Quem brinca com fogo, pode se queimar

Por David S. Moran

A escalada de tensão entre dois países que não têm fronteira em comum é muito rara. O Irã está a 3 mil km de Israel e os aiatolás, que há 41 anos governam o país e o transformaram numa teocracia, dizem que querem destruir o Estado de Israel. Não só declaram, mas também fazem ações que são hostis e ameaçadoras ao Estado Judeu. O Irã usa esta tática, por duas razões principais. Os xiitas são minoria no islão e assim a projetam para tornar-se “guardião” do mundo árabe- islâmico em geral e dos palestinos em particular e assim tornar-se uma potência regional.

Até perder o poder para o fanático aiatolá Ruhallah Khomeini, em 1979, o Xá Mohammad Reza Pahlevi, mantinha boas e semi-sigilosas relações com Israel. Ele fugiu para o Egito e as relações com Israel imediatamente foram cortadas.

O Irã, como escrito anteriormente, não esconde sua meta de destruir o Estado de Israel. Nesta luta, abriu várias frentes. Está avançando no campo nuclear. Tem várias locais onde desenvolve seu poderio nuclear. Israel tenta abortar este plano e consegue atrasar a construção de bomba atômica, mas o Irã não para. Entrou num acordo com as seis potências mundiais (as 5 do Conselho de Segurança da ONU, mais a Alemanha). Depois que as autoridades israelenses provarem ao governo americano, que o Irã está violando o acordo, o Presidente Trump, retirou seu país do acordo.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), no início, não aceitava as reclamações israelenses, mas com o passar do tempo, não teve dúvidas. Seus inspetores avisavam quando iam vistoriar as instalações nucleares do Irã. Quando as faziam notavam que os iranianos haviam feito “limpeza” no local, outras vezes, não permitiam inspeção em instalações que tinha o que esconder. Nestes dias, o diretor da AIEA confessou que o Irã viola os acordos com as seis potências e os líderes iranianos já não escondem que chegaram ao enriquecimento de 65% do urânio.

A China, Rússia, França, Inglaterra e Alemanha, por suas razões e receios, querem continuar negociações com o Irã para chegarem a um acordo. No novo governo americano do Biden também há vontade de voltar ao acordo. Mas, surpresa, surpresa, quem dita as regras do jogo é o Irã. O seu governo diz em que condições estará disposto a negociar e até a data que quer (29/11).

Enquanto isso, o Irã está envolvido não só no Iraque, que tem maioria xiita mas se rebelou contra a teocracia iraniana. Está envolvido na Síria, apoiando o regime do Assad (alawita) junto com a Rússia. Mas o presidente sírio já está farto da violação do seu território e dos danos que causa à Síria pelos ataques israelenses, que não permitem a transferência de armamentos à organização terrorista no Líbano. Ontem foi divulgado que a Síria expulsou (pediu para sair do seu território) o Comandante da força iraniana, que tem a patente de general. O Irã também está presente na África e até na América Latina. Nos atentados à AMIA e a Embaixada de Israel na Argentina estavam envolvidos agentes iranianos.

Israel adverte os iranianos de que não lhes permitirá chegar a ter bomba nuclear que ameaçaria o Estado de Israel. O Comandante do Estado Maior do Exército israelense, Major General, Aviv Kochavi, advertiu que Israel está preparando-se para qualquer eventualidade e, se for necessário, até atacar o Irã. O Mossad israelense, numa operação como que nem nos filmes mais audaciosos seria possível relatar, descobriu e conseguiu trazer para Israel o arquivo nuclear iraniano. Em julho, o Presidente da Comissão de Relações Exteriores e Segurança Nacional do parlamento iraniano, confirmou que o Mossad israelense está atrás da maioria dos ataques contra seu país.

Também a guerra psicológica está tomando um grande vulto. Na semana passada foi divulgado e fotos foram estampadas nos jornais de que um avião bombardeio americano B-1b, acompanhado por dois caças F15 israelenses, atravessou o espaço aéreo israelense, em voo para o Golfo Pérsico. Esta semana, mais uma vez dois bombardeiros B1b americanos acompanhados por um avião de reabastecimento aéreo, passaram por Israel, acompanhados por caças F15 israelenses. Estas revelações públicas têm finalidade.

No domingo (7/11) as forças armadas iranianas começaram um exercício militar, composto por forças terrestres, aéreas e navais.

Na quarta-feira (10/11), forças navais da 5ª frota americana, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Israel iniciaram exercício militar no Mar Vermelho. É a primeira vez que estas marinhas treinam conjuntamente e todos esses países tem algo em comum, o inimigo iraniano. Só que mais uma vez, o governo americano surpreende Israel e sem lhe informar e coordenar divulga as manobras navais.

O governo Biden, quer voltar ao acordo com o Irã, mesmo sabendo que os fanáticos islamitas não o respeitarão, como foi até agora. Os ingênuos países europeus também prometem a Israel que não permitirão ao Irã obter bomba atômica e não entendem que num país ditatorial, acordos não valem nem o papel em que foram escritos. Temos bastante provas disso na história, mesmo a mais recente do século XX.

Em agosto entrou no cargo um novo presidente no Irã. O escolhido é Ebrahim Raisi, também conhecido pela alcunha de “o carrasco de Teerã”. Ele foi chefe da justiça iraniana, superconservador e pessoalmente ordenou e assistiu à matança por enforcamento de milhares de cidadãos iranianos da oposição que condenou a morte. Naturalmente, para uma pessoa desta alta posição no regime iraniano, ele entrou dizendo que vai destruir Israel.

As chamas estão se elevando e se os países ocidentais não acordarem a tempo, Israel terá que lutar duramente para tirar este perigo a sua existência que representa o atual regime iraniano. A não ser que algo aconteça e a “Revolução Islâmica do Irã” caia de uma outra maneira. Uma coisa é sabida, parece que o mundo ainda não concebeu que tem que levar a sério declarações de certos governos. Outra coisa é saber que quem brinca com fogo, pode se queimar.