Sinagogas históricas ganham vida nova na Turquia

Outrora uma joia da diáspora, há 150 anos a comunidade judaica de Izmir na costa do mar Egeu da Turquia contava com mais de 30.000 judeus.

Hoje, a comunidade judaica da cidade diminuiu para apenas 1.000 membros. Mas os moradores e visitantes de Izmir logo terão um vislumbre de como era a cidade quando abrigava a terceira maior comunidade judaica do império otomano.

Graças ao Izmir Jewish Heritage Project, nove sinagogas históricas na cidade velha de Izmir, conhecida como Kemeralti, foram restauradas e, a partir de junho, estarão abertas ao público como museus. O bairro, localizado não muito longe de um calçadão no Golfo de Izmir, é um dos maiores mercados abertos do mundo, atraindo turistas de toda o mundo.

“Você pode encontrar o que quiser lá, pode provar qualquer comida, cheirar qualquer aroma”, disse Nesim Bencoya, diretor do projeto patrimonial. Hoje, seu horizonte é dominado pelos minaretes de suas muitas mesquitas e as torres de igrejas pertencentes à comunidade ortodoxa grega, cujos membros também já foram uma característica definidora da diversidade de Izmir.

Quando o projeto for aberto, Bencoya espera que as sinagogas se juntem a eles como um aspecto importante do personagem de Kemeralti. “Mesmo que não houvesse um único judeu em Izmir, as pessoas poderão dizer, veja, houve uma civilização judaica aqui”, disse ele.

Seis das nove sinagogas ficam lado a lado, praticamente de parede a parede, cercando um pátio, enquanto as outras três estão espalhadas pelo bairro. Além das sinagogas, o antigo escritório do rabino-chefe da cidade também está passando por restauração. A apenas alguns minutos a pé, no bairro, fica a casa de infância de Shabetai Tzvi e um prédio que já abrigou uma vinícola casher.

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Uma vez concluídas as reformas, as sinagogas servirão como um museu vivo da história judaica de Izmir, com exposições sobre costumes locais, bem como a história de cada sinagoga e seus frequentadores, como a Sinagoga Algazi, em homenagem à família musical de seu rabino, ou sinagoga Portekiz, fundada no século XVI por judeus norte-africanos de ascendência portuguesa.

Izmir não é a única cidade da Turquia a ver suas antigas sinagogas restauradas. Nos últimos anos, Edirne, uma cidade na fronteira com a Bulgária, e Kilis, uma cidade no leste da Turquia perto da Síria, restauraram suas sinagogas abandonadas graças ao financiamento do governo.

Hoje nenhum judeu vive em nenhuma das cidades, e alguns céticos apontaram as campanhas como uma forma de o presidente Recep Tayyip Erdoğan se esquivar de acusações de antissemitismo. Mas outros dizem que isso decorre de uma apreciação genuína pela comunidade judaica do país, agora em declínio.

Bencoya disse que seu projeto, que é financiado principalmente pela União Europeia, foi inspirado na restauração de outros bairros judeus históricos, como o de Praga, que é agora um grande atrativo para os visitantes da cidade da Europa Central.

Fonte: Radio Jai
Foto: Nesim Bencoya. Interior da Sinagoga Sinyora em Izmir