Lapid pedirá solução de dois Estados na ONU

O presidente iraniano Ebrahim Raisi disse em seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas que Israel é uma “potência selvagem” e insiste que o programa nuclear do Irã é pacífico.

“A região nunca viu uma potência selvagem de ocupação como o regime sionista em seu meio no passado. O assassinato de crianças e mulheres está presente no boletim sombrio do regime sionista”, disse Raisi.

Ele propõe um voto de todos os palestinos, “muçulmanos, cristãos e judeus” para estabelecer um único estado.

Raisi repetidamente se referiu ao Irã como o protetor de todos os povos oprimidos da região, “da escravização dos babilônios aos palestinos”.

Centenas de dissidentes iranianos protestam contra Raisi do lado de fora da ONU durante seu discurso, como fizeram ao longo da semana, inclusive do lado de fora de seu hotel em Nova York.

O presidente do Irã também acusou o Ocidente de hipocrisia, contrastando seu tratamento do Irã com o de Israel.

Raisi também citou Israel ao defender o tratamento dado às mulheres pelo Irã. Ele acusou o Ocidente de “duplo padrão” sobre os direitos das mulheres, enquanto seu país é tomado por protestos pela morte de uma mulher presa pela polícia religiosa.

“Temos esse duplo padrão em que a atenção se concentra apenas em um lado e não em todos”, disse o clérigo também conhecido como “o açougueiro de Teerã”, apontando para mortes de mulheres indígenas no Canadá e ações israelenses na Samaria e Judeia e Gaza.

O discurso de Raisi chega em um momento politicamente sensível no Irã. Manifestantes entraram em confronto com a polícia nos últimos dias em cidades de todo o país, incluindo a capital, pela morte da mulher de 22 anos, que estava detida pela polícia de moralidade por supostamente violar o código de vestimenta estritamente aplicado da República Islâmica.

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O embaixador de Israel nas Nações Unidas, Gilad Erdan, abandonou o discurso do presidente iraniano, mas deixou uma foto de seus avós sobreviventes do Holocausto no assento israelense.

O gesto foi um protesto contra os recentes comentários de Raisi que lançam dúvidas sobre o Holocausto.

“É uma nova baixa moral para a ONU. Um negador do Holocausto assassino em massa sobe ao pódio na ONU para falar seu ódio. Todo embaixador que fica para ouvi-lo deveria ficar constrangido”, diz Erdan.

O presidente dos EUA, Joe Biden, em seu discurso reafirmou o compromisso de seu governo com a solução de dois Estados.

“Continuaremos a defender uma paz negociada duradoura entre o Estado judeu e democrático de Israel e o povo palestino”, disse Biden no final de um discurso que se concentrou principalmente na invasão da Ucrânia pela Rússia junto com as mudanças climáticas.

“Os EUA estão comprometidos com a segurança de Israel. Ponto final. Uma solução negociada de dois Estados continua a ser, em nossa opinião, a melhor maneira de garantir a segurança e a prosperidade de Israel… e dignidade”, continua ele, reiterando o mesmo ponto de discussão que seu governo usou em relação à sua política sobre o conflito israelense-palestino desde o início.

Biden também destacou brevemente sua recente viagem ao Oriente Médio, onde participou de uma reunião com os líderes de nove países árabes “para trabalhar por um Oriente Médio mais pacífico e integrado”.

No discurso que fará nesta quinta-feira, na tribuna da Assembleia Geral da ONU, o primeiro-ministro israelense, Yair Lapid, deve declarar que é a favor da solução de dois Estados e, portanto, da criação de um Estado palestino. Esta será a primeira vez em muitos anos que o assunto será levantado por um primeiro-ministro israelense neste fórum da ONU.

Já se passaram muitos anos desde que um primeiro-ministro israelense falou de dois estados ao se dirigir à ONU, segundo uma fonte próxima a Lapid.

Em seu discurso, Lapid explicará que “separar-se dos palestinos tem que ser parte da visão da nação”.

Com isso em mente, Israel “não fará nada que coloque em risco a segurança de Israel ou a segurança dos cidadãos de Israel nem por um centímetro, mas a separação dos palestinos deve ser parte da visão política, parte do conceito de esperança, sem força”, disse a fonte.

Lapid acredita na importância do diálogo, mas apesar das palavras que planeja proferir na ONU, ele não pretende se encontrar com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

Fontes: The Jerusalem Post e The Times of Israel
Foto (montagem): Wikimedia Commons

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