A minha experiência de aliá, aos 50 anos

Por Mary Kirschbaum

Sinto-me renovada…

Poder falar uma nova língua e aprendê-la em qualquer lugar.

Sento-me na salinha de espera do médico de família, no postinho de saúde do Macabi e estou feliz, observando os outros pacientes, que com sua espera ansiosa, pelo mesmo médico que os atendeu a vida inteira, discutem entre si para ver quem vai entrar primeiro. E eu lá observando seus trejeitos, seu sotaque, sua raiva israelense…

Entro no shopping e observo as famílias sabras, com suas crianças, e escuto vários aba vê ima, com seus berrinhos inflamando, o seus erres guturais.

Entro num ônibus e fico quietinha com minha máscara de corona só observando os adolescentes conversando, as senhoras russas falando sobre algo que eu juro que não entendi…

Porque aprender russo, aí já é querer demais de uma cinquentona que nem eu, que vai tentando soltar o seu hebraico.

Tudo para mim é novo, e percebo que mesmo as coisas que eu fazia no Brasil, como esta vida cotidiana de trabalho, compras, médico, ginastica, viagem, shuk, restaurante, supermercardo, farmácia, casa, parque, etc., etc. Faço tudo muito feliz.

Porque sou uma estrangeira e vivo a cada dia muitas mudanças. Mas não tenho mais 25 anos. Tenho o dobro e penso que esta chance que D’us me deu, de renovação, não é para qualquer um. Então sinto-me privilegiada.

E agradeço, agradeço todos os dias.

Eu gosto de estar aqui. Está certo que o povo israelense não é um povinho muito simples… e nem muito gentil. Muito pelo contrário, mas vou aprendendo com eles a me colocar e estipular meus limites como eles sabem muito bem fazer. Mas também ensino meu jeitinho brasileiro, minha delicadeza e ofereço meu sorriso que é de praxe, mesmo que alguns achem esquisito, que se possa sorrir por aqui, a troco de nada.

Pela lei do retorno, fui aceita neste pequeno país. Terra de meus patriarcas e matriarcas, mas também retorno para o encontro de minha família que já se encontrava aqui há alguns anos.

Muitas surpresas me foram ofertadas. E sendo assim, juntamente com a reviravolta na minha vida, virei vovó de uma linda e meiga netinha. Rivkalê é o seu nome. E também me adapto a chassidut, no modo de vida de meu filho rabino que mora em Harish, na cidade nova dos brazilaim. Junto com a sua linda mishpachá, e o resto da nossa, nos reunimos para deliciosos shabatot na casa de ima sheli.

Todos os feriados judaicos que no Brasil se achava esquisito, que alguém tivesse de jejuar ou faltar ao trabalho, aqui estão presentes na minha agenda cotidiana, e aí não me sinto um peixe fora d’água.

Ah, mas às vezes, me sinto um peixe fora d’água; pois também sinto muitas saudades da terra brazilis que deixei para trás. Meus amigos e colegas de trabalho, meus amores que um dia passaram por minha vida, e que tinham sotaque caipira, gaúcho ou paulistano…e que fizeram parte de minha história.

A vida é feita de escolhas. Escolhas e renúncias. E eu escolhi. Escolhi estar aqui. Trouxe na bagagem meu marido carioca e meu filhote York Shire.

E assim vamos levando nossa vida, nesta velha e nova terra.

Eretz Israel iafá vê porachat.

Trouxe minha alma e ela me acompanha para mais aprendizados.

Feliz é minha chegada a terra santa, depois dos 50.

2 thoughts on “A minha experiência de aliá, aos 50 anos

  • 15 de dezembro de 2021 em 12:58
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    Soy Argentina e hice Alia con mí marido por el reencuentro con mí hija, mí yerno y mis amadisímas nietas, tengo tres que junto a mis hijos son lo mas importante de nuestras vidas.
    Gracias a la ley del retorno, nos pudimos reencontrar, para ser una gran familia FELIZ !!! En nuestra querida ERETS ISRAEl❣️❣️❣️

    • 16 de dezembro de 2021 em 08:20
      Permalink

      Que legal Silvia!! ❤️❤️

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