O verdadeiro desafio da sociedade israelense não é o vírus

Por Janine Melo

Esta semana eu me peguei pensando sobre os últimos meses que vimos vivendo à sombra do Covid-19 e cheguei à uma conclusão bastante simples: o verdadeiro desafio que a sociedade em Israel vem enfrentando não é o vírus. O maior desafio de todos é conseguir se unificar ao em vez de desmoronar.

Venho lendo a alguns dias o livro A Peste de Albert Camus. Escrito durante a Segunda Guerra Mundial e publicado em 1947, o livro conta a história de uma cidade na Argélia, Oran, que se vê atacada por uma peste que leva à morte de seus cidadãos e o lockdown completo da cidade. No meio de uma pandemia que leva a cidade ao medo total, um grupo de pessoas liderados pelo médico Bernard Rieux se juntam para cuidar dos doentes e conseguir reprimir a propagação da doença entre as pessoas. Durante o livro, Camus escreve que “o que se aprende no meio dos flagelos é que há nos homens mais coisas a admirar que coisas a desprezar.”

Em Israel de 2020, os cidadãos encontram dificuldade em admirar uns aos outros. Enquanto um grita contra outrem, seja por este estar saindo às ruas para protestar ou indo à sinagoga para rezar, o vírus continua devastando o país, sem diferenciar pessoas por sua religiosidade ou ideais políticos. No entanto, no meio de toda esta confusão e incerteza sobre o futuro, eu procuro justamente a admiração. Entre as notícias das oito e os textos cheios de raiva que leio e jornais e sites, eu consigo ver pessoas que usam seu tempo para se voluntariar a levar comida quente a pessoas necessitadas. Pessoas que ajudam outras a instalar o zoom no computador para que estes possam falar com amigos distantes. Cidadãos que entendem que esse é um tempo de reclusão, nos quais tanto os protestantes quanto os religiosos terão que abrir mão das coisas que eles gostariam de estar fazendo agora.

Todo judeu sabe quão perigosas são as fendas que aumentam as lacunas existentes entre as pessoas de seu povo. Estas podem levar a resultados desastrosos. Vamos tomar esse tempo para admirar o nosso potencial humano de melhorar o lugar onde vivemos, em vez de usar nossa voz como modo de prevalecer polos já existentes. Este é um convite aberto a todos.

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