Médicos residentes vão parar a partir de hoje

A organização Mirsham que representa os médicos residentes está anunciando centenas pedidos de demissão devido à longa disputa com o Ministério da Saúde por turnos prolongados.

Depois de o governo não ter cumprido o acordo anterior para encurtar os turnos, a organização diz que os líderes causarão “a pior crise de saúde da história de Israel”.

Segundo a organização Mirsham cerca de 200 médicos residentes enviaram cartas de demissão, em uma primeira etapa, mas muitas outras devem chegar se a crise não for resolvida. A Mirsham havia dado ao Ministério da Saúde um ultimato até as 14h desta quinta-feira para atender às suas demandas.

A Dra. Rey Biton, presidente da Mirsham, dirigiu-se ao governo, dizendo que “esperamos muito que antes que essas cartas entrem em vigor, em cerca de duas semanas, vocês acordem”.

“Não temos medo. Não temos nada a perder”, diz ela.

Embora o governo tenha concordado originalmente em encurtar os turnos até abril deste ano, em um anúncio de julho disse que a mudança seria adiada até setembro de 2023, citando problemas processuais causados ​​pelas próximas eleições, o que irritou os médicos.

“As cartas de demissão que estão sendo apresentadas agora com o coração dolorido e a mão trêmula são uma acusação” contra o governo por não cumprir suas promessas de acabar com os turnos de 26 horas, diz Biton.

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“Vocês estão levando Israel à pior crise de saúde de sua história”, acrescentou ela. “O governo não está assumindo a responsabilidade, apenas se escondendo atrás das eleições como se tal desculpa pudesse manter a desgraça longe”.

Biton diz que o governo “decidiu abandonar” médicos e pacientes.

“Não podemos mais suportar a injustiça, pagar o preço e prejudicar nossa saúde e a de nossos pacientes”, diz ela.

Atualmente, os médicos residentes são obrigados a trabalhar em turnos de 26 horas, mas têm feito lobby para que isso seja reduzido para 16 a 18 horas, alegando que sua incapacidade de se concentrar por um período tão longo sem descanso coloca em risco tanto os profissionais médicos quanto os pacientes.

De acordo com uma reportagem da agência de notícias Ynet, além dos 200 residentes que entregaram suas demissões nesta quinta-feira, outros 300 também assinaram cartas de demissão e estão ameaçando entregá-las se o Ministério da Saúde não reduzir os turnos.

As demissões só entram em vigor duas semanas após a entrega da carta a um empregador, dando ao Ministério da Saúde mais 14 dias para tentar impedir o êxodo em massa de médicos residentes.

O ministro da Saúde, Nitzan Horowitz, apoiou os protestos dos residentes, na quarta-feira, e colocou a culpa diretamente no Ministério das Finanças, dizendo que “o Ministério da Saúde apoia o encurtamento dos turnos” e insistindo que o “orçamento está em vigor” para fazê-lo.

Horowitz disse que o Ministério das Finanças “retrocedeu em suas obrigações e frustrou o avanço do processo”.

Fonte: The Times of Israel
Foto: Karolina Grabowska (Pexels )