emprego de mulheres árabes na força de trabalho.

“Queremos trazer para a força de trabalho as populações que ainda não se juntaram às que trabalham”, disse. “Pretendemos aumentar o bolo, reduzir as lacunas na sociedade israelense e fortalecer a classe média”.

“Já atuamos nessas questões. Por exemplo, aumentamos o subsídio para soldados das FDI em 50%. Aumentamos o subsídio para aposentados que recebem complemento de renda… Isso já é uma prova de que não nos contentamos com intenções, mas estamos realizando e orçando no terreno”, disse Liberman.

Em resposta, Shlomo Karhi, do Likud, disse a Liberman: “Em nome das milhares de vítimas de coronavírus que você enterrou, das dezenas de milhares de negócios que abandonou e das centenas de milhares de crianças que deixou com fome, peço que pare”.

Rabi Yaakov Litzman, do UTJ, disse que “os decretos do Ministro Liberman contra as famílias haredim expressam um ódio ardente por tudo que simboliza a tradição judaica. A perseguição sob a égide de Bennett, Lapid, Sa’ar, Liberman contra um setor inteiro é uma desgraça de um tipo que nunca vimos antes”.

Litzman se referiu também ao projeto de lei militar. A lei exigiria que as yeshivot cumprissem cotas de jovens para o serviço militar ou enfrentariam cortes em seu financiamento do estado.

O projeto de lei propõe recrutar ortodoxos para o exército, reduzindo a idade de isenção para 21 anos para aqueles que preferem permanecer na yeshivá. O rebaixamento da idade vigorará por dois anos.

Após esse período, a idade de isenção aumentaria para 22 anos e, um ano depois, para 23. Os haredim poderiam completar o serviço aos 21 anos, desde que ingressassem no mercado de trabalho.

Os partidos ortodoxos lutam consistentemente contra essas propostas.

Em um recente debate na Knesset, o deputado Uri Maklev, doUTJ disse  que a lei “mina o fundamento de nossa existência. Acredito sinceramente que o dever de estudar a Torá e sua existência é o que dá ao povo de Israel o direito de existir, é nossa alma de vida, é o principal e exclusivo pilar de sustentação, é a pedra angular e alicerce de nossa existência moral e prática”, disse ele.

Fontes: The Jerusalem Post e Hamodia
Fonte: Canva

 

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