Noruega deve fazer casamentos em sua embaixada

Não existe casamento civil em Israel, somente o religioso e para poder casar no religioso ambos os noivos devem pertencer a mesma religião. Para poder formalizar sua união, muitos casais inter-religiosos voavam para outros países a fim de realizar o casamento e, ao retornar a Israel, esses casamentos são oficialmente reconhecidos.

Com a pandemia muitos casais não podem viajar para casar no exterior. Por isso, a Noruega disponibilizou sua embaixada em Tel Aviv para os israelenses que desejam realizar um casamento não religioso. Até agora, eles são os únicos autorizados no país. Mas, embora não haja impedimento legal, o governo israelense ainda não aceitou.

A oferta norueguesa inclui a possibilidade de celebrar casamentos na sua embaixada em Tel Aviv e na sua missão diplomática em Jerusalém e isso implica num avanço para uma reivindicação histórica de setores seculares que não se sentem identificados com as instituições religiosas.

Há três meses, no contexto do fechamento das fronteiras devido ao coronavírus, o Knesset discutiu como uma solução seria encontrada para as centenas de israelenses que queriam se casar no exterior, mas não podiam viajar.

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Miki Haimovich, presidente do Comitê de Interior do Parlamento, apresentou um pedido ao Ministério das Relações Exteriores para elaborar uma lista de países dispostos a oferecer suas embaixadas. Na semana passada foi conhecida a resposta positiva da Noruega.

Embora à primeira vista não haja impedimento legal para a implementação desta medida, devido à delicadeza da questão, as autoridades de Oslo pediram a aprovação do governo para a celebração desses casamentos em Tel Aviv ou Jerusalém, mas dentro de território internacionalmente reconhecido como norueguês.

Haimovich levantou a questão com o procurador-geral e Aryeh Deri, ministro do Interior e líder do partido ultra ortodoxo Shas. “Após o anúncio da embaixada norueguesa, peço ao Procurador-Geral e ao Ministro do Interior que aprovem o procedimento, além de permitir o cumprimento deste direito básico para os casais”, afirmou o parlamentar.

“Em uma democracia este direito fundamental não deve ser negado a nenhum cidadão. Especialmente em um momento difícil, quando muitas pessoas estão passando por dificuldades econômicas, de saúde e mentais”, acrescentou Haimovich.

Por sua vez, Sharen Haskel apresentou um projeto de lei que obriga as autoridades israelenses a reconhecer esse tipo de casamento, para garantir que esse novo tipo de casamento civil não seja sujeito a considerações políticas.

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